segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ALBERTO JOÃO JARDIM É UM "LÍDER" FRACO. É MAIS "CHEFE" QUE LÍDER!


O espectáculo público pelo poder interno do PSD-M está cada vez mais interessante. O texto do Dr. Miguel de Sousa, hoje publicado na página de opinião do DN-Madeira, a par de outros tantos, constitui a manifestação clara que Alberto João Jardim sempre foi um líder fraco. Politicamente foi um "chefe" nunca um líder político. Foi um homem que pensou na eleição seguinte e nunca na geração seguinte. Foi um político forte com os mais fracos e extremamente fraco com os mais fortes. O texto de hoje começa assim: "Cunha e Silva, em 10 de Abril, prometeu “mudar o que deve ser mudado”. Manuel António Correia, em 2 de Dezembro, diz “mudar aquilo que deve ser mudado”. A diferença é “aquilo”. Igual é tudo o resto. A falta de coragem em identificar e enunciar o que está mal e tem de ser mudado urgentemente, dadas as suas responsabilidades directas nestes últimos 14 anos de governação. Dizer o que deve ser mudado implicava reconhecer o que está errado. Era acusar o seu próprio governo das muitas más decisões e dinheiro mal gasto, perdido e pago pelos contribuintes. Não têm essa categoria. Ao contrário, andam por aí como “inocentes” da maior catástrofe financeira da História da Madeira, quando são os seus maiores e mais directos responsáveis: os que nos levaram ao Inferno da dívida sem que os seus investimentos sirvam seja lá para o que for. Campo de golfe da Ponta do Pargo (35 milhões nem para golfe nem para nada), marina do Lugar de Baixo (120), lagoa Santo da Serra, central de lixo no Porto Novo, centros cívicos, piscinas, restaurantes, bares, parque aquático, as bioalgas no Porto Santo (conhecidas pela fábrica do caldo verde), obras inacabadas, etc. Sem pudor ainda andam naquela de fazer adjudicações só para enganar as pessoas, como se elas fossem parvas e ainda dessem credibilidade a qualquer iniciativa desses dois cavalheiros, quais “anjos da morte” do nosso dinheiro. Prometem, em vésperas de eleições, construir a Escola Secundária da Ribeira Brava (já devia estar concluída e a funcionar) e traíram a promessa de construção de uma escola nova em Porto Santo. Isto é uma pouca vergonha. Até já nem o Secretário da Educação fala. Temos de acabar rápido com isto. A Madeira não aguenta mais asneiras. É o povo que paga. Não são eles! (...)".


Em outras ocasiões, outros, nem dizendo 5% do que este candidato assume, foram postos a andar num ápice. Rua, foi a sua palavra de ordem. Com este, Alberto João Jardim amocha. Assobia para o lado como se nada tivesse a ver com aquilo. O "chefe" encolhe-se. Faz de conta que as palavras pertencem à oposição, tantas foram as vezes que os partidos equacionaram e chamaram à atenção para as loucuras megalómanas do governo chefiado por Jardim. Ora, se ele, Jardim, não enfrenta o candidato, a pergunta que ressalta exprime-se em uma única palavra: porquê? Que razões o levam ao silêncio? Tem medo de quê? Que saberá o candidato, que já foi vice-presidente do governo e secretário e ainda é vice-presidente da Assembleia Legislativa, para levar Jardim a preferir falar do tempo e não dos erros da sua governação, agora denunciados, não pela oposição, mas por um dos mais significativos elementos da estrutura hierárquica social-democrata? Nem um pio! Engole em seco e discursa no mesmo tom de há quase quarenta anos. Os "chefes" são normalmente assim, escouceiam para baixo e têm medo de quem os enfrenta. Os líderes, esses, têm uma outra configuração, impõem-se pelo exemplo, assumem e responsabilizam-se pelos erros, não intimidam, antes acalmam, não chutam para longe os problemas, antes focalizam-se nas soluções, são pessoas que sabem delegar, não chamam a si todos os êxitos, antes repartem com a equipa, não discursam no singular, antes no plural, os líderes, enfim, são pessoas autênticas que, pelo exemplo, são capazes de produzir outros líderes. Jardim não conseguiu nada disto. Foge a sete pés de Miguel de Sousa, como durante anos fugiu da Assembleia Legislativa e dos debates na televisão ou na rádio. Sempre teve pés de barro. 
Li em David Cohen, as paranóias das organizações (os partidos são organizações), isto é, as doenças organizacionais que acabam, por aproximação ao exercício da política, por afectar o povo, destroem a moral dos colaboradores (militantes) e podem ser a raiz para a destruição da liderança e para o desmantelamento de uma organização: o comportamento frenético, a depressão, a depressão frenética, a esquizofrenia, a paranóia, o comportamento neurótico e a intoxicação. Cohen sugeria que, neste quadro, colocassem a empresa (o partido) no divã, pela desordem, o caos e a falência. Por isso, a pergunta persiste: que medo(s) persegue Jardim?
Ilustração: Google Imagens.

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