quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A VERDADEIRA GERAÇÃO POLÍTICA


Nunca tive dúvidas que a actual situação política deve-se única e exclusivamente aos próprios protagonistas políticos que, com os seus discursos demagogos descredibilizam - diria mesmo, envergonham - aqueles que, sendo uma minoria, procuram trabalhar de forma séria em prol das populações que representam. Mas a tendência é sempre, ou quase sempre, generalizar. Por isso sempre defendi e continuo a defender que determinados pseudo líderes partidários não têm condições para se afirmarem como alternativa no atual panorama político regional, por terem convictamente demonstrado ao longo dos anos serem simples “políticos de ocasião” - aqueles cujos princípios e valores variam de acordo com a ocasião e com aquilo que lhes é mais conveniente para servir os seus próprios interesses. É este tipo de políticos que demonstra o estado de putrefação em que encontra a classe política regional. A questão é que prometer não basta. Têm de ser exemplares, têm de ter coluna vertebral. 


E aquilo que eu mais vejo a cada dia que passa é um bando de invertebrados que, de manhã defendem uma coisa, e à tarde defendem outra completamente diferente. Ou seja: a) suponhamos que um bando de políticos (supostamente liderado por um “político de ocasião”) vai a correr a Lisboa defender convictamente a realização de primárias em setembro, mas chegam à Madeira e dizem que cá, primárias nunca, em situação alguma(!). Aqui, todos opinaríamos, certamente, que falta coerência a este bando de patos mansos, e todos sabemos que a coerência é fundamental para consolidar a imagem de confiança e seriedade que se pretende de um político à séria; supondo que esta falta de coerência acontece, é certo e sabido que esta “falta de” não permite, face ao nível de competência e credibilidade destes “políticos de ocasião”, que se auto proclamem alternativa ao que quer que seja. b) suponhamos que estes “políticos de ocasião” decidem ser coerentes: impõe a lógica que, uma vez defendidas as eleições primárias no plano nacional, passariam a defender, também para a Madeira, a realização de primárias para definir quem deveria ser o representante do Partido numa candidatura às eleições regionais. Neste cenário, sem esconder-se por detrás de uma qualquer árvore sem Ramos, deixariam a descoberto aquilo que realmente são, e o que não são hoje, nem serão amanhã: a verdadeira geração política capaz de protagonizar a alternância democrática de que todos precisamos como de pão para a boca e que tarda em chegar.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
Artigo publicado na edição de hoje do DN-Madeira, aqui reproduzido com a devida vénia.

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