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quinta-feira, 12 de março de 2015

A INVENTONA ALBUQUERQUE


"Ontem a Madeira acordou feliz porque o IV regime do CINM tinha sido aprovado e com ele uma nova esperança para a economia da RAM emergia. Foi por pouco tempo. Logo na primeira conferência de imprensa, a entidade privada que gere o CINM, através do, mais que óbvio, Francisco Costa, surgiu sentado ao lado de Ventura Garcês (para quem se esqueceu, foi o Secretário Regional do PSD-M que ajudou a esconder 2000 facturas num montante extraordinário de 1200 milhões de euros) para centrar o discurso num emaranhado de propaganda política para angariar votos para o dia 29 de Março. Pergunta-se. Se a ideia era uma conferência de propaganda, o que fazia por lá num tom que tem tanto de sorumbático como de aproveitamento, Francisco Costa. Eu explico.


Na ausência de comunicados pagos para inventar bodes expiatórios, perante o fracasso da sua gestão, como muito bem tem lembrado o deputado do PSD-M Miguel de Sousa, o representante de um dos maiores grupos empresariais da RAM, mas ao mesmo tempo, beneficiário directo na matéria, faz o seu caminho para impedir a natural e necessária regionalização da SDM. Como se diz por aí, faz pela vida. Mas connosco não! Defendemos que é preciso libertar a Madeira do interesse privado que tem condicionado o CINM, enquanto poderoso instrumento de criação de emprego e diversificação da economia. Esta medida que defendemos é, ao mesmo tempo, higiénica, porque assegura que a orientação da política fiscal fica nas mãos da Região, como devia ter sido, mas também de salvaguarda, porque evita futuros erros de irresponsabilidade graves, como a leviandade que retirou mais de 1000 milhões de euros à Madeira, pela insensatez de ignorar os efeitos da Zona Franca no PIB da RAM.
Mas como uma má noticia nunca vem só, a cereja em cima de um bolo completamente escangalhado, chegou no inicio da tarde de ontem. O candidato do PSD-M a presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, a propósito deste tema e na ânsia de cavalgar os resultados do CINM, optou por mentir aos madeirenses.
Inventou uma história da carochinha, de uma hipotética negociação com Bruxelas, dura e longa, numa fantasia interminável. Mais acrescentou que, se não fosse o apoio do seu fiel amigo e homem de confiança Passos Coelho, os resultados não teriam sido tão bons (como efectivamente foram, sublinho eu!). Foi Sol de pouca dura este ensaio de propaganda primário. Umas horitas depois, o porta voz da Comissão Europeia, desmente Albuquerque, Passos, José Manuel Rodrigues, Paulo Núncio e por aí fora, num cortejo deprimente de mentirosos oportunistas. Afinal, a Comissão não aprovou nada, porque na sequência de uma alteração legislativa (ao Regulamento Geral de Isenção por Categoria) ocorrida em Junho de 2014, no quadro europeu, a Comissão não tinha de aprovar. Ora, se não tinha de aprovar, se era uma decisão do país, resta uma certeza e uma pergunta. A certeza é, que não existiram negociações porque nada foi aprovado; a pergunta é, porque razão o Governo do PSD e CDS levou 8 meses a decidir por esta importante solução, que esteve disponível a partir de Junho do ano passado, permitindo que o CINM fosse seriamente prejudicado, optando por fingir negociações com Bruxelas?
Termino lembrando que os madeirenses estão fartos de mentiras e este comportamento que alguns políticos insistem em manter, é o caminho para onde não devíamos voltar".
NOTA
Artigo de opinião, da autoria do Deputado Carlos Pereira (PS), publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

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