quarta-feira, 20 de agosto de 2014

DIA DA CIDADE DO FUNCHAL


Amanhã, 21 de Agosto, a Cidade do Funchal, comemora mais um aniversário. Eu diria um aniversário marcado pela "MUDANÇA" política que ocorreu nas últimas eleições autárquicas. Decorre daí que este elenco governativo está, portanto, em funções, há pouco mais de dez meses. É público que os primeiros meses não foram fáceis. Eu próprio assumi uma posição que, certamente, não agradou, mas perante a turbulência, em tempo real, foi o que me ocorreu como o melhor para a cidade. Não quero discutir situações passadas, sobretudo porque não domino a totalidade do processo e, quando assim é, o melhor é deixar o marfim correr. O grande balanço só deverá ser feito mais próximo do final do mandato. Recordo-me, por exemplo, em 1994, passados poucos meses da tomada de posse, o chinfrim que foi quando o Prof. Virgílio Pereira (PSD), eleito presidente, deixou a Câmara depois de um insanável conflito com o presidente do governo! Tudo porque este disse publicamente ao autarca eleito que era preciso saber governar sem dinheiro. E em 1994 a dívida da Câmara do Funchal eram trocos relativamente aos mais de 90 milhões de euros com os quais se confronta o actual executivo. O Prof. Virgílio foi embora, aí sim, num processo que deveria ter conduzido a eleições intercalares. Porque estava em causa o presidente! 


Tudo isto para dizer que, apesar de alguma turbulência inicial, a Câmara do Funchal tem funcionado e quanto a mim bem. Não é fácil geri-la e administrá-la, ainda por cima, com a dívida que transitou do anterior elenco (PSD). Podem justificar como quiserem, podem assumir que ela sempre esteve controlada, que essa dívida é de médio e longo prazo, a verdade é que a dívida existe e coarcta quaisquer hipóteses de colocar em prática projectos mais ambiciosos. Ainda assim alguns têm sido levados à prática, sobretudo no campo social, o que é motivo de alegria. Mas, dez meses não dão para conhecer a Câmara de alto a baixo. Foram 38 anos de hábitos e rotinas e quebrá-los em função de uma nova leitura da cidade em todos os sectores, áreas e domínios, convenhamos que não é fácil. Ainda por cima com uma gravíssima limitação financeira e com um governo regional de relação muito difícil. Um governo que se esquece que, no Funchal, vive praticamente metade da população da Madeira.
Por outro lado, não que à opinião não tenham direito, mandaria o bom senso que os que por lá passaram com funções executivas tivessem posições comedidas, porque sabem o que fizeram e como deixaram a autarquia. Uma coisa é ser oposição e, entre outras funções, fiscalizadores dos actos do executivo, outra bem diferente é a crítica vã, sem sentido, ainda por cima com propostas que nunca conseguiram levar à prática. Quando os telhados de vidro são muitos, seria aconselhável um certo decoro e recolhimento. Atente-se, por exemplo, a um outro nível, o que têm dito uns dos outros, os candidatos à liderança do PSD. E não só esses. O anterior vereador, Dr. Pedro Calado (PSD) ainda hoje escreveu um artigo no DN subordinado ao título "O verdadeiro estado do PSD-Madeira". Apenas um excerto: "Começa a ser indiscritível o que se passa dentro do actual PSD-M. Depois de décadas de governação, com o poder absoluto (...) Se há coisas que a população reconhece, sabe e já não compra, é o oportunismo político, fácil e barato. A social-democracia precisa urgentemente de uma mudança radical, rápida, consistente e inteligente, com estratégia, determinação e vontade de construir, desenvolver e olhar pela sociedade, pela sua economia, numa gestão social e sem oportunismos pessoais e políticos". Perante isto que, aliás, não traz nada de novo, apenas confirma, há que esperar que os próximos três anos, com todas as dificuldades de permeio, o actual executivo da Câmara do Funchal, liderado pelo Dr. Paulo Cafôfo, saiba POLITICAMENTE, dar o safanão que esta cidade precisa, agora sim, "DE ALTO A BAIXO". Que não é fácil, sublinho. 
Ilustração: Google Imagens.

1 comentário:

Anónimo disse...

A estratégia do dr. Paulo Cafofo para a cidade do Funchal resume-se a isto: não quer voltar a dar aulas aos pequenos do Campanario. Caro professor Escorcio, conheço-o a si muito bem e tenho imensa pena que à frente dos destinos da cidade não esteja alguém com o seu conhecimento, visão e honestidade. Quanto a este autarca, o tempo, esse grande mestre, há-de revelar o que vale e quem serve.