sábado, 5 de abril de 2014

SWAPS... TROCAS E BALDROCAS


Swaps. O Deputado Carlos Pereira (PS-M) assumiu, ontem, que "há mais de dois anos" vem alertando para "a situação grave e prejudicial, para as contas da Região, dos contratos de "swap" efectuados pelas empresas públicas regionais". Porém, os alertas de nada serviram no sentido "do governo identificar todas as situações problemáticas e iniciar um processo urgente de negociação para evitar a escalada dos custos". O Deputado adiantou, ainda que "(...) numa fase inicial fui completamente ignorado" (...) "foi preciso o relatório do IGCP demonstrar que eu tinha razão, que havia "swaps" na Madeira e que as perdas potenciais já ascendiam a 170 milhões de euros". O curioso disto é que na perspectiva do secretário do Plano e Finanças, enfim, é tudo mentira e tudo especulação. Na sua estratégia política, o DIÁRIO inventa notícias, o grupo parlamentar do PS-M não tem razão, mas a verdade é que eles foram feitos e com prejuízos. É o que ressalta dos comunicados e do debate parlamentar onde se embrulham em palavras. Os comunicados, esses, pretensamente esclarecedores, não são mais do que areia para os olhos, enfim, como sempre, a imagem que fica é a de uma gigantesca aldrabice política dita de forma convincente. A verdade é sempre escamoteada. Politicamente é assim, ou melhor, sempre foi assim. 


Estava eu na Assembleia e tantas foram as vezes que escutei o secretário Ventura Garcês, como vulgarmente se diz, a jurar de pés juntos, que a dívida da Região não chegava aos dois mil milhões, quando o PS já a situava em mais de seis mil milhões. Só mais tarde, descobertas que foram mais de mil milhões de facturas não reportadas, a dívida subiu em flecha, concluindo-se, afinal, da colossal mentira que o governo vendia! Não há, portanto, um registo histórico que faça acreditar nestes governantes. A mentira faz parte, como hei-de dizer, talvez, do seu ADN político. Isto, no quadro das Finanças onde a transparência das palavras ditas têm deixado um rasto de total desconfiança. E quando escrevo a palavra desconfiança, não estou, obviamente, a situá-la no espaço de pessoas que lucraram com a gestão da coisa pública, mas sim da transparência política, da verdade, das continhas até ao cêntimo, da realidade e não da verdade que interessa ao grupinho que governa. Para mim, até prova em contrário, são todas pessoas sérias no plano pessoal. No quadro político a história é outra. E é neste espaço de debate que quero e gosto de me situar. O resto é com a Justiça. O processo "Cuba Livre" talvez comece a trazer novidades. Talvez! Sublinho talvez porque os meses passam e os silêncios aumentam!
O problema é que para existir Justiça tem de haver investigação. E neste aspecto, o dos swaps, para não falar de tantos outros, em vários sectores e áreas do governo até às autarquias, porque, politicamente, é cada vez mais relevante, bom seria que tudo fosse investigado. Não através de auditorias internas que constituem fatinhos à medida, ou de discursos ou comunicados balofos, mas através de auditorias externas que colocassem outras verdades e outras teias em cima da mesa. Tenho para mim, trata-se de uma convicção, que há muita história para contar e muitos segredos a desvendar. Parafraseando o Vasco Santana, "espreguiçadeiras há muitas"! O problema é pegar o fio à meada. Um dia será possível, com um outro governo, de outra(s) cor(es), que siga o rasto de todas as obras e de todas as dívidas. Não advogo uma caça às bruxas, mas um processo que clarifique e faça luz sobre muitas sombras. A política regional está, permanentemente, tal como o tempo, com um enervante "capacete". Se tudo estiver de acordo com a Lei, óptimo, de contrário, a Justiça terá de funcionar, custe o que custar e doa a quem doer. E que não fujam para o Brasil! Estamos todos a pagar uma dupla austeridade que tem vindo a roubar a esperança dos mais jovens e a massacrar os menos jovens. E se existirem culpados, para além das questões políticas que se resolvem ou deveriam resolver no momento do voto, tudo o resto deve ser motivo de investigação e denúncia e, eventualmente, de condenação. O Dr. Carlos Pereira tem razão: não basta estar contra a banca. É preciso "avaliar todos os termos da responsabilidade dos gestores públicos das Sociedades de Desenvolvimento, Madeira Parques Empresariais, da APRAM SA, da EEM, entre outros" e verificar "o comportamento das respectivas tutelas em termos de recomendações nos momentos adequados". Tudo o resto, "são paninhos quentes para manter tudo como foi até hoje".
E atenção, isto já não vai com comissões de inquérito na Assembleia, cujos relatórios, nos poucos inquéritos que são levados a cabo, nunca apuram nada. Por essa via, nada feito. Um exemplo, entre tantos: a comissão de inquérito à divida da Região, depois de vários meses e de poucas reuniões, resumiu-se a uma folhinha A4 que quase se transformou num louvor ao governo. Há um histórico que prova o conluio entre o governo e a maioria na Assembleia. Por aí, repito, nada feito. A esperança está em uma desejada MUDANÇA que ponha fim a quase quatro décadas de loucura, de falsas verdades, de utilização demagógica da palavra, de utilização indevida dos meios públicos (são tantas as situações), de perseguições, ofensas, medos escravizadores e de criação de fantasmas para desviar as atenções sobre as carências sentidas pelo Povo. E estes que agora dizem ser alternativa NÃO SÃO, pois a farinha é a mesma, os princípios os mesmos, os valores os mesmos, a cartilha a mesma. Está na hora de uma alternativa onde ninguém pode se dar ao luxo de uma falsa partida!
Ilustração: Google Imagens.

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