quarta-feira, 22 de julho de 2015

ASSIM FALOU PASSOS O "NOBEL" PORTUGUÊS DA ECONOMIA


O primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho defendeu que o Governo grego deveria ter "uma atitude diferente" face ao terceiro programa de resgate: "primeiro é preciso criar confiança, depois fazem-se os ajustamentos que forem necessários, e por fim teremos alguma coisa que possa funcionar, como funcionou em quase todos os outros sítios". Diga lá outra vez: "(...) funcionou em quase todos os outros sítios"? Onde? Em Portugal certamente não foi. 


Não bastassem os vários indicadores, do desemprego à pobreza, da emigração à sucessiva retirada de direitos sociais, acabo de escutar o calvário das famílias (TVI): dois milhões de emigrados, despejos, aumento dos regressos à casa dos pais e avós, quase três milhões de pobres, milhares de crianças marcadas para o futuro, milhares de insolvências, quase quarenta mil idosos a viverem sós, milhares de habitações em hasta pública, aumento dos suicídios, penhoras, doenças mentais, violência e saldo natural negativo. E o Primeiro-Ministro tem a distinta lata política de sugerir ao governo grego uma atitude firme porque a austeridade "funcionou em quase todos os sítios". Insuportável hipocrisia!
Só um insensível Passos Coelho, absolutamente estrábico face à realidade, pode ver sucesso onde existe desencanto e falta de esperança. Deveria disfarçar-se de "colega infiltrado" e juntar-se às instituições de solidariedade social para ver e sentir o pulsar deste país que morre aos poucos. Ah, a ideologia, pois, a ideologia e a subserviência aos "donos disto tudo", levam-no a dizer disparates como se todos nós fossemos uns imbecis. Percebo, obviamente que sim. Entendo a falta de coragem e a busca do caminho político mais fácil desde que, a prazo, lhe seja garantido o lugar no "panteão" dos eleitos que esmifraram os povos.
Ilustração: Google Imagens.

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