quinta-feira, 3 de abril de 2014

AS AUSÊNCIAS DE JARDIM PROVAM QUE ELE NÃO FAZ FALTA


A imagem transmitida ontem, no parlamento traduz a ideia que os deputados da maioria parlamentar, sobretudo os da primeira fila, subtilmente como convém, fazem uma espécie de bilhar às três tabelas: concordam com a oposição como se pudessem apagar a História; atiram uma valente farpa para dentro do próprio grupo onde, directa ou indirectamente, são evidentes as ligações de proximidade e de interesses e, finalmente, tentam demonstrar que procuram o seu espaço político alternativo. Os madeirenses estão entregues a isto. Daí que ter o presidente residente ou ausente, tanto faz, até porque não tem mão em nada. Politicamente, um zerinho! Num tempo onde necessário se torna guiar-se por inúmeros instrumentos, o ainda presidente guia-se pelas estrelas, ainda por cima, cadentes.


Mas alguém ainda se preocupa com as ausências do Presidente do Governo? Penso que é um disparate preocuparmo-nos com isso. Há muito que ele não governa, apenas anda por aí, num permanente faz-de-conta, enquanto os outros tentam manter o expediente mais ou menos em dia. O Jornal da Madeira faz o resto. Portanto, ter ou não ter presidente de governo, neste momento, é igual a zero. Quando por aí anda parece óbvia que a sua prioridade é controlar quem o quer, politicamente, apeá-lo do poder. Daí que, secretas ou não, com agenda divulgada ou não, quero lá saber que na "quinta" sintam que é dia santo! Preocupado estou, isso sim, que não se resolva isto, rapidamente, e pela via eleitoral. Porque é evidente serem gravíssimos os problemas da Região Autónoma da Madeira, aliás, subtilmente ou mesmo descaradamente denunciados por aqueles que o defenderam durante anos e anos. Ainda ontem, a sessão da Assembleia foi muito esclarecedora: o Grupo Parlamentar do PS apresentou uma proposta de reestruturação do "modelo" portuário. O Deputado Carlos Pereira sublinhou: "(...) A reestruturação de há 20 anos foi a maior golpada dada à economia regional". Por seu turno, o Deputado Jaime Filipe Ramos (PSD) assumiu: "(...) O actual modelo portuário (...) é insustentável para a economia da Região e para o seu desenvolvimento". Pois, digo eu, todos sabemos isso e desde há muitos anos. O que ali existe é um monopólio na operação portuária e uma imagem de cartel entre operadores que agrava, sobremaneira, a vida dos empresários e dos consumidores em geral. Neste caso, a curiosidade, se existe alguma, é a extraordinária cambalhota do PSD-M, vá lá saber-se porquê, tantas e tantas foram as chamadas de atenção feitas ao longo de anos a fio. Quer no próprio debate parlamentar ou sob a forma escrita e até em jornais de refinado humor sarcástico, as denúncias têm barbas, e, apesar disso, desde há dezanove anos, a situação mantém-se embora com "licença provisória". I Um "provisório"... definitivo. Inacreditável? Bom, só para quem não vive na Madeira e para quem não conhece a rede tentacular de interesses. Agora, politicamente, de corda no pescoço, alguns tentam saltar do barco que afunda, como se não tivessem nada a ver com a EXPLORAÇÃO DO POVO consentida durante muitos anos. Um dia a História será conhecida através da paciente construção do puzzle de interesses que esta velha governação intencionalmente permitiu. Neste caso, um vergonhoso monopólio num país e numa Europa defensora da concorrência e da transparência.
A imagem de ontem traduz a ideia que os deputados da maioria parlamentar, sobretudo os da primeira fila, subtilmente como convém, fazem uma espécie de bilhar às três tabelas: concordam com a oposição como se pudessem apagar a História; atiram uma valente farpa para dentro do próprio grupo onde, directa ou indirectamente, são evidentes as ligações de proximidade e de interesses e, finalmente, tentam demonstrar que procuram o seu espaço político alternativo. Os madeirenses estão entregues a isto. Daí que ter o presidente residente ou ausente, tanto faz, até porque não tem mão em nada. Num tempo onde necessário se torna guiar-se por inúmeros instrumentos, o ainda presidente guia-se pelas estrelas, ainda por cima, cadentes.
Ilustração: Google Imagens.

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