domingo, 14 de junho de 2015

A "FÚRIA PRIVATIZADORA" DO GOVERNO. MAS, SE É BOM PARA O PRIVADO, POR QUE RAZÃO NÃO É BOM PARA O SECTOR PÚBLICO?


"Este governo, ainda antes de o ser, era submarinos. Este governo, na véspera de deixar de o ser, é aviões... Estranha mania deste governo por submarinos e aviões quando tanto se gaba de ter os pés bem assentes na terra (...)" - Ferreira Fernandes, DN/Opinião. É uma síntese feliz. Para além dos submarinos e aviões, de passagem transferiu tudo ou quase tudo para as mãos do grande capital. Vendeu o país. Tudo em nome do "interesse público", qual detergente para todas as necessidades, e da subserviência às imposições externas. De bípedes estamos a passar a quadrúpedes políticos. Tal como sublinhou António Costa, tudo devido a uma Europa que deixou de ser dos cidadãos para ser dos mercados. Foram-se os anéis e não sei se ainda temos dedos. Como vulgarmente se diz "foi tudo para o maneta". Nos últimos quatro anos, na lógica "antes que seja tarde", de memória, lá se foram a EDP, a ANA, os CTT, a Fidelidade, a Galp, a REN, a TAP e mais algumas estão em curso (EMEF, CP Carga, Carris, STCP, transportes suburbanos da CP, Metro de Lisboa, Águas de Portugal, Oceanário, etc.) fora outras concessões na mira. Para o executivo trata-se de uma política de sucesso. A famigerada troika exigia receitas de 5,5 mil milhões e já vai quase no dobro (9,5 mil milhões). O que resta? A ilusão de um futuro melhor. Andam, claramente, a vender fumo!


Há dias o Jornal I questionava se vender quase o dobro fez diferença no ajustamento? Resposta: "Sim, serviu para disfarçar os resultados do ajustamento, pois as privatizações iam ajudar a baixar a dívida pública até 105%, mas esta subiu até 130% do PIB, valor que seria ainda mais elevado não fossem os "enormes aumentos de impostos", também não previstos pela troika. Fomos todos enganados. Aldrabaram-nos. Ao ler aqueles dados lembrei-me da velhíssima história de humor de uma criança que questionava, suponho que a uma tia, sobre a sua excessiva maquilhagem. Ouviu da tia que era para ficar mais bonita. E a criança terá respondido: então, por que não ficas? Pois, supostamente era para ficarmos bem, mais fortes e com um futuro esperançoso. Mas não, estamos piores apesar de continuarem, diariamente, a bombardear com discursos que tentam apagar a verdade. 
Registei, há dias, as palavras da Deputada Mariana Mortágua (BE): estas privatizações "(...) condicionam, de facto, a capacidade de decisão nacional em sectores vitais para a economia e, portanto, a nossa soberania”, para além de que (...) neste "jogo viciado, a casa perde sempre e quem paga as contas são os contribuintes". Mas para Sérgio Monteiro, esse secretário de Estado que nasceu em 1974, de currículo quase nulo e que não sabe o que é  a vida, o problema é outro: "queremos empresas mais fortes e capazes de operar no mercado concorrencial". Para ele e para quem determina, vale tudo, os de fora que venham tomar conta disto, pois o que interessa é sobrepor uma linha ideológica ao princípio de país soberano.
Ilustração: Google Imagens.

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