terça-feira, 18 de agosto de 2015

UMA "CARTA DO LEITOR" (DN) AO SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DA MADEIRA


"Em tempos fui aluno na RAM. Havia os marrões, os engenhocas, os que tinham óptimas notas sem estudar, os que eram providos de inteligência emocional, os desportistas, os matemáticos, os cultos, os esforçados sem resultados e os que eram menos bons no geral, porque a escola, como estava concebida, não permitia que eles descobrissem o seu potencial. (...)"


O leitor do DN-Madeira, Richard Fernandes, escreveu, recentemente, uma "carta do leitor" que pelo seu interesse aqui reproduzo: 
"(...) As diferenças, enriquecedoras e promotoras da construção da identidade, jamais seriam passíveis de existirem se o critério “bons” e “maus” estivesse implementado. Provavelmente eu estaria nos “bons”; seríamos uns nabos a Educação Física e a Educação Visual e as aulas de Ciências Naturais não seriam pautadas pela genuína descoberta; eu teria um espírito mais competitivo e melhores notas em algumas disciplinas, mas nada significativo quando comparado com a multiplicidade de saberes que adquiri, nomeadamente o sentido de entreajuda. Creio, ainda, que eu teria um vocabulário pobre em inglês, porque o colega que tinha os pais em Inglaterra não estaria ao meu lado; não teria tantos conhecimentos de Física, dado que o aluno entusiasta de carros não teria partilhado os seus conhecimentos e julgo que nunca teria terminado o candeeiro que fiz em Educação Tecnológica.
Deixem as crianças serem crianças, assim como os adolescentes serem adolescentes, sem a pressão de rótulos maniqueístas e que não se adequam à subjectividade da escola. Se a intenção é prestar um melhor ensino, sugiro o despiste e avaliação precoces das dificuldades de aprendizagem, bem como a intervenção precoce; o abandono do ensino tradicional e a introdução de novas metodologias de ensino e aprendizagem, nomeadamente, de modelos de aprendizagem activa; a promoção do ensino artístico e profissional; a introdução de currículos diversificados que dêem resposta aos interesses dos alunos; a redução do número de alunos por turma; a articulação com equipas de pedopsiquiatria; a implementação de um sistema de mentoria em que os alunos com menores dificuldades apoiem os alunos com maiores dificuldades; um maior envolvimento dos pais; a sensibilização de professores para os problemas de comportamento etc.
Estou certo que a escola comporta novos desafios. Contudo, seria importante que aqueles que lidam com a educação não desistissem dos alunos e se baseassem em práticas mais científicas e menos ideológicas".
Ilustração: Google Imagens.

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