terça-feira, 3 de março de 2015

HOMENAGEAR O POLVO


O candidato Dr. Miguel Albuquerque, segundo a comunicação social, deu início a uma volta aos concelhos da região para homenagear actuais e antigos autarcas eleitos pelo PSD nos 40 anos de hegemonia ‘laranja’. Trata-se de um “diploma de reconhecimento e de gratidão". É óbvio que há muita gente boa na política, pessoas que deram e dão muito do seu tempo pela causa nobre do exercício da política, no âmbito da solução dos problemas das populações. Mas ao lado destes, sabe-se, pela prática política, que uma grande parte esteve ao serviço de uma organização que gerou desequilíbrios no crescimento e no desenvolvimento, que não respeitou os instrumentos de planeamento, gerou monstruosas dívidas, reiteradamente chumbou propostas da oposição reclamadas pelo povo, geraram medo nas pessoas e silenciaram-se, também, com medo da hierarquia. E o candidato, ontem, foi homenagear esse polvo paulatinamente criado pelo jardinismo.


No limite chegará a altura do concelho do Funchal, onde o agora líder, ex-presidente da Câmara, terá o mesmo comportamento perante aqueles que descaracterizaram a capital, suspenderam o PDM para legitimar erros cometidos e deixaram noventa e muitos milhões de dívidas. Estou esclarecido. O candidato homenageia o jardinismo e quem o homenageia não tem legitimidade para falar em "renovação". Talvez melhor slogan, porque mais esclarecedor, deveria ser "renovação na continuidade". No essencial, umas pinceladas de fresco, um discurso aparentemente mais respeitável, mas aquilo que constitui o cerne da política continuará exactamente igual. Os interesses são demasiado óbvios, o polvo é demasiado extenso e a apetência pelo poder, grande ou pequeno, torna-se inebriante. 
Ilustração: Google Imagens.

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