quinta-feira, 23 de outubro de 2014

OS QUE AINDA VÃO NASCER QUE PAGUEM AS OPÇÕES TRESLOUCADAS DO GOVERNO REGIONAL


O DIÁRIO colocou em título: “Governo adia calotes até ao ano 2034”. O secretário Ventura Garcês reagiu: “(...) Ou terá de ser apenas a geração actual a pagar todas as infra-estruturas que ficam para as gerações vindouras? (...)". Falou, portanto, de "custos inter-geracionais relativamente aos pagamentos de 68 empreitadas e de pelo menos cinco acordos de regularização de dívidas a empresas de construção. Espantoso! Eu, tal como a esmagadora maioria dos madeirenses e portosantenses, que nunca deu um passo superior à perna, questiono de forma muito simples e directa: o Dr. Ventura Garcês, na sua vida familiar, fez alguma vez investimentos para serem suportados pelos filhos, netos e bisnetos? 


Mas que argumento esse, de responsabilizar quem nada teve a ver com as opções tresloucadas de hoje? Senhor Dr. Ventura Garcês, a questão central designa-se por PLANEAMENTO. E esse planeamento deveria ter envolvido vários princípios do DESENVOLVIMENTO. Enumero, alguns: o princípio da prioridade estrutural, da transformação graduada, do equilíbrio, da integração, da coerência, da participação, da globalidade e da optimização dos meios, entre outros. E cada um destes princípios tem um conceito que não cabe aqui explanar. E sabe o Dr. Ventura Garcês quais as vantagens que justificam a existência do planeamento? Vou, humildemente, dizer-lhe algumas: exactamente para ter um controlo sobre o futuro, ter capacidade para diagnosticar as situações, uma visão de conjunto sobre os problemas, a detecção antecipada dos problemas, a intervenção na causa dos problemas, evitar situações isoladas e desarticuladas, a determinação das prioridades,a obrigatoriedade de trabalhar por objectivos, a integração das políticas sectoriais nas políticas gerais e a coordenação da gestão corrente.
Percebeu, Senhor Secretário? Aprendi isto na Faculdade já tem muitos anos!
O que se passou foi que o planeamento não existiu no tempo das "vacas gordas". "Planeavam" no adro das igrejas à saída das Missas, porque o que contava era a eleição seguinte e não a geração seguinte. O Senhor sabe que foi e é assim. Portanto, a sua atitude de atirar para os vindouros, para os que ainda não nasceram, a irresponsabilidade política dos sucessivos governos PSD, que têm origem no século passado, é, no mínimo, abusiva e, politicamente, escandalosa.
Ilustração: Google Imagens.

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