quarta-feira, 20 de maio de 2015

POR SAMPAIO DA NÓVOA


Lastimo a burrice. Não tenho paciência para a estupidez. Desprezo a cretinice. Odeio a patifaria. E sobre Sampaio da Nóvoa não têm faltado ‘apreciações’ – e são tais e tantas que me levantam uma dúvida: porquê tanto fogo concentrado? Ainda não é tempo de presidenciais e é muito cedo para se apresentar – proclamam alguns que, dias depois, se apressam a menosprezá-lo porque o país não o conhece! Também há ‘iluminados’ que habituados a fazer pela vida trepando dentro de partidos não percebem como é que se pode respirar - ou até viver - fora das máquinas partidárias; nem são capazes de imaginar o esforço, o trabalho, a dedicação que são precisos, para alguém ser respeitado e considerado por si mesmo e pelo seu mérito.


Sei como as coisas são mas, ainda assim, fico surpreendida como é que alguém cujo nome não recordo bem (um qualquer coisa Pinto que foi, ou ainda é, deputado) pode afirmar que Sampaio da Nóvoa não tem, digamos, pedigree suficiente para ser candidato… porque em 60 anos nunca se meteu com partidos (sic)!
E também me pergunto quem terá ensinado um tal Gama a caluniar e a difamar, a ponto de ter de ser metido na ordem por Isabel do Carmo, alguém com conhecimento e idade para ser sua mãe?
Raspanete que o Gama dobrou e meteu no bolso – coisa que já vi muita gente fazer…
Obviamente que nem todos apoiam Sampaio da Nóvoa – há os que discordam do que ele pensa e do que ele diz. É o preço de não se ser cinzento. Mas tanto direito têm eles de discordar, como eu de apoiar.
Não conheço Sampaio da Nóvoa de ontem. Já o ouvi várias vezes e tive oportunidade de conversar
com ele. E de tudo o que já vi tenho que confessar que me faz respirar num outro país.
Um país onde não me sinta envergonhada de cada vez que o presidente abre a boca, como agora acontece; um país em que o seu presidente não se ‘venda’ em interesses da alta finança, nem ‘apadrinhe’ negociatas de bancos e corruptos banqueiros; um país cujo presidente, quando haja que
escolher entre atribuir uma pensão à viúva de Salgueiro Maia e condecorar inspectores da Pide «tendo em consideração os altos e assinalados serviços prestados à Pátria», não opte pelos segundos.
Não quero mais como representante máximo do meu país alguém que se possa envolver em esquemas de beneficiação partidária verdadeiramente contrários ao interesse nacional, agindo sempre e só como esforçada tábua de salvação do actual governo e da sua criminosa política de austeridade cega; alguém que, sob a capa da ‘estabilidade’, seja motor e cúmplice das políticas que têm dado cabo deste país e deste povo. Não quero mais um presidente que possa insultar milhares de pessoas neste país ao declarar que lhe custa viver com apenas 10 mil euros de reforma.
E também já me chega que seja presidente de Portugal um qualquer indivíduo que não tenha, sequer, a dignidade de falar a língua portuguesa quando oficialmente representa o nosso país no estrangeiro.
Não tem importância? Tem, tem. Porque o meu país têm que ser maior em dimensão e dignidade que a marquise de uma qualquer varanda de Belém.
Eu quero um Presidente com maiúscula, um Presidente que seja um homem de cultura e que saiba ser um homem de Estado. Um Presidente que revele inteligência e serenidade. Que revele firmeza, responsabilidade e lucidez e não embarque em provocações reles, do tipo Ora diga lá em quem é que já votou para a gente ficar a saber em que águas é que pesca…, como recentemente aconteceu numa entrevista na RTP1.
Um Presidente que nos respeite. Que compreenda e defenda o valor do trabalho, da investigação e do saber como alavancas fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento. Um Presidente que, mais que a esperança, nos devolva confiança, com objectivos nacionais mobilizadores e que não desvirtue a Constituição da República e os seus princípios.
Um Presidente que enfrente a questão da Europa e da política na Europa com uma dimensão que verdadeiramente defenda os povos da Europa.
Um Presidente que assuma, sem tibiezas, que os seus pilares são as causas sociais, o conhecimento e a inovação, e a liberdade. Sempre.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Artigo de opinião, publicado na edição de hoje do DN-Madeira, da autoria da Drª Violante Matos.

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