domingo, 1 de fevereiro de 2015

A RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA


O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, afirmou que o novo governo grego não reconhece a 'troika' como interlocutora válida nas negociações sobre o programa de resgate à Grécia. Segundo Varoufakis, a Grécia quer dialogar com a Europa, mas não com a 'troika', que inclui Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, credores do país. E pronto, clarinho como água da nascente, finalmente, aparece alguém a falar grosso com os especuladores. Em Portugal, passa-se precisamente o contrário, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, agacha-se e assume que não apoiará a iniciativa do novo governo grego para a realização de uma conferência europeia para a renegociação da dívida. "Não estarei do lado de nenhuma conferência que seja para perdoar a dívida ou reestruturar a dívida à custa dos povos europeus, isso é claro, muito claro". 

Ministro das Finanças da Grécia

Sinceramente, espero que o País lhe dê a resposta no momento certo. E pelo andar da carruagem tê-la-á. Ele e todos quantos acompanham a sua política ao serviço de interesses que não são os verdadeiramente nacionais. A fúria privatizadora, a teimosia em não querer renegociar, quando este constitui um acto absolutamente normal entre o devedor e o credor, o posicionamento obcecado que mais vale espremer o povo até ao tutano, do que criar condições que permitam solucionar compromissos sem recorrer à pobreza compulsiva, tudo isto terá um fim trágico. Os povos aguentam até um limite, a partir do qual são capazes de levar tudo à sua frente. A posição dos gregos, a recente manifestação em Madrid do "Podemos", o crescimento do descontentamento dos franceses, o que se está a passar em Itália, enfim, há indicadores mais do que suficientes para que esta Europa comece a demonstrar juizinho. E isto já não vai com ameaças da Senhora Merkel e quejandos, vai com diálogo e mudança de políticas. Sinceramente, deu-me um extraordinário gozo ver o ar sorridente do ministro das finanças grego, como quem diz, "não nos enganam mais", face ao semblante irado do presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem. 
É óbvio que as dívidas devem ser pagas, mas também necessário se torna perceber e aceitar que a crise que dura há mais de cinco anos, foi "fabricada" e teve origem externa. Que os povos não viveram acima das suas possibilidades, que há países que devem corrigir muitas das suas políticas internas, obviamente que sim, mas que não devem ser espezinhados pelos movimentos de especuladores, também me parece óbvio. Sinto, por isso, que há uma tendência para dizer ACABOU, permitam-me a expressão: acabou a mama. E, com todos os custos que tal possa vir a acontecer, se necessário for sair do Euro que se saia. Os pobres não perderão nada com isso. E nós somos um país pobre, roubado e espoliado por indivíduos sem vergonha. Como aquele "pateta" do FMI que, há dias, até sobre o miserável salário mínimo nacional deu-se ao luxo de criticar que não vamos no bom caminho por ter sido aumentado uns míseros euros!
Quem sou eu para aconselhar leituras, mas o livro "A Solução - Novo Escudo", dos Doutores Francisco Louçã e João Ferreira do Amaral é muito claro sobre esta situação: "Ambos reconhecemos que, por imposição externa ou por imperativo de escolha nacional, a saída do euro pode vir a ocorrer em prazos porventura curtos". O que lamento é que tenhamos uma dupla Passos Coelho/Paulo Portas que nem o benefício da dúvida concedam. Vamos todos pagar caro por isso. Os vários actos eleitorais ao longo de 2015 serão determinantes.
Ilustração: Google Imagens.

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