quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"TONELADAS DE FOME"


"Toneladas de Fome" foi o título do DN-Madeira em uma das suas últimas edições. Título sugestivo e que caracteriza bem a realidade social da Madeira. Não apenas a Madeira profunda, mas aquela que se esconde bem perto de nós, por ruas, becos, caminhos e impasses. Só quem milita nessas múltiplas associações de solidariedade é que tem noção da realidade que dói. Como foi possível chegar aqui, a esta montanha de dependentes, de milhares que vivem de forma infeliz sem possibilidades de olhar com esperança para o futuro? Isto, enquanto por aí andam outros fazendo milhões, borrifando-se para a realidade social, entretidos com disputas de poder que ignoram tantas realidades duras de contínuo sofrimento familiar. Li: "(...) As quatro maiores instituições de solidariedade social recolheram, entre Janeiro e Outubro deste ano, 716 toneladas. A ajuda alimentar distribuída dá uma média de 2,7 quilos por madeirense (...) 716 toneladas "que vão chegando para matar a fome a mais de 34 mil pessoas". Mas a pobreza não se queda pelas 34.000 que necessitam de apoio imediato, pois os estudos reflectem que a pobreza atinge mais de 30% dos madeirenses.


Qualquer pessoa não fica insensível a esta dura realidade. A grande obra no ser humano foi secundarizada pela obra da construção civil. Hoje temos, porque falhou o planeamento geral e sectorial, infraestruturas, algumas megalómanas, que não servem as prioridades, encargos assombrosos com a sua manutenção, enquanto crescem as bolsas de pobreza e a concomitante emigração. Os senhores responsáveis por isto passeiam a sua impunidade, porque, dizem, cumpriram o programa e o mandado concedido pelo povo! O drama é que a Região já está a pagar os custos da leviandade política e continuará a pagar com juros, a falência de uma parte da sua juventude que hoje vive em privação.
Ilustração: Google Imagens.

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