segunda-feira, 7 de julho de 2014

"ACORDEMOS MADEIRENSES" - UM ARTIGO DO PADRE JOSÉ LUÍS RODRIGUES


1. Este grupo de «sábios», «Autonomia XXI», formados e educados no bem bom da Madeira Nova, mas agora camuflados contra algumas coisas e pessoas dessa mesma Madeira, propõe a legalização da prostituição com o argumento falacioso da «saúde pública» e que pode contribuir «para a prevenção da transmissão de doenças pela via sexual, com particular preocupação em relação o HIV/SIDA». Soberbo argumento. Nada admira que estas propostas delirantes preencham o ramalhete de delírios que estamos a assistir nos tempos da autonomia perdida, perdida da cabeça e perdida de facto quanto à sua administração. Um desgoverno geral. Esta inteligência que se achega para pensar a organização política da nossa sociedade hoje e no futuro, não devia merecer qualquer atenção e devemos dar importância zero a delírios e absurdos patéticos que resultam na anedota nacional em que alguns que se acham donos disto converteram a nossa terra.


Estes mesmos que nos conduziram ao descalabro económico e social, que esgotaram todos os nossos recursos em megalomanias sem utilidade e que conduziram a maioria da população à pobreza e à emigração, consideram que o caminho mais fácil será legalizar o que não podem resolver com iniciativas de criação de emprego e com ajudas solidárias para a quem se vê sem nada para sobreviver. É o mínimo exigido por muitas famílias mergulhadas na penúria de alternativas que estamos assistir.
Eis o mais fácil... Pouco ou nada importa a degradação e miséria de uma pessoa que caia nas malhas da prostituição, nada mesmo importa que os eleitos devam tudo fazer para que ninguém tenha necessidade de vender o seu corpo para sobreviver. Não importa nada tirar as pessoas da miséria legal ou ilegal da prostituição criando oportunidades dignas de emprego ou mecanismos de solidariedade que libertem as pessoas da prisão infernal da prostituição e de outras misérias.
O pior de tudo isto é que a pretexto da doença o HIV/SIDA, aliás argumento populista, propõe-se o mais fácil exactamente como se tem feito noutras áreas, provocando atentados sem precedentes à democracia e à dignidade da vida e da pessoa humana. O aborto é um exemplo flagrante.
2. Pelo meio de tudo isto vamos à ridícula proposta de revisão constitucional, onde é referida a extinção do Tribunal Constitucional, a Comissão Nacional de Eleições e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Estas anedotas fazem sorrir as pedras e estão a ser um bom pretexto para que a nível nacional a Madeira seja motivo de chacota. E para acabar em grande o corolário não esquecemos a cereja sobre o bolo, a enorme anedota do “Deve e Haver” em 13 volumes resultando em 10 mil páginas da descoberta da Madeira até 1976. Sim, até este ano, porque pretenderam os contratantes desta «descoberta científica» demonstrar que dai para cá tudo foi realizado com nobre saber. A travessia do deserto acabou em 76. Daqui para diante eis-nos chegados à terra prometida, o paraíso. E assim demonstrando quem foi despesista gasta-se mais de meio milhão de euros. É obra.
3. Por este andar das coisas, onde iremos bater? - À legalização do suicídio, que assume entre nós proporções alarmantes, à legalização do direito à gravidez na adolescência que vai revelando ser um problema gravíssimo para muitas famílias, principalmente, as mais pobres, à legalização da violência doméstica de que só sabemos da missa a metade, porque a verdadeira deste drama social só as paredes sabem da sua real dimensão... Os problemas, os dramas sociais são tantos que urgem medidas imaginativas concretas de quem já tenha funções governativas ou a elas ambicione, mas que não sejam nunca pelo mais fácil, isto é, que faça esconder e esquecer a miséria do sofrimento que cada uma destas situações implica e chega de uma governação do gato escondido com o rabo de fora.
Tudo isto até podia ser interessante para rirmos alguns momentos para nos aliviar um pouco destes tempos de desoladora depressão, mas deve antes fazer-nos pensar o quanto estamos entregues a uma elite de irresponsáveis, desmedidos nas palavras e nos gastos que cada loucura destas implica.
Madeirenses, acordemos! Não permitamos mais este achincalhamento nacional à conta de meia dúzia que se considera iluminada e insubstituível. Devemos democraticamente colocar na devida ordem quem ainda assim pensa e mais ainda deve ser lembrado que gente desta estirpe estão os nossos cemitérios cheios.
NOTA
Artigo de opinião, da autoria do Senhor Padre José Luís Rodrigues, publicado na edição de ontem do DN-Madeira. 

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