sábado, 8 de março de 2014

O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO NÃO SABE OCUPAR O SEU LUGAR


Não estranhei o facto do secretário regional da Educação e dos Recursos Humanos, Dr. Jaime Freitas, ter ido até Lisboa, à sede da Federação Portuguesa de Futebol, reunir como respectivo presidente. E não estranhei, porque, se a memória não me atraiçoa, após a tomada de posse, um dos seus primeiros actos públicos foi a visita a um clube. Poderia ter ido a um estabelecimento de educação ou de ensino, preferiu ir ver como é que as coisas da bola iam. São opções que evidenciam formas de estar e prioridades dos caminhos a percorrer. Passaram-se mais de dois anos e meio de mandato e sem que se lhe conheçamos uma única ideia para o desporto regional, toma o avião e vai à sede da federação. Não foi o presidente da Federação de Futebol que pediu uma audiência, foi o secretário que foi a Lisboa, tal como antigamente, de "chapéu" na mão, subserviente, como se aquela federação tivesse alguma coisa a ver com os € 14.000.000,00 em dívida aos associativismo local, claramente por falta de estratégia política, tivesse alguma coisa a ver com a falência da Associação de Futebol da Madeira, ou, então, por não terem aplicado, correctamente, ao longo de muitos anos, cerca de duzentos milhões de euros anuais, provenientes do Orçamento de Estado, visando os custos de insularidade. E agora, aflitos, sem cheta no cofre, reclamam que seja o Estado a pagar as deslocações aéreas, quando o dinheiro deveria ter sido, correcta e inteligentemente utilizado para suportar os tais custos de insularidade, onde o desporto se enquadra. Até nas verbas dos jogos sociais da Santa Casa nunca souberam criteriosamente utilizá-las. Mas essa é outra história!


Perante isto, estamos face a um secretário que não sabe ocupar o seu lugar institucional. Anda aos papéis. E no meio de tanta trapalhada, "avisa" a navegação que, provavelmente, terão um corte de 25% sobre os contratos-programa assinados no passado. Que VERGONHA, senhor secretário! O governo prometeu, assinou, os dirigentes investiram e, agora, encosta-os à parede. Quem assim se comporta na governação não tem qualquer legitimidade para manter-se no lugar. Deveria sair em nome da dignidade, em nome da palavra dada e por respeito a todos aqueles que foram, claramente, ludibriados. Esta atitude evidencia tiques idênticos aos do governo da República, se tivermos em conta a palavra dada antes das eleições de 2011 e o saque que estão a fazer a todos os trabalhadores, instituições públicas, privadas, reformados e pensionistas. 
Mas o problema é ainda mais grave se em conta tivermos que o secretário, em nome do governo, comporta-se desta maneira, mas não apresenta qualquer projecto para o futuro. O zero político mantem-se. O zero na estratégia permanece. O zero na proposta legislativa para o futuro, idem. Isto é, o secretário marca passo e, tal como na Alice do País das Maravilhas, não sabendo para onde caminha, qualquer caminho lhe serve. Ah, quer o Ronaldo na festa do desporto escolar! Espantoso. Para quê, se o desporto na escola não funciona como deveria, se o dinheiro não chega, se os professores são mal pagos, se os convívios são limitadíssimos, se tudo aquilo é apenas encenação face a um esforço dos professores indirectamente proporcional aos seus desejos? Para quê iludir as pessoas quando não se lhes dá os apoios necessários? Ah, e quer que se realize, na Madeira, um jogo da selecção nacional? Para quê? Pois, por causa do nome da Madeira, do turismo, blá, blá... É a casa começada pelo tecto. É a tentativa de vestir um smoking mas apresentando-se descalço. Envergonhece-se, senhor secretário!
Ilustração: Google Imagens.

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