domingo, 29 de junho de 2014

AUTONOMIA XXI.14... "VÃO DAR BANHO AO CÃO"


Há expressões interessantes como aquela "vão dar banho ao cão", equivalente a "desamparem-me a loja", algo como "não me encham o saco" ou, então, "vão ver se estou na esquina". Acabo de ler o texto, mais ou menos programático, do grupo designado por "Autonomia XXI.14", oriundo de uma geração que se diz "inconformada", mas que há anos que se senta junto à mesa do orçamento, uma geração que, directa ou indirectamente, se curvou, aceitou, cantou hossanas, defendeu com unhas e dentes a linha de pensamento do "chefe(s)", discursou a plenos pulmões contra aqueles que, estes sim, INCONFORMADOS, assinalavam os erros políticos que estavam a ser cometidos, apoiaram a governamentalização da Assembleia Legislativa, limitaram (e de que maneira!) todas as comissões de inquérito, aprovaram orçamentos e ratificaram contas de gerência, negaram-se a qualquer actualização do Estatuto Político-Administrativo permitindo, entre outras, vergonhosas incompatibilidades, nunca refilaram contra as obras megalómans, nunca defenderam os homens e mulheres de ciência que chamaram à atenção para os atropelos sobretudo no campo ambiental, enfim, tudo chumbaram em nome de uma auto-proclamada "Madeira Nova" constituída por um "povo superior". 


Ora, é  esta gente que vendo o navio encalhado, vem falar de uma acção política "fundada em valores consistentes, capaz de trazer sangue novo e ideias frescas à Região" e de um novo ciclo económico e social. Desculpar-me-ão, mas "vão dar banho ao cão"! Só agora viram que o actual modelo é "frágil e inadequado” às necessidades regionais e “sujeito a recuos, indefinições e interpretações abusivas das matérias constitucionais”. Desculpem-me, mas "vão dar banho ao cão". Quantas intervenções ao longo de anos denunciaram exactamente isso? Quantos oposicionistas foram vilipendiados, insultados do que há de mais reles e ordinário? Quantas intervenções foram produzidas e logo abatidas pelos mesmos que agora assinam esse documento que, no essencial, retirando a questão da legalização da prostituição, é UM PLÁGIO conceptual do que já foi dito? Exemplos? Aí vão os que li...
Agora, sim, o hospital é prioritário? E a Região deve legislar no sentido de proibir que, directa ou indirectamente, possa deter participação no capital social de órgãos de Comunicação Social, tudo em defesa da liberdade de pensamento? A promoção turística com entidade única? Que é preciso que os cidadãos, as famílias, as empresas e as instituições da sociedade civil se empenhem e participem mais nas escolhas? Que é necessária uma gestão mais eficaz dos recursos existentes, sejam eles de natureza financeira, patrimonial, ambiental ou humana? Que a sustentabilidade deve ser meta (queriam dizer, certamente, objectivo) em todos os caminhos: no reforço da boa governação, na liberdade das pessoas, na efectiva responsabilidade individual e colectiva, na inclusão, no desenvolvimento integrado, na participação e/ou definição dos assuntos de interesse público, bem como na valorização da nossa identidade, através da protecção do nosso património ambiental e cultural e das nossas especificidades? Na nossa capacidade de ajudar quem precisa e de promover uma educação e uma saúde de qualidade, na gestão dos dinheiros públicos ou na assunção que é possível fazer melhor, com menos dinheiro disponível? Que sem sustentabilidade limitar-nos-emos, apenas, a empurrar os problemas para o futuro e para as próximas gerações, adiando o inadiável? Caros Senhores e Senhoras, uma vez mais, "vão dar banho ao cão"!
Como podem falar de cidadania, de competitividade, de repensar o actual modelo de gestão do Centro Internacional de Negócios da Madeira, como podem falar de conhecimento, de coesão e de identidade e património como factores diferenciadores no mundo globalizado, se toda, repito, toda a práxis política foi sempre de sentido contrário? Basta olhar para os resultados. Uma vez mais, "vão dar banho ao cão"!
O exercício da política tem de ser sério e honesto. Estas ideias, chamemos-lhe assim, são velhas e constam de vários programas de governo apresentados pela oposição. Por isso, são PLÁGIOS CONCEPTUAIS que deveriam envergonhar quem agora propõe. Mas percebo a agitação que vai a bordo. O navio onde habitam está a adornar cada vez mais, em vez de um capitão, já existem seis ou sete, há rombos por todo o lado e, no meio da confusão, enquanto o septuagenário político que pensa ser ainda "comandante" tenta aparafusar as porcas e parafusos que se soltam, os mais novos manifestam o desejo de se porem ao fresco numa baleeira pressupostamente segura. É tarde, muito tarde, o mar está agitado e vai também levá-los ao fundo! "Vão dar banho ao cão", pois aquilo que estão a fazer é uma INTRUJICE. 
Ilustração: Google Imagens.

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