terça-feira, 18 de março de 2014

ENTÃO, NÃO É ESTA A REGIÃO DA PLUTOCRACIA?


O político Alberto João Jardim, por vezes faz-me rir. Há dias escreveu: "(...) A plutocracia, num sentido social, significa a influência da riqueza e do dinheiro, o predomínio dos ricos. E, num sentido político, é o regime político-social em que os ricos detêm o poder. Algumas democracias, infelizmente, tornaram-se plutocracias. (...)". Eu que sempre vivi aqui, que, felizmente, não tive de emigrar, olho para estes trinta e tal anos, quase quarenta de uma única voz, e dou comigo a pensar se aquelas palavras têm a ver com um qualquer outro espaço territorial que não este. Afinal, quem detém o poder aqui na Madeira? Então, as engrenagens tão sofisticadas que foram montadas, os que nada tinham e são hoje reis e senhores de milhões, através do jogo das influências e dos bons telefones, do acesso rápido aos corredores do poder? Quem permitiu as "negociatas" que um autarca chegou a falar? Quem admitiu que a concorrência não se concretizasse em pleno em todos sectores da nossa sociedade? Então este não é o "reino" da plutocracia? Ora, a forma do autor daquela frase se posicionar traz no seu bojo a frase que o povo bem conhece: "com a verdade me enganas".


Não bastasse isso, o Senhor Gabriel Drumond, ex-deputado do PSD e apaniguado da FAMA, (ou "flama", pois não consigo estabelecer os contornos das diferenças) quase em simultâneo veio dizer, no jornal do regime, esta pérola: "(...) Os partidos do arco do poder, PSD, PS e CDS não têm razão de existir hoje em dia, pois são partidos de interesses pessoais e de cariz capitalista. Estes partidos perderam a ideologia. São partidos com tendência a desaparecer, pois portaram-se muito mal com as populações". Então, meu caro senhor, pergunto-lhe, não era "o PSD que ponha a Madeira em marcha"? Que se portaram mal, disso todos sabemos, basta olhar para a dupla austeridade em consequência de uma monstruosa dívida criada que alimentou muito capitalista com poucos escrúpulos. Isso é verdade, temos às costas mais de seis mil milhões de dívidas e uma sociedade presa aos interesses capitalistas de alguns senhores! Não apenas lá, mas também aqui, onde podem ser dados muitos exemplos de políticas que acabaram por gerar um polvo de compridos tentáculos. Daí que se "ria o roto do esfarrapado", sem qualquer moral para tecer sejam lá que considerações forem.
Posto isto, onde um rosário de situações poderiam aqui ser enunciadas, o que me parece, claramente, é que toda esta nova engrenagem constitui o tiro de partida para uma eventual criação de um novo partido. O homem está de saída porque tem consciência que poucos são aqueles que ainda o aturam e tal como um pequeno, dono da bola e que está a levar uma abada, pega na bola, mete-a dentro da pasta e vai para outro lado jogar, onde possa ser, novamente, capitão da equipa. Não é de somenos importância aquela tirada de que não está farto da Madeira, mas sim do PSD-Madeira. 
Enquanto isto, um candidato acérrimo defensor da "Madeira Nova", zangado, candidata-se com o slogan: "Nova Madeira". Para além da falta de imaginação, estou esclarecido. 
Ilustração: Google Imagens.

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