sexta-feira, 21 de agosto de 2015

DIA DA CIDADE DO FUNCHAL E A ESTRANHA ATITUDE POLÍTICA DO VEREADOR DR. BRUNO PEREIRA


É absolutamente natural e importante que a oposição na Câmara tenha outros olhares sobre a cidade. O que não me parece razoável é que se pegue na metralhadora das palavras e varra de qualquer maneira, sem sentido de responsabilidade política. O Dr. Bruno Pereira (PSD) foi vice-presidente da Câmara, e nesse quadro político teve responsabilidades por uma estranguladora dívida muito próxima dos 100 milhões de euros. Tem razão o Dr. Paulo Cafôfo, actual presidente: "(...) Agora, as exigências são bem maiores do que antes. Quando havia dinheiro era fácil governar. Quando deixou de haver dinheiro também não era difícil, com o acumular de dívida. Mais difícil é governar com menos recursos financeiros e humanos, pagar a dívida que outros fizeram, pagar os compromissos presentes e ainda investir nas pessoas, no espaço público, na dinamização da economia". 


Mas para o Vereador do PSD esta é uma Câmara que do ponto de vista das infra-estruturas nada tem feito”. Nas zonas altas, lamentou, não tiveram “um único investimento”. O Dr. Bruno Pereira esquece-se que se as zonas altas são aquilo que são (desordenamento territorial) fica a se dever a quase quarenta anos de incúria no planeamento onde proliferaram intervenções espontâneas à revelia dos interesses da cidade. Esquece-se que foi o PSD que teve um slogan de campanha, há mais de 20 anos, "Funchal de Alto a Baixo", que começou por baixo e com algum humor se diz que não passou da cota 40! O Dr. Bruno Pereira fala do PDM que “está parado no mesmo sítio”. Esquece-se que, a Câmara, durante anos, nunca apresentou os respectivos relatórios de acompanhamento, que o PDM deveria ter sido revisto em 2007 (administração do PSD) e que foi suspenso em algumas zonas para, não digo branquear, mas legalizar erros cometidos. Esquece-se das dívidas do governo regional à autarquia. Esquece-se, também, que durante anos, a política do "bico calado" no Dia da Cidade foi a marca das administrações a que pertenceu. Hoje, felizmente, pode dizer o que pensa, na frente de todos e na cara dos actuais responsáveis pela cidade. 
Finalmente, disse que “infelizmente foram dois anos perdidos”. O Presidente da Câmara, em artigo de opinião, responde-lhe: "(...) Num contexto de grave crise económica e social, temos executado uma política de redução da carga fiscal sobre os contribuintes, devolvendo aos munícipes 1% da comparticipação de IRS que cabe ao município; redução gradual da taxa de IMI, até chegarmos à taxa mínima em 2017, que neste momento está em 0,33%; redução em 15% das taxas dos parcómetros; redução em 50% das taxas de publicidade e ocupação do espaço público, para benefício dos pequenos comerciantes. Ajudar as pessoas a ultrapassar as enormes dificuldades com que se deparam tem sido outra das nossas prioridades com a implementação de uma série de programas: Subsídio Municipal de Arrendamento; Comparticipação Municipal de Medicamentos; Programa de Apoio à Conservação, Reparação e Beneficiação de Habitações Degradadas; Apoio à Natalidade e à Família; Programa Municipal de Formação e Ocupação em Contexto de Trabalho, entre outros. (...)"
É imprescindível respeitar as diversas oposições. Mas também é dever da oposição ser politicamente séria. Este tipo de oposição de "bater por bater" foi chão que deu uvas. Até porque as pessoas não são cegas e sabem destrinçar os aspectos positivos dos negativos de uma governação. Quando uma oposição não sabe fazer essa destrinça deixa de ter qualquer credibilidade. Em dois anos, reduzir 25 milhões a uma dívida de outros... é obra!

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