domingo, 27 de setembro de 2015

COMENTADORES E ANALISTAS TODOS BEM NA VIDA. NADA OS AFECTOU OU AFECTA! PARABÉNS.


Regresso ao assunto: as sondagens. Não propriamente aos resultados que, diariamente, nos oferecem. Não me deixo influenciar por elas. Tempos houve que as entendia como um indicador a ter em consideração. Hoje, depois de várias leituras, denúncias e, sobretudo, tendo em consideração as opções dos eleitores no dia do acto eleitoral, deixei de considerá-las até como tendência. Parece-me (posso estar totalmente equivocado) existir um coeficiente de correlação de Pearson, entre as empresas que operam neste âmbito e outros interesses maiores que não descortinamos. Prefiro aguardar pelo veredicto do povo. Coisa que tantos comentadores e jornalistas não fazem. Preferem embarcar nas ditas, como quadro real, quando se sabe da discrepância entre a hipotética vontade do povo e os resultados finais. Da mesma forma que, presumo, ser muito pouco científico fazer uma redistribuição das tendências de voto a partir (dizem) dos quase 30% de indecisos. Ontem, apesar do esbulho da dupla política Passos Coelho/Paulo Portas ao longo de quatro anos, uma empresa já lhes dava 10% de vantagem.



Mas não é apenas isso que me parece pouco sensato e honesto. O que vem a seguir, na sequência dos números das sondagens, considero contraproducente. Refiro-me a toda a especulação que é feita por jornalistas e comentadores. A partir da incerteza de uma sondagem que pode se transformar em um erro primeiro, dão-se ao luxo de fazer as mais variadas projecções políticas: se o bloco central é possível, se Costa irá ou não juntar-se a este ou àquele, se o PSD/CDS estará na disposição de aliar-se àquela ou outra força política, a possibilidade de uma maioria de esquerda ou de direita, como é que o Presidente da República se posicionará, se os actuais líderes partidários se demitem ou não em caso de resultado negativo, quem está na linha para os substituir, enfim, inúmeras situações que mais me parecem uma fábrica de enchidos! Os verdadeiros problemas do País, o balanço de quatro anos de governação, o estado do País com uma dívida sempre a crescer, o empobrecimento, o desemprego real e não o que nos é apresentado, o crédito malparado que continua em crescimento (670.000 famílias em causa), a emigração de mais de 400.000 portugueses, os dramas na saúde e na educação, tudo isto não é relevante. Importante é o que Costa disse e o que Passos/Portas anunciaram. Ficam, assim, pela rama ou pela espuma e, depois, com uma distinta lata, alguns elaboram textos e produzem comentários, muitas vezes corrosivos à actuação dos partidos políticos, como se alguma vez tivessem experimentado viver o âmago de um partido em todo o seu funcionamento, desde a verdade dos seus projectos, às dificuldades e angústias na penetração das suas mensagens. Muitos, porventura, nem os seus programas leram. E mais, parecem-me todos bem na vida e que nada os afecta(ou).
Perante isto, eu que me sinto esclarecido, na imprensa escrita, perante alguns, mudo de página; na televisão, mudo de canal, para qualquer outro que me dê tranquilidade, paz, sossego e que não me tente violar a consciência.
Ilustração: Google Imagens.

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