domingo, 1 de novembro de 2015

ILITERACIA POLÍTICA OU COMO O SHOW-OFF TOMA CONTA DA POLÍTICA


Sou muito sensível às políticas sociais. Sublinho, políticas sociais. Porque o show-off da politiquice social, onde cabem os que se pavoneiam à custa da pobreza, aqueles que pedem fé como se ela resolvesse o pão de cada dia, os que apoiam a caridade ao jeito do que foi o "movimento nacional feminino" de triste memória, enfim, irritam-me todas essas demonstrações de pretensa solidariedade. Sensibilizam-me, todavia, as centenas de voluntários que, nas instituições que esbatem a fome, lutam todos os dias, anónima e discretamente, para que o desastre não seja maior. Os da politiquice apenas desejam aparecer, tudo servindo para mostrar a sua presença ao mesmo tempo que demonstram a sua oca actuação. Questiono, a propósito, qual o interesse de uma campanha informativa designada por "Literacia Financeira - faça Contas à sua Vida", segundo li, com o objectivo de sensibilizar as pessoas para a gestão dos seus orçamentos, sobretudo quando o Natal se aproxima? Politiquice, óbvia.


Mas quem não faz contas à vida, senhora secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais? Para os pobres cada mês falta mais mês. A esmagadora maioria dos aposentados e pensionistas há muito que andam com o credo na boca contando euro a euro até à próxima vinda do correio ou do depósito bancário. Os que foram vítimas das políticas económicas que conduziram ao desempregado e que vivem na dependência de familiares, nem contas fazem! Mesmo os que dispõem de alguma folga financeira, esses, pensam duas vezes antes de consumir. Os ricos, muito ricos e os novos milionários continuam a sua vida investindo ou gastando como melhor lhes apetece. Restam os muitos que estão envolvidos em processos de incumprimento e, de "corda ao pescoço", obviamente que se limitam a gerir o dia-a-dia. Aliás, que o digam as empresas de quase todos os sectores, sobre o que está a acontecer ao nível do consumo. Daí que aquela iniciativa que pretende que as pessoas façam "contas à vida" seja inócua e despropositada. Trata-se, apenas de politiquice. É iliteracia política. Não tarda e, no âmbito da Inclusão, estão a aconselhar hortas caseiras!
Medida de grande alcance para todos os mais vulneráveis seria, por exemplo, que secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais anunciasse a atribuição de € 50,00 como complemento regional de pensão, aos pensionistas que auferem valores abaixo do limiar de pobreza. Uma proposta, com barbas, de quase todos os partidos da Assembleia Legislativa da Madeira, mas sempre chumbada pela maioria. Não resolvia tudo, é certo, mas ajudava na dignidade de vida a que todos têm direito. Bastaria copiar o que se passa na Região Autónoma dos Açores. O exercício da política senhora governante é, repito, muito mais que show-off.
Ilustração: Google Imagens.

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