sexta-feira, 6 de março de 2015

PARCEIRO SOCIAL OU PARCEIRO PARTIDÁRIO?


Todos sabem que não há almoços grátis. O que gostaria de perceber é o que leva um presidente do sindicato da Função Pública, Dr. Ricardo Gouveia, aceitar um almoço na Quinta Vigia para exprimir, segundo o DN-Madeira, "o sentimento de gratidão de toda a população (de toda a população?) por aquilo que foi a governação do presidente do Governo, no cargo desde 1978 e agora de saída. Ricardo Gouveia foi ainda mais longe revelando que o Sindicato considera Alberto João Jardim "uma das principais figuras, se não a principal figura depois da época dos Descobrimentos por aquilo que fez". Espantoso! Quando um sindicato assume uma posição destas parece-me óbvio que deixou de ser um parceiro social para tornar-se num parceiro partidário. 


A curiosidade levou-me a abrir o sítio da Internet do respectivo sindicato. Leio: "Os trabalhadores não são culpados da crise. Já pagámos mais do que devíamos. Basta de ataques ao salário e trabalho" e "Contra a austeridade cega e destruidora do trabalho". Em que ficamos? Não será a Região da Madeira AUTÓNOMA e responsável pelo desastre que é a sua economia? Responsável pelos altíssimos níveis de desemprego, pelas carreiras congeladas, pela supressão do subsídio de insularidade, pelo vergonhoso formato da avaliação de desempenho? Responsável pelo PAEF? Para que serve a Assembleia Legislativa da Madeira? Apenas para adaptar e mal a legislação nacional? Conhecerá o sindicato o descontentamento entre professores, médicos, enfermeiros, funcionários da Justiça e trabalhadores em geral que servem a função pública?
Os elementos de cada sindicato podem ter as opções partidárias que quiserem e entenderem, mas isso não deve implicar com a "independência em relação às entidades patronais, Estado, partidos políticos ou quaisquer organizações de natureza política, partidária ou religiosa", tal como é referido nos princípios orientadores constantes no texto de apresentação da página no referido sítio da internet. Em que ficamos? Que pensarão os associados? É que não basta ser sério... têm de parecer! E por aqui fico.
Ilustração: Google Imagens.

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