sábado, 12 de setembro de 2015

O PROBLEMA É ESTE, CONTINUAR A SER FLAGELADO OU LIBERTAR-SE DO AGRESSOR


Ontem tive a oportunidade de participar no comício do PS-Madeira, que contou com a presença do Dr. António Costa candidato a Primeiro-Ministro do governo de Portugal. Gostei. Há já algum tempo que não vivia uma manifestação com alma, plena de opções políticas que brotam de dentro, sentidas e com uma plateia estimada em 700 pessoas que não conversavam para o lado, antes, atentamente, escutavam e aplaudiam. Gostei, porque as palavras ditas encaixaram-se em um perfeito contraponto ao que todos vivemos nestes últimos quatro anos. Em síntese, escutei a palavra da esperança em contraste com a mentira e a aldrabice política a que fomos sujeitos pela coligação PSD/CDS. Fomos e continuamos a ser bombardeados com a teoria do caos, da bancarrota, do Sócrates, do nós ou a desgraça! Ontem, uma vez mais, toda essa lengalenga destinada a perturbar a consciência colectiva e a enganar os incautos, como se nada tivesse acontecido em 2008 no plano internacional, foi esmiuçada através dos dados da realidade sentida. O candidato Carlos Pereira desenvolveu os dossiês que preocupam os madeirenses, a dívida, a pobreza, o desemprego e o ininteligível "agachamento a Lisboa" que o PSD-Madeira tem vindo a protagonizar, facto que explica o vazio de ideias e a incapacidade de negociação. António Costa, em uma intervenção arrebatadora, com o sentimento de que isto não pode nem deve continuar, falou de um governo, o actual e o único que entregará o país mais pobre do que quando o recebeu. 


Ora bem, pode-se muito bem dizer que, primeiro, o que está em causa é a eleição de Deputados à Assembleia da República. É verdade que sim. Mas também não se pode ignorar que a presente situação exige a definição, no actual quadro da correlação entre forças partidárias, de quem desejamos ver como Primeiro-Ministro. Uma coisa está intimamente, ligada com a outra. Ou os portugueses dispersam votos ou tentam um novo rumo; ou fazem uma escolha que dê lugar à esperança, ou correm o risco de entregar o País aos mesmos que, fazendo da mentira uma arma política, desejam mais quatro anos para completarem o processo de empobrecimento que corresponde à grande subserviência aos poderes acoitados em Bruxelas e em outras paragens financeiras! O problema é este, continuar a ser flagelado ou libertar-se do agressor. E neste quadro, com todo o respeito que tenho por outras candidaturas e pelos seus esforços no sentido de tornar justo o que de mais injustiça existe e que os nossos olhos de actores-observadores retêm, trata-se de um momento de importante opção. Na Madeira, esta é a minha leitura, o Dr. Carlos Pereira (PS) e a sua equipa é quem pode ser, pela negociação inteligente mas frontal, e porque é o único com estudos divulgados no âmbito da Economia e das Finanças (o nosso calcanhar de Aquiles), a figura que precisamos para romper com esta situação de "agachamento" do Dr. Miguel Albuquerque (que já disse que está a 100% com Passos Coelho). Referiu, ainda ontem, o candidato Carlos Pereira "que quem não se sente não é filho de boa gente". É verdade. Depois de tanta maldade, de deputados na República em permanente silêncio durante trinta e tal anos, pergunto, se pode existir algum benefício da dúvida, ainda por cima por parte de candidatos que só agora chegaram à política, a quem não se lhes reconhece background necessário face ao momento que atravessamos. Na República, depois de escutar as últimas três intervenções de António Costa (debate arrasador com Passos Coelho,  a entrevista conduzida por Vítor Gonçalves e, ontem, no comício do Funchal), entendo que é a figura que devolverá a esperança aos portugueses que residem no Continente e aos portugueses das Regiões Autónomas. A sua experiência política de Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Ministro dos Assuntos Parlamentares, Ministro da Justiça, Ministro de Estado e da Administração Interna e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, conferem-lhe o saber e a sensibilidade para alterar este rumo que, se nada acontecer, nos conduzirá a uma colónia de outros.
Ilustração: Arquivo próprio.

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