segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ABERTURA DO ANO LECTIVO: TUDO NORMAL NO QUADRO DA ANORMALIDADE!


Segui algumas reportagens sobre a designada "abertura do ano escolar". A palavra-chave, desde o governo a outros actores do sistema educativo, foi "normalidade". Eu complementaria: tudo normal no quadro da anormalidade. O secretário da Educação até disse que, para o ano, vai começar mais cedo. Digo eu: a anormalidade, certamente. 


Ora, quando se multiplicam mudanças de paradigma organizacional, de currículos e programas, quando o sentido de "aula" segmentada está em declínio, dando lugar ao estudo de "fenómenos complexos", os decisores políticos preferem manter um sistema, que sendo de ontem, já não se encaixa no tempo do nosso tempo. Preferem o toca-entra-toca-sai, alunos passivos e receptores da "matéria", professores que debitam, testes, exames, avaliações e, naturalmente, retenções. Quem estuda um pouco as políticas educativas apercebe-se que já não é por aí o caminho. Esse, por maiores que sejam as horas disponíveis para apoios suplementares, só conduzem ao insucesso e ao abandono. Tudo isto está estudado por quem investiga e transporta pensamento. Ao contrário da normal anormalidade, deveríamos hoje estar a assistir, embora tardiamente, ao agarrar do fio à meada, no sentido da construção de um novo tempo para garantir resultados a prazo. O fio dos sete anos como garantia de resultados de excelência à entrada no ensino superior. Portanto, laborar sobre os mesmos erros só pode significar, a prazo, resultados idênticos aos de hoje. 
Como li algures (Professor José Pacheco), temos crianças do Século XXI, orientadas por professores do Século XX, mas com as metodologias do Século XIX. Assim não vamos longe. Se todos mudam porque raio continuamos a insistir em não querer avançar? Só pode dar "erro"! 
Ilustração: Google Imagens.

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