quinta-feira, 8 de maio de 2014

CUIDADO... É O FUTURO QUE ESTÁ EM JOGO


Passaram-se seis meses após a derrota eleitoral do PSD-M nas autárquicas de 2013. É muito pouco tempo para avaliar o desempenho das novas sete equipas. É preciso esperar, no mínimo, um ano, para que se possa deduzir sobre a importância dos caminhos que estão a ser percorridos. Em um concelho, desde os maiores aos mais pequenos, quer em espaço territorial, quer no número de habitantes, os problemas são, obviamente, múltiplos e complexos e, se mergulharmos na gestão corrente, aí então, não há autarca que consiga dormir descansado. É a  falta de dinheiro em contraponto com as facturas por liquidar, é a descoberta de buracos financeiros, são os problemas derivados da estrutura organizacional, é o desequilíbrio entre o desejo de cumprir o programa eleitoral e as dificuldades de toda a ordem é, ainda, o tempo necessário para as equipas se entrosarem. Mas, atenção, este primeiro ano de mandato é decisivo, porque é o futuro que está em jogo. 


Aliás, tenho vindo a notar o desconforto do PSD que não consegue esconder o embaraço entre a perda de liderança autárquica e o significativo conflito interno por entre acusações dos diversos candidatos. Mas, todos devem estar certos, que estão de olho bem aberto ao que se passa e, portanto, qualquer sinal, qualquer passo menos bem dado, constituirá um trunfo no sentido de denegrir o trabalho dos eleitos. Aos novos autarcas exige-se, assim, sangue frio, uma ampla capacidade para o diálogo intra e inter-grupos, união, tolerância, respeito, sentido de missão e uma obsessiva intenção de bem servir. Qualquer desinteligência, por menor que seja o seu significado, será negativamente ampliada. Até existe um Jornal da Madeira! E é disso que tenho receio. O futuro político na Região passa, inevitavelmente, por uma experiência bem sucedida ao nível autárquico. Perder-se no labirinto do conflito pode traduzir-se, a prazo, no desencanto dos eleitores. Por tudo isto, cuidado, muito cuidado, porque o povo demonstrou estar atento, votou, mas exige um retorno de satisfação. 
E escrevo isto porquê? Porque tenho lido algumas cartas do leitor (ainda ontem, uma), desabafos de autarcas agora na oposição que vão corroendo, artigos de opinião e até o próprio presidente do governo, ajudando à festa, disse que o povo tinha sido enganado no último acto eleitoral. Ganhar esta batalha política implica, pois, SERENIDADE, bom senso nas decisões, HUMILDADE política e ausência de ARROGÂNCIA. Que ninguém fique deslumbrado pela missão que está a cumprir. Andrew Campbell escreveu no livro "Sentido de Missão", relativamente a uma estrutura empresarial, uma frase de enorme relevância: "Temos muito poucas discussões. Porquê? Porque todos nós dependemos uns dos outros. Reconhecemos as capacidades de cada um e trocamos tarefas ou trabalhos porque somos uma equipa". Afinal, questiona o autor, qual o conceito de MISSÃO? Responde: "é o conjunto de quatro elementos, finalidade, estratégia, padrões e valores comportamentais." Digo eu, não vale a pena sair deste enquadramento. Deixo aqui, com as adaptações necessárias à actividade autárquica, 45 CONSELHOS PARA NAVEGAR EM ÁGUAS REVOLTAS.

3 comentários:

Anónimo disse...

Não foi preciso esperar esse ano. Hoje mesmo fica-se a saber que para além de incompetentes não se entendem. O poder pelo poder, sem ideias e sem capacidades nunca chegou a lado nenhum. Estão tão obcecados contra alguém que nem sabem quem é que acabam por não perceber qual o seu papel que seria governar. mas isso dá trabalho, requer competência, saber e capacidade que está muito para além do que esta equipa executiva tem. Sr. Prof. Escórcio, homem que merecia ter sido Presidente da CMF, com estatura intelectual e capacidade, diga-nos sinceramente se acha que esta vereação é competente. Eu não gosto do PPD mas, honestamente, estamos perante um erro de casting. Uma coisa e ganhar eleições na lógica propagandista e combatendo um desgaste e vícios do poder vigente mas outra é, depois das eleições termos que saber o que fazer, com competência, com visão e não avulso como se tem visto e tão desgarrado. Ganhar eleições depende do momento, do marketing e da raqueta do adversário. Gerir bem requer capacidade e competência que Cafofo e os seus meninos não possuem. Ou dir-nos-á o prof. Escórcio que o Iglesias e companhia são uma competência extrema? E que a Idalina e o Edgar são exímios gestores para o momento que se vive? Ou que o próprio Cafofo tem algo mais que a careca e o sorriso? Na sua honestidade intelectual, Sr. Professor, admita que esta gente que a democracia levou ao poder não tem jeito para a coisa! Erro fatal que vai ter custos brutais ao PS que poderia e deveria ser um projecto alternativo. Lamento. Sei que o Prf. não pode admitir mas, esta é a verdade das coisas e está bem à vista.

João André Escórcio disse...

Muito obrigado pelo seu comentário.
Sou um homem livre, e apesar das minhas convicções políticas e sociais, nunca me deixei vergar pelos posicionamentos partidários, daí que assista com muita preocupação ao que se está a passar. Não escondo o desconforto até porque levei trinta e tal anos a lutar por uma alternância no poder. Como sabe, a eternização dos políticos na administração da "coisa pública" não fortalece a democracia.
De resto, o meu texto foi no sentido de uma chamada de atenção para a necessidade de um verdadeiro sentido de missão no quadro do que sublinha Andrew Campbell. Estou preocupado, muito preocupado, até porque os eleitos tinham o dever de transmitir segurança, equilíbrio, bom senso e respeito pelo sentido de voto dos funchalenses.
Só uma questão marginal... não me preocupa a ausência de experiência política dos eleitos, porque essa adquire-se. Preocupa-me sim o que se esconde, no plano político e não só, por detrás de tudo o que foi matéria publicada.
Agradeço, uma vez mais, o seu comentário.

Anónimo disse...

Plenamente de acordo. Em tudo e em particular na idea de que a experiência política se adquire praticando. Contudo, no caso de uma autarquia é preciso também competência de gestão. e mesmo na política, esta vereação, vencedora, não tem uma ideia que vá muito para além dessa (enorme) conquista de setembro. A ideia era ganhar, derrubar um regime instalado. Mas agora é preciso mostrar que há outra maneira ou a mesma até mas que é necessário fazer. E, honestamente falando, sem querer julgar ninguém, não é com a Idalina Perestrelo ou o Edgar Marques, ou mesmo o Paulo Cafofo que se consegue gerir alguma coisa. É uma pobreza de ideias e uma incompetência de gestão imensa. Que não tem tempo nem é lugar para aprender.