sábado, 14 de março de 2015

O POVO TEM RAZÕES DE SOBRA PARA DAR LUGAR A UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS


Chega! É demais, 40 anos sempre com a mesma gente a governar. As mesmas atitudes, os mesmos comportamentos, os mesmos tiques e os mesmos alinhamentos. Quatro décadas depois, baralharam e tentam dar de novo, só que as cartas são as mesmas, velhas e conhecidas. De tão antigas que, pelas costas, se conhecem os reis, os valetes, as damas e os ases! Chamam a isto "renovação" quando na fila estão todos ou quase todos os que sempre apadrinharam os erros. A maioria deles viveu no silêncio, foi incapaz de cortar a eito, de dizer o que pensa, e através de simples actos de cidadania e de independência, colaborar com uma alternativa política. Os que passaram pela Assembleia, no hemiciclo, foram mansos, tolerantes, aplaudiram e engoliram em seco tudo o que o "chefe" ordenava, ao mesmo tempo que, cobardemente, ofendiam pessoas de grande dignidade. Tiveram medo da sua própria sombra. E muitos deles estão novamente na fila. Outros, por fora, perto do gamelão, pacientemente, souberam esperar pela sua hora. Foram escrevendo e publicando umas coisas, exactamente no sentido de fazer caminho aos seus mais profundos interesses, sem nunca colocarem em causa o essencial. Foram, ao mesmo tempo, independentes e dependentes. Pareciam socialistas e até democratas-cristãos, mas a hipótese de uma onda favorável fê-los venderem-se às circunstâncias. Diziam mal pelas esquinas, nas mesas de café e nas tertúlias, mas vergaram-se pondo de lado princípios e valores que diziam defender. Assunto que não é novo. Quantos ditos "esquerdistas" nos idos anos 70 (e até antes) "emendaram-se" vendendo a alma ao diabo! Chega! Basta de hipocrisias e de comportamentos que visam legitimar quem conduziu a Madeira à ruína. Directa ou indirectamente esta auto-proclamada "renovação" esteve lá, comeu o que o sistema proporcionou, curvou-se, andou entre os pingos de chuva e nunca se lhes ouviu uma posição frontal, uma denúncia face às megalomanias que estão a custar uma dupla e penosa austeridade.


Não me afasto um milímetro desse objectivo maior e esse é o de quebrar 40 anos de jardinismo e de sucessores absolutamente jardinistas, embora travestidos como convém. Estão lá todos reunidos, com algumas sensíveis quezílias na disputa dos lugares, pasme-se, mesmo antes do acto eleitoral, ávidos por um lugarzinho ou pela manutenção do lugarzinho. Tenho respeito pelas pessoas, mas não me peçam respeito político por pessoas que nunca se deram ao respeito político. Gente que esteve nas tintas para os instrumentos de planeamento, que chumbou válidas propostas dos seus opositores, na Assembleia e nas autarquias, condescendeu com os ataques miseráveis a todos aqueles que levantavam a voz da denúncia, que nunca se lhe ouviu uma posição sobre a ilegitimidade do Jornal da Madeira e que se encolheu perante a utilização dos meios públicos para fins eleitorais. Basta ler "Jardim a Grande Fraude" para se perceber a extensão do jardinismo que é muito maior que o seu criador.
Ambiciono um governo para as pessoas e não para as referidas "negociatas". Esta terra existe há mais de 500 anos. Todos os insubstituíveis morreram. Há que dar lugar a uma geração de políticos que não faça do exercício da política uma profissão.
Ilustração: Google Imagens.

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