terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

UMA COMISSÃO PARA A NATALIDADE


O Primeiro-Ministro anunciou, ontem, a criação de uma comissão multidisciplinar para estudar o problema da natalidade. Oiça bem, “nosso primeiro”: os portugueses sabem o que fazer para terem filhos. Não precisam que alguém lhes explique ou faça um desenho. 


O “nosso primeiro” deveria saber que esse assunto já está estudado, que existem propostas para que não se verifique a tragédia dos números apurados no ano passado, entre Janeiro e Outubro, onde se registaram mais 18.232 mortes do que nascimentos. A natalidade continua a baixar, situando-se agora em 1,36 crianças por mulher em idade fértil. A mais baixa natalidade da União Europeia.
Maria Filomena Mendes, da Associação Portuguesa de Demografia sublinhou: “O desemprego jovem, que afecta as pessoas em idade de ter filhos, a precariedade e a incerteza em relação não só ao trabalho mas também ao futuro condiciona e muito o projecto de ter filhos”. “A tónica dominante terá que ser a redistribuição do trabalho”, concorda a socióloga Margarida Mesquita, que lançou há dias o livro Parentalidade – Um contexto de Mudanças. Há estudos que mostram que, se as mulheres portuguesas pudessem ter os filhos que desejam, Portugal estaria próximo dos 2,1 filhos por mulher necessários para garantir a substituição das gerações. Aproximar a fecundidade desejada da fecundidade real implicaria, segundo Margarida Mesquita, várias medidas: “Reduzir o horário de trabalho, proporcionar maior estabilidade nos vínculos profissionais e fazer diminuir o stress que pais e mães acusam por sentirem que não têm tempo para os filhos, o que lhes causa culpa e frustração e os impede de avançar para o projecto de terem mais filhos”. Percebeu, “nosso primeiro”? É que isto não vai com menos qualquer coisa no IRS, no IVA para alguns produtos e, entre outros, com um subsídio por nascimento, quando os filhos, hoje, ficam com os pais durante muitos anos. O problema designa-se por Economia. Portanto, a situação só melhorará se o “nosso primeiro” pensar o País e não no roubo a que os portugueses estão, diariamente, sujeitos.
Ilustração: Google Imagens. 

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