terça-feira, 17 de junho de 2014

UMA EUROPA EM QUEDA LIVRE


Não sou especialista em assuntos europeus e, portanto, corro o risco de uma certa leviandade ao escrever sobre a Europa. Mas guiando-me pela sensibilidade e pelos sinais que qualquer um detecta, parece-me óbvio que a configuração desta Europa, nos vários domínios, não está para durar. 


Se os riscos de convulsão interna já eram evidentes, agora, depois das últimas eleições europeias, os próximos tempos serão de natural conflito. Entre os nobres princípios que nortearam a sua formação e aquilo que é oferecido aos cidadãos europeus, a diferença é abissal. Hoje, encontramo-nos todos espezinhados por directórios que mandam a seu bel-prazer, que determinam a vida dos Estados e dos seus povos, que, paulatinamente, impõem as suas directivas como se todos os outros não fossem Estados Soberanos. Quase deixamos de existir. Não é assunto novo. Tratou-se de uma construção perversamente "inteligente", lenta mas segura, com objectivos bem delineados de conquista e de esmagamento. Numa aproximação a Ben Baddikian (1994), embora outro fosse o contexto, "os senhores da aldeia global têm a sua própria agenda política e resistem a quaisquer mudanças económicas e sociais que não se ajustem aos seus interesses financeiros. Juntos eles exercem um poder homogeneizante sobre as ideias, as culturas e o comércio que afectam as maiores populações de que se tem conhecimento desde sempre. Nem César, nem Hitler, nem Roosevelt, nem qualquer papa tiveram tanto poder como eles para moldar a informação da qual tantas pessoas dependem para tomar decisões, sobre as mais variadas matérias: desde em quem votar até ao que comer (...)".
Estamos à beira do desastre e do conflito. Os povos estão a levantar-se contra esta Europa. O sentido de voto e a abstenção têm um significado muito evidente. O Euro, provavelmente, será sacudido e os silenciosos desígnios  da Alemanha serão combatidos. Olho para estes dirigentes europeus e vejo a mentira, a aldrabice, os interesses, a fuga para a frente, tal como a montagem fotográfica acima, um Barroso que é um zero, mas apostado numa Europa capitalista selvagem. Os próximos anos certamente que se instalará o conflito institucional. Aliás, coisa que Nigel Paul Farage, político britânico, já em 2011, não tivesse denunciado no Parlamento Europeu.

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