domingo, 15 de fevereiro de 2015

COM MIGUEL ALBUQUERQUE O DESEMPREGO CRESCERÁ


Em entrevista ao Económico TV, o candidato do PSD, Miguel Albuquerque, a propósito da tão badalada "reforma do Estado" disse muito claramente: "(...) Não deve haver ilusões" (...) "É despedir funcionários públicos, não vale a pena estar com ilusões, 78% da despesa do Estado é com pessoal". Para o candidato do PSD-M, o Governo da República devia ter criado um fundo ou uma bolsa fora do quadro do Orçamento do Estado para pagar os despedimentos e nessa altura "tirava 10, 15, 20, 30, 40 mil pessoas" e fazia a reforma do Estado. Entretanto, o seu secretário-geral divulgou um comunicado que nada desmente, pelo contrário, por outras palavras confirma. E com a subtileza que se trata de uma medida "que não será aplicada na Madeira". Como se a Autonomia ainda existisse e como se, face às conhecidas fragilidades económicas e financeiras, Passos Coelho/Paulo Portas não obrigassem a uma aplicação na Região. Numa aproximação à "batalha naval", o que Miguel Albuquerque disse corresponde a um tiro certeiro em um submarino!


Miguel Albuquerque ao invés de falar de mudança na política económica visando a criação de empresas e de trabalho, fala de despedimento, quando ele sabe, ora se sabe, o que resultou do despedimento de médicos e de enfermeiros (sistema de Saúde), de professores (sistema Educativo), da não contratação de funcionários no sistema de Justiça, enfim, em todos os sectores da actividade da Administração Pública. Os dados estão aí e não vale a pena ignorá-los. Dir-se-á que lhe fugiu a língua para a verdade que alimenta o seu pensamento. E há quem vá nisto. 
Ora bem, o Dr. Miguel Albuquerque tem um "professor" que se chama Passos Coelho. Existe ali um indesmentível cordão umbilical, umas algemas e uma pulseira electrónica que acabam por definir que o caminho da Região é o caminho do País. Ponto final. Tudo o resto é paleio, são fait-divers, são visitas de circunstância aqui e ali para tentar, repito, tentar, dizer que isto agora será diferente. Com ele, não será. Aliás, não se sabe o que Albuquerque pensa das políticas para o sistema de saúde, sistema educativo, sistema empresarial, para o sistema social de combate à pobreza que alastra, do facto da Madeira ter mais instituições de solidariedade social do que freguesias, sobre o que fazer aos 22.000 desempregados, sobre as questões ambientais, sobre as políticas de agricultura e pescas, sobre a dupla austeridade, sobre a gravosa política fiscal, sobre a dívida criada pelo seu partido no governo, superior a seis mil milhões, em síntese, qual o seu pensamento estratégico que arranque a Região da falência em que se encontra. O que é público é que o piano toca a mesma música. Os dedos procuram os mesmos sons. E não é depois das eleições que estes assuntos devem ser conhecidos. Como Passos Coelho o fez, dizendo uma coisa antes e fazendo o seu contrário após o acto eleitoral. Andar de concelho em concelho em visitas para a fotografia é chão que deu uvas. De todos espera-se que digam o que pensam e que se comprometam, porque isto já não vai com campanhas de beijinhos. 
Ilustração: Google Imagens.

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