quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

EM VEZ DE CIÊNCIA, RIGOR, AVALIAÇÃO CONTÍNUA, INTERVENÇÃO PRECOCE E SUCESSO, FAZEM EXAMES!


Paulo Portas quer exames no 6º e 9º ano. O Primeiro-Ministro, António Costa disse que serão mantidos. Consta que, relativamente ao 4º ano, o  Ministério da Educação já terá decidido substituir os exames de Português e Matemática por provas de aferição, sem carácter obrigatório e apenas para saber se os programas curriculares estão ou não a ser cumpridos. Neste contexto, não me parece que esteja em causa o conhecimento, mas o controlo dos professores. Sinceramente, não tenho nada, rigorosamente nada a ver com esta gente que assim decide no que ao sistema educativo diz respeito. Andam todos ao contrário da generalidade dos investigadores. No plano pessoal, sinceramente, não tenho pachorra para tanta anormalidade. Reconheço as minhas lacunas de conhecimento, mas há uma coisa que possuo: a capacidade de ler e de cruzar a informação conjugada com mais de quarenta anos de profissão docente. Há tanto por onde começar, mas, para já, deveriam iniciar pela leitura de um texto (Setembro de 2015) do "Observatório das Políticas de Educação e de Formação". Aqui. ("Menos Estado Social, uma Escola mais Desigual", coordenado pelos investigadores Ana Benavente e Paulo Peixoto)



Por isso, porque me falta paciência para engolir tanto disparate, deixo aqui um texto publicado no sítio da internet da RTP, em Novembro de 2014, com declarações da ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente (PS) do governo do Engº António Guterres, que considera que a elaboração de ranking's tem "um horroroso efeito perverso", com o Governo a premiar as escolas que apresentam melhores resultados e a punir as que têm mais dificuldades. "Nada de mais errado no que diz respeito às políticas de igualdade, de inclusão, de democratização da educação para todos". Em entrevista à Lusa a propósito da divulgação dos rankings das escolas, elaborados a partir de dados disponibilizados pelo Ministério da Educação, Ana Benavente criticou também a forma como são feitos os estudos internacionais, nomeadamente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). "Estes estudos teriam interesse se servissem para os governos e as escolas melhorarem o seu trabalho, mas transformaram-se numa espécie de campeonato entre países, tal como há campeonatos de futebol ou de outra modalidade qualquer", lamentou. Ana Benavente assume-se "frontalmente contra os exames" no 4.º, no 6.º e 9.º ano de escolaridade, por entender que vieram reforçar as componentes de competição individual, desvalorizando a formação das crianças e dos jovens enquanto cidadãos. Para Ana Benavente, a escola tem vindo a sofrer nos últimos anos as consequências de políticas "conservadoras e elitistas". Também os estudos internacionais, disse, têm reforçado as pedagogias tradicionais, a competição entre alunos e entre escolas, mas "não no sentido de reforçar a articulação com a comunidade, de formar pessoas melhores, com mais espírito crítico, mais capazes de intervir, com mais saberes". Apesar de ser contra os exames, Ana Benavente admite que se façam no ensino secundário, por se tratar do final da escolaridade obrigatória e estar em causa o acesso ao ensino superior. (...) Já nos anos anteriores (4.º, 6.º e 9.º) considera que introdução de exames um acto "absolutamente criminoso". Ana Benavente prefere o modelo das provas de aferição que as escolas faziam anteriormente para saber se havia disparidades e dificuldades na aprendizagem, usando os resultados internamente. "Aquilo a que assistimos agora é uma caricatura, com estes exames em todos os ciclos e depois com um ranking de escolas que apenas serve para a imagem social, para os pais depois verem as escolas ´boas´ e as escolas ´más´ onde querem por os filhos e para o ministério financiar as que têm bons resultados, como prémio, e castigar as outras", criticou. "Isto vai ao arrepio de todos os saberes sociológicos, daqueles saberes que nós pensávamos que estavam adquiridos numa sociedade conhecedora e culta", afirmou a especialista em sociologia da Educação.
NOTA
E na Madeira, com a Educação politicamente regionalizada, cujo Estatuto Político-Administrativo considera, no Artigo 40º, alínea o), a EDUCAÇÃO como "matéria de interesse específico", que pensará o governo e, particularmente, o secretário regional da Educação? 
Ilustração: Google Imagens.

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