terça-feira, 21 de abril de 2015

PORTUGAL NÃO É UM PAÍS AMIGO NEM DAS CRIANÇAS NEM DOS IDOSOS


Um Estado que não cuida da sua população jovem e dos mais idosos é um Estado desprovido de humanidade e de sentimento social. Ainda ontem segui uma grande parte dos "prós e contras", programa da RTP1. O tema era muito oportuno: as crianças e jovens em risco. Os que seguiram o debate tomaram consciência das insuficiências do sistema de prevenção e de acompanhamento. Faltam, essencialmente, recursos humanos e financeiros, porque, grosso modo, a estrutura existe. O problema é que "Portugal não é um País amigo das crianças", salientou o Psicólogo Eduardo Sá. Os números divulgados são aterradores: faltam 200 técnicos nas comissões de protecção; há técnicos a colaborar em part-time e em regime de voluntariado; temos cerca de 60 a 70.000 crianças, por ano, em perigo; cerca de 6.000 crianças, por ano, chegam aos hospitais e centros de saúde em situação de risco; 8.500 crianças são retiradas do meio familiar; há crianças que chegam a passar sete anos institucionalizadas e os relatórios da UNICEF consideram inquietante a situação da pobreza infantil em Portugal.


E face a este quadro, o governo retira direitos sociais, esmaga as famílias e gera desemprego, porque importante é servir o capital. As crianças ficam para depois. Elas podem esperar e as famílias, disse o banqueiro, "aguentam, aguentam". Que triste país que não zela pelas crianças! 
Mas isto é entre elas, porque no outro extremo, junto dos idosos sem meios e dependentes de uma miserável pensão, a situação é também grave. Quantos abandonados à sua sorte! Consideremos o caso de um pensionista, vivendo só, com mais de 80 anos, deficiente e que aufere cerca de € 350,00 por mês. Para além de outras graves deficiências, apresenta problemas de audição. Necessitou de uma prótese auditiva, a qual, no seu caso, implicou uma despesa de € 1.950,00 (pagos em prestações). Esse valor, pasme-se, em sede de IRS, mesmo que inscrito no âmbito dos benefícios fiscais, não lhe possibilita qualquer retorno. Mas mais grave, ainda, desde 2011 que este tipo de despesa não é comparticipado pela Segurança Social. Apenas concedem um retorno que pode ir até 100% no que concerne às despesas com o apoio técnico, quando este, normalmente, já é possibilitado, gratuitamente, pelas empresas que vendem tais próteses. Se é surdo, perguntará o Estado, que culpa temos disso? Terá esta situação uma explicação plausível? Tal como as crianças, que triste país que não zela pela qualidade de vida dos seus idosos!
Ilustração: Google Imagens.

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