quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A ENGRENAGEM ESTÁ MONTADA


É certo que o candidato Marcelo Rebelo de Sousa anda a fazer-se de morto. Com desrespeito pelos adversários até já disse que dentro de semanas será presidente. Tenho a sensação que o tiro sair-lhe-á pela culatra, desde que se iniciaram os debates entre candidaturas. O comentador e fazedor de opinião tem sido uma sombra daquela atitude de tudo sabe que o marcou durante anos. Da política ao futebol passando pelos livros, Marcelo demonstrou sempre, eu não diria arrogância, mas a transmissão de uma ideia de homem providencial. Ganhou embalagem, candidatou-se e nem um cartaz na rua que sintetize ao que vem. Nada. Tipo pobrezinho mas honrado, tal como em outros tempos! Agora, nos debates, do discurso a solo para a confrontação das ideias, sinceramente, não consegui até hoje reter, no mínimo, uma. A segunda volta parece-me estar no horizonte mais provável. 


É evidente que compete aos portugueses a eleição do próximo Presidente da República. Eu já fiz a minha opção e, certamente, uma grande parte dos meus concidadãos terão em consciência a sua aposta. O que eu lamento é a ausência de independência de alguma comunicação social. Uns são filhos e outros enteados. A Marcelo abrem-se-lhe as portas, a outros, condiciona-se. São tantos os exemplos. É uma luta que me parece desigual, umas vezes de forma descarada, outras, subtilmente concretizadas. Por exemplo, em tempo de campanha (pré-campanha!) havia alguma necessidade da TVI escutar a opinião do Professor Freitas do Amaral? A este propósito li (aqui) um texto da autoria de Fernando Paulouro Neves: 
"Na engrenagem de propaganda ao candidato Marcelo Rebelo de Sousa, a tvi levou lá o Prof. Freitas do Amaral, a fazer o frete lamentável de elogiar o parceiro. Um tempo de Antena, à semelhança dos que havia antigamente. Não esperava, contudo, assistir a um procedimento pusilânime de Freitas do Amaral, onde, assumindo a postura de inspector pidesco disse desconhecer a vida (privada?política?) do Prof. Sampaio da Nóvoa, chegando ao ponto de insinuar que ele poderia estar em Tancos, no 25 de Novembro. A Pide ou a DGS, que é mais do tempo em que Freitas abençoava a ditadura, não fariam melhor. A "jornalista" poderia ter-lhe dito que até foi publicado, já durante a campanha, uma biografia (não oficial) do Prof. Sampaio da Nóvoa, com a fotografia do candidato na primeira página, que é um trabalho sério do jornalista Fernando Madaíl, como reconheceu, aliás, Pacheco Pereira que sublinhou o facto de isso nem sempre acontecer em biografias que andam por aí (a de Passos Coelho, por exemplo). Nesta campanha eleitoral não têm faltado à comunicação social a fabricação de acontecimentos de favorecimento do super-protegido Marcelo, tratado como um candidato que Deus tivesse enviado à "santa terrinha" (como dizia o Jorge de Sena) para redimir o comportamento político dos indígenas.
Tão indignado como eu, o meu amigo António Russo Dias colocou o seguinte comentário na sua página: "Compreende-se o apoio de Freitas do Amaral a MRS. Ele próprio enumerou algumas razões como a antiguidade da amizade e os laços académicos e profissionais que os unem. "Esqueceu-se" de uma outra: ambos foram entusiásticos apoiantes do fascista Marcelo Caetano. Veremos agora quais serão os apoiantes dos outros nove candidatos que a seráfica locutora entrevistará a seguir".
Ilustração: Google Imagens.

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