terça-feira, 22 de setembro de 2015

NA ABERTURA DO ANO ESCOLAR CONVÉM TER PRESENTE...


Por cá, temos lugar para o talento? pergunta a jornalista Sara Sá, na edição da revista VISÃO de 3 a 9 de Setembro de 2015. Na infografia que acompanha o texto, quatro palavras: CURIOSIDADE, LIBERDADE, IRREVERÊNCIA e ENTUSIASMO. Tudo o que o sistema educativo português não tolera. Simplesmente porque a irreverência e a liberdade, perturbando (erradamente) aquilo que são os cânones de funcionamento da "aula", coarctam a curiosidade e o entusiasmo. E porquê? Porque a escola está configurada para o currículo e para o programa. E o programa tem de ser dado, interesse ou não e que uma significativa parte seja ou não para esquecer. Os exames é que interessam. É assim e ponto final. Daí que tenha razão o Professor Pedro Neves, da Universidade Nova: "No sistema de ensino português há a tendência para normalizar e os alunos geniais costumam ser classificados de aborrecidos". Saliento eu, porque curiosidade, liberdade, irreverência e entusiasmo não fazem parte do pensamento e da matriz organizacional da Escola. Para que isso fosse possível teriam de seguir a investigação em Ciências da Educação. Já aqui publiquei um texto a este propósito e regresso ao mesmo:


"(...) Deborah Stipek, docente da Faculdade de Educação da Universidade de Stanford, trabalhou o seu estudo ao longo de 35 anos. A autora do estudo denuncia o facto de os jovens serem treinados para obterem bons desempenhos em testes e afirma que é aberrante uma educação centrada em resultados mensuráveis e em rankings. E acrescenta que a preparação para exames sufoca a formação de uma personalidade madura e equilibrada. Deborah sublinha o facto de o sistema de exames produzir especialistas em provas enquanto prejudicam vidas que poderiam ser promissoras. Em suma, "um ambiente escolar competitivo, voltado para testes e exames é prejudicial à aprendizagem. E quem o afirma é a revista Science que tem por título "Educação não é uma corrida". Escutemos a pesquisadora: "O sistema actual baseado no desempenho em testes, pode prejudicar muito a formação de grandes pensadores. Esta forma de ensino promove um verdadeiro extermínio de grandes mentes. A maneira como a educação é organizada na actualidade faz com que potenciais vencedores do Prémio Nobel sejam perdidos mesmo antes da educação básica, já que o modelo de ensino massacra qualquer outro interesse que não seja o cobrado nos exames". (Publicado pelo Prof. José Pacheco na revista Página da Educação).
Ilustração: Google Imagens.

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