quarta-feira, 22 de abril de 2015

SÃO ROSAS, DOUTOR?


Li, na edição de hoje do DN-Madeira, um muito bem estruturado texto, de finíssima ironia, assinado pelo Dr. Raul Ribeiro, relativamente à tomada de posse do novo governo. A páginas tantas: "(...) Para quem gosta de Lou Reed, só apetecia cantar "Oh, what a perfect day…" A única nota dissonante foi dada pelo deputado Coelho, a querer lembrar que não há circo sem palhaço. Mas nem esse momento ofuscou o brilho de tão gloriosa jornada. A opinião pública, pelo menos a que deambula pelas redes sociais (alguns parece que vivem lá, ou não vivem para além de lá…) manifestou-se maioritariamente rendida à mudança de ciclo, havendo mesmo quem se mostrasse encantado com o futuro radioso que nos espera ao virar da esquina do PAEF.


Não obstante, uma minoria claramente ressabiada e trauliteira pintou o dia num quadro de tons bem mais negros. Houve quem usasse de expressões perfeitamente desajustadas à nobreza da ocasião, como cinismo e hipocrisia. Outros houve que persistiram na imagem do casaco que se virou do avesso, chamando-lhe roupa nova; e houve até quem evocasse a história do navio, há longo tempo em alto-mar, no qual o fedor que exalava da tripulação se tornara insuportável. O comandante chamou o imediato e ordenou que todos os marinheiros trocassem de camisa. João trocou com Miguel, Miguel trocou com Jaime, Jaime trocou com Sérgio, Sérgio trocou com Bruno, Bruno trocou com Pedro, e assim sucessivamente até chegar de novo a João. Então, satisfeito, o comandante mandou seguir viagem… Não quero acreditar neste cenário, mas ainda me custa a assimilar tal deslumbramento de Alice, perdida no País das Maravilhas… Quando a nudez forte da verdade rasgar este diáfano manto de fantasia, ainda tudo serão rosas, Doutor…?
Vale a pena ler o artigo. Aqui.
Ilustração: Google Imagens.

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