sábado, 12 de dezembro de 2015

A HORA DA VERDADE


O PS-M não é, nem será, a bengala do PSD-M para esconder as insuficiências de governação ou as incongruências políticas que têm norteado os dirigentes reciclados de um PSD-M cheio de vícios e incapaz de se adaptar aos tempos de colaboração e cooperação inter-partidária, em prol da Região, que o PS-M tem construído ao longo dos últimos meses. Não é preciso esperar mais para compreender que o caminho deste PSD-M recauchutado, depressa se cruzará com as práticas conhecidas do PSD-M original. Esta frase, aparentemente surpreendente, nada tem de surpresa. Nunca esperei nada de novo de um PSD-M que escondeu alguns dos seus principais protagonistas, mas manteve a base de apoio que se reorientou descaradamente em direcção ao cheiro do poder, não sem, pelo caminho, aplicar facas nas costas de muitos lutadores sociais democratas por uma autonomia aprofundada e responsável.


Os actuais dirigentes sociais democratas voltaram ao vale tudo. Primeiro, mostraram uma peculiar e anormal vontade de estabelecer plataformas de consenso lançadas pelo PS-M mas, à primeira oportunidade, mataram o trabalho concretizado. Um esforço genuíno, que defendia a Madeira em torno do novo hospital e a forma de o concretizar. Sabemos hoje que a aparente atitude de colaboração e consenso não era uma vontade genuína mas um truque partidário. Mas, os sinais do regresso ao passado não ficaram por aqui. Andaram cegos, surdos e mudos durante um longo período de ajustamento das contas da Região e permitiram que todas as atrocidades fossem cometidas aos madeirenses, incluindo deixar, sem discussão, que a coligação PSD-CDS tenha ficado com 60 milhões de euros da sobretaxa de IRS cobrada na RAM , numa clara violação à filosofia do Estatuto da Região . Estiveram, sobre este tema ( e muitos outros) calados 4 anos, incluindo os 7 meses em que o PSD-M de Albuquerque partilhou a governação com a coligação PSD-CDS, o que representa, só neste assunto, uma perda de quase 9 milhões de euros para os cofres da Região. Mas, de repente, sem mais delongas, e logo que em Lisboa passou a governar o PS, reaparece o PSD-M esquecido mas agora reforçado de energia. Assim, cheios de convicções e idealismos autonomistas, pedem responsabilidades ao PS-M. Querem que seja o PS-M a resolver o que não resolveram, ou sequer colocaram na agenda política. Em 4 longos anos que partilharam a governação com a coligação PSD-CDS só se ouviram desculpas e encolher de ombros, perante as sucessivas acções contra a Madeira. Aliás, os que dentro do PSD-M destoaram desta concordância até tiveram a falta de solidariedade da actual liderança do PSD e total falta de solidariedade.
Na prática pelo que vi e ouvi, querem que o PS-M assuma as responsabilidades do PSD-M e têm a ousadia de afirmar tudo isto num formalismo que tem tanto de anedótico como de descredibilizacão da seriedade política . Mas vão mais longe. Além da sobretaxa também querem que a solução para o hospital fique nos ombros do PS-M. Da parte do PSD-M parece bastar esta dialéctica de passa culpas e responsabilidades, porque nem sequer tentaram disfarçar a convicção, que hoje já tenho, que nada farão para a construção do novo hospital. Se dúvidas existisse, a ausência de referências, ou cabimento orçamental, no orçamento regional, demonstra esta triste constatação. 
Mas ao que vejo a procissão ainda vai no adro. Por isso, estou à espera que o PSD-M apresente o menu completo das exigências: deverão querer que o PS-M resolva a negociação da dívida, o aumento das transferências do Do fundo de coesão, o pagamento da saúde e da educação e por aí fora, numa afirmação displicente e irresponsável.
Posto isto, quero informar, os senhores em causa, que o PS-M estará sempre ao lado dos madeirenses e contribuirá com as suas iniciativas para a defesa dos dossiers que interessam a Madeira. Mas isto não significa que permitimos que o PSD-M se encavalite no PS-M para disfarçar as suas insuficiências e contradições. Não somos o recurso alternativo do PSD-M, não estamos no governo e nem concordamos com o programa aprovado na ALRAM. Por isso, aconselhamos a encontrarem outro poiso para distribuírem a lista de pedidos para Lisboa. Se são incapazes e não têm estratégia de compromisso ou negociação, conforme têm demonstrado, esclareçam os madeirenses que não estão à altura dos desafios.
NOTA 
Artigo de opinião (DN-Madeira), da autoria do Dr. Carlos Pereira, líder do PS-Madeira e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República.

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