terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A INDEPENDÊNCIA DE MARCELO É UMA TRETA


O candidato à Presidência da República Marcelo Rebelo de Sousa, sistematicamente, parece-me olhar ao espelho e questionar: espelho meu, espelho meu, há alguém mais independente do que eu? Apenas fui fundador do PSD, presidente do PSD, deputado do PSD, autarca do PSD, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros pelo PSD, Ministro dos Assuntos Parlamentares pelo PSD, conselheiro de Estado pelo PSD, professor nas universidades abertas do PSD, enfim, entre tantas funções, alguém poderá colocar em causa a minha independência, perguntará. A verdade, porém, é que assisto ao seu insistente posicionamento como verdadeiro e único independente. Quando não tem nada de independente este assumido neoliberal, tal como a esmagadora maioria dos candidatos não deve assumir uma espécie de virgindade política. Como se isso fosse possível! Obviamente que todos temos as nossas convicções que devem ser respeitadas. Compete-nos, agora, enquanto eleitores, ouvir, perceber a sua mensagem, relacioná-la com tudo o que se encontra à volta, não seguir o caminho dos fazedores de opinião e definir quem melhor assegura a mais alta Magistratura de Portugal. Marcelo independente é, portanto, uma treta.


Eu que sou militante socialista não aposto nos socialistas Henrique Neto e Maria de Belém. Têm esse direito de candidatura, mas com todo o respeito pelos seus percursos de vida, oiço-os e neles não vislumbro a conjugação de capacidades que podem tornar Portugal diferente. Tenho, desde há muito, por Edgar Silva uma grande estima e consideração pessoal, um Homem bom que fica na História da Madeira pela sua vida dedicada à luta pelos que se encontram nas margens da sociedade, porém, neste momento e no contexto da correlação das forças políticas, reconheça-se que não existem condições objectivas para a sua eleição. Prefiro o reforço no candidato que se apresenta abrangente, que transporta princípios e valores sociais, que conhece como nenhum outro as verdadeiras questões da Educação e da Ciência que poderão, a prazo, tornar Portugal um país diferente e competitivo. A questão essencial é esta: ou temos alguém na Presidência com um olhar diferente que provoque um choque nos direitos sociais, mobilizador de qualquer partido que lidere o poder executivo, ou arrastar-nos-emos nesta lengalenga tal como foram estes dez anos perdidos de Cavaco Silva. 
O meu posicionamento por Sampaio da Nóvoa vem de longe. Li muito dos seus contributos para a Educação e Ciência, única forma de romper com a pobreza "que se está a tornar paisagem", conheço a forma clara e muito incisiva como aborda os temas sociais, sei da sua atitude conciliadora através do diálogo, que não é pessoa para olhar para a Constituição da República e entendê-la como um empecilho aos grandes interesses, portanto, emergindo esta candidatura de uma decisão individual e não vinculada a grupos, entendo-a como a que melhor serve Portugal. E isto tudo para dizer que Marcelo Rebelo de Sousa não pode querer passar por aquilo que não é.
Ilustração: Google Imagens.

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