quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A ALMOFADA DO PRESIDENTE E A NOSSA BANANA QUE É "MAIOR E MAIS SABOROSA"


Para o Presidente da República "a economia está a crescer e o desemprego a diminuir". Os trágicos números da emigração (mais de 450.000) onde se contam milhares de jovens qualificados, é coisa de somenos importância nem conta para a estatística. Para o Presidente da República a coligação PSD-CDS liderada por Pedro Passos Coelho, deixa "uma almofada financeira de dimensão substancial". É, de novo, a teoria do "cofre cheio", mesmo que o país esteja pintado com as cores da pobreza e do desemprego. Para o Presidente da República, hoje, Portugal tem "acesso aos mercados internacionais" e é "um país respeitado, cumpridor e onde há boas oportunidades de investimento". Declarações que evidenciam, politicamente, um torcicolo com mais de trinta anos e um estrabismo que o persegue há décadas. Para o Presidente da República, em 2008, não existiu qualquer crise internacional, dizem, a maior dos últimos setenta anos, que varreu particularmente toda a Europa e sobretudo os países com economias mais vulneráveis; não existiu a pouca-vergonha do BPN, do BPP e do BES, entre outros desastres, e não existiu uma enormíssima carga fiscal e um esbulho à carteira dos portugueses e aos direitos sociais conquistados com a sacrifício de muitos. É, por isso, que a "almofada financeira tem uma dimensão considerável".


Salvo as devidas proporções e contextos, esta declaração tem qualquer coisa de salazarenta. Também em 1974 as reservas de ouro do Banco de Portugal situavam-se em 865.936 toneladas, todavia, vivíamos em um país de analfabetos, pobre, miserável e de emigrantes. Por isso, elogiar, mesmo que indirectamente, as políticas de Passos Coelho e Paulo Portas, indigna tantos, desde a generalidade dos empresários aos trabalhadores, porque corresponde a uma imagem de um sucesso que só existe no seu ponto de vista partidário. Mas a "almofada" financeira é substancial e molinha. Alguns nela podem dormitar bem, enquanto a maioria anda para aí a encharcar-se de anti-depressivos. Ignorar que a dívida pública em percentagem do PIB aumentou para cerca de 130% apesar de toda a austeridade, constitui uma atitude de muito pouca honestidade, por um lado, para quem jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e, por outro, assumiu ser o Presidente de todos os portugueses. 
Desta visita extemporânea e sem qualquer resultado prático ficou a ideia transmitida pelo Presidente que a almofada é boa e que a nossa banana é "maior e mais saborosa". De resto, nem uma palavra sobre a dupla austeridade, sobre a dívida da Madeira, sobre a pobreza, sobre as questões relacionadas com a mais taxa de desemprego do país, sobre as questões da saúde e da educação. Esses não são assuntos do Presidente. Se o "porco" está magríssimo e que não existe saída possível para pagar as megalomanias, bom, esse drama que a todos aflige, não constitui contas do seu rosário.  
Ilustração: Google Imagens.

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