segunda-feira, 7 de setembro de 2015

QUEM TEM MEDO DE JOSÉ SÓCRATES? QUE SEJA BEM-VINDO À CAMPANHA ELEITORAL!


Parece que não existe nada para debater em função das grandes opções para Portugal. A Coligação PSD/CDS, denota que não quer falar a verdade aos portugueses e, talvez por isso, demonstra receio em debater. Ela sabe que a receita a aplicar, no caso de vitória eleitoral, será a mesma dos últimos quatro anos, daí que prefira apontar baterias para o medo sobre aquilo que dizem ser o regresso ao passado. Os comentadores e não só, esses, quase todos da mesma área política, parecem mais preocupados com a participação ou não do Engº José Sócrates na campanha eleitoral, através dos meios que estão ao seu dispor. De Marcelo Rebelo de Sousa a Marques Mendes o frenesi é enorme. Querem-no longe da campanha, como se ele estivesse privado dos seus direitos de cidadão, como se a sua presença incomodasse o PS, como se os portugueses fossem uma cambada de figurantes que não sabem fazer a destrinça entre o julgamento de quatro anos de governação, de permanentes maldades políticas, e um outro eventual julgamento que à Justiça diz respeito.


Por seis anos de governação política os governos do Engº José Sócrates já foram julgados nas urnas. Bem ou mal, foram. Não discuto a deliberação maioritária do Povo. A minha opinião constitui, apenas, uma opinião. O povo votou em 2011, e chumbou a proposta política do PS, portanto, é a vez da Coligação PSD/CDS estar no "banco dos réus" da política. Do meu ponto de vista, porque respeito os direitos dos cidadãos, sejam eles quais forem, tenham ou não tido responsabilidades governativas, José Sócrates deve participar na campanha. Ele tem a sua verdade, ela deve ser conhecida, e não apenas a do âmbito da Justiça, mas toda a história entre 2008/2011 que não é totalmente conhecida. Há peças do puzzle que devem ser escamoteadas. Ou será que a Coligação, jogando com o medo, acaba por ter medo daquilo que pode configurar a "narrativa" do ex-primeiro-ministro? 
Por outro lado, a menos de um mês das eleições, sabe-se, pela experiência, que uma larga maioria tem já o seu sentido de voto definido. O julgamento está feito. Porventura, uma minoria aguarda por mais alguns dados. E neste espaço de indecisos, creio, José Sócrates pode constituir uma peça-chave. Democraticamente, não vejo como condenar ao silêncio um cidadão no pleno gozo dos seus direitos cívicos, ainda por cima, quando não existe, na Justiça, uma acusação pública baseada em factos que o conduza a julgamento. E que existisse! Aliás, o que conta é a audiência de julgamento. Por isso, digo: seja bem-vindo à campanha eleitoral. O povo tem o direito de conhecer todos os meandros da recente história política, não a história que é vendida, mas aquela onde existe ponto e contraponto. Que não se depreenda deste texto que estou a fazer um juízo de valor de inocência sobre os tais "indícios" de crime. Apenas estou a defender que José Sócrates goza desse direito à palavra e que essa palavra pode ser determinante para conhecermos o contraponto político. Nem o Dr. António Costa deve sentir-se incomodado, nem os líderes da Coligação, Dr. Passos Coelho e Dr. Paulo Portas, bem como todos os restantes candidatos, devem ficar apreensivos. Afinal, pergunto, não são essas pessoas que, lamentavelmente, costumam dizer "à Justiça o que é da Justiça e à Política o que é  da Política?"
Ilustração: Google Imagens.

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