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sexta-feira, 3 de julho de 2015

NOVO HOSPITAL: A POLÍTICA DA MENTIRA POLÍTICA A TODO O VAPOR


Sobre a possibilidade de um novo hospital, li, no dia 25 de Fevereiro de 2015, a seguinte posição do actual secretário da Saúde do governo regional da Madeira: "(...) É uma prioridade, é uma preocupação, é tecnicamente sustentável a necessidade de um novo hospital". Leio, hoje, 03.07.2015: "(...) Na nossa opinião, para os doentes, é essencial que, nos próximos 20 anos, tenhamos um hospital moderno capaz diferenciado e que responda ao que neste momento já não é (...)". Ora, um horizonte temporal de 20 ANOS corresponde a CINCO LEGISLATURAS. Corresponde também, grosso modo, a uma pena máxima para todo o povo. Muitos, provavelmente, alguns largos milhares, porventura os que mais precisam, já não andarão pelo planeta Terra! 


Detesto este tipo de política. Para ser eleito dizem tudo o que soa bem ao ouvido das pessoas, acredito, até, por convicção pessoal, embora sem se comprometerem com datas, depois, chutam para a frente. Ao invés de enfrentar, como vulgarmente se diz, "o touro pelos cornos", nomeiam uma comissão para concluir sobre aquilo que há muito está assumido. É o pau que vai e volta para que folguem as costas.
Repito, aqui, a sequência dos posicionamentos políticos desde 2001 (14 anos), em um texto divulgado a 5 de Março de 2011: "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir, que oito consórcios se mostraram interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trapalhada (...)". Para além disto existem actas de discursos proferidos na Assembleia Legislativa, no plenário e nas Comissões Especializadas, houve expropriação de terrenos e alguns milhões investidos em projectos e não só. E agora, o horizonte temporal é de 20 anos! Se me falassem em duas legislaturas, por fases, para a entrada em pleno funcionamento, bom, seria aceitável. Prolongar até vinte anos... constitui a política da mentira política a todo o vapor. E o povo acreditou, uma vez mais, que agora seria diferente. Torna-se importante que o presidente do governo se pronuncie sobre esta matéria. Cada um sabe de si e responde por si, eu, se tivesse responsabilidades políticas, não me deixava cair nesta situação, pois colocaria a mim próprio a seguinte pergunta: se assumo que a obra é prioritária, se não me deixam concretizá-la em tempo aceitável, então, o que estou aqui a fazer? Ia-me embora, por uma questão de responsabilidade e dignidade política. Porque a minha consciência nunca esteve nem estaria à venda.
Edição do DN-Madeira: 
Ilustração: Google Imagens - Maqueta do que ficou conhecido por "Novo Hospital"

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