terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

PROTOCOLO É UMA COISA, JANTAR, OUTRA!


A Senhora Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal estará na Madeira em visita de trabalho. Óptimo, porque há muito a ver e apreciar relativamente aos serviços do Ministério Público na Região. Trata-se, portanto, de uma visita de trabalho, repito. E embora as regras protocolares devam ser respeitadas, há que não esquecer que a Procuradora ocupa o 10º lugar na lista de precedências, enquanto o Presidente do Governo Regional o 15º lugar nessa listagem do protocolo do Estado Português. Porém, justifica-se que a Drª Joana Marques Vidal, por cortesia, seja recebida pelo Presidente da Assembleia Legislativa e, depois, pelo Presidente do Governo Regional. Nunca ao contrário! O que já não é aceitável é que o Presidente do Governo, segundo noticia o DN-Madeira, ofereça um jantar, na Quinta Vigia, em honra da responsável máxima da hierarquia do Ministério Público.


Nem é a Assembleia Legislativa, enquanto primeiro órgão de governo próprio a ter essa iniciativa, mas o órgão executivo presidido por Alberto João Jardim. Isto numa altura que decorrem investigações no processo designado por "Cuba Livre" e que envolve alegadas suspeitas sobre membros dos governos por si liderados. 
Enquanto cidadão preferia ver a Senhora Procuradora distante desses ambientes. A história da "mulher de César...". Uma coisa é o protocolo, outra a convivência à mesa de jantar. Espero que os arguidos de tal processo não estejam sentados lado-a-lado com a Senhora Procuradora. Mas se tal acontecer, sinceramente, não ficarei espantado. Alberto João Jardim é, politicamente, hábil e provocador, tantas as vezes já o demonstrou!
Jantares que têm servido para salamaleques, discursos de circunstância, elogios e para a entrega de "lembranças". Espero que não sirva para amolecer o que cada órgão tem por missão fazer. Aliás, há momentos que se justifica um jantar de boas-vindas, em outros, por diversas razões, directas e indirectas (há uma investigação em curso) a imagem de independência deveria ser totalmente preservada, não querendo com isto dizer que a Senhora Procuradora da República seja influenciável. Mas que não deveria se expor a leituras colaterais, parece-me óbvio. No mínimo, deveria saber o que a casa gasta!
Ilustração: Google Imagens.

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