quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

UM GOVERNO REGIONAL FRACO E SEM PROJECTO. O QUE RESTOU DE NOVE MESES DE GOVERNO?


Temos o "direito" a uma governação de excelência. No mínimo, através dela consigamos deduzir duas coisas: primeiro, que as promessas eleitorais são para se cumprirem; segundo, que a estratégia política adoptada nos conceda pelo menos uma ideia portadora de futuro. Quando as promessas falham, quando se arranjam desculpas esfarrapadas, quando se remetem para outros responsabilidades que são, neste caso, do governo autónomo, aí, não há absolvição possível. Para mim, são iguais aos que antecederam. Aliás, nunca disso duvidei. Isto a propósito do governo regional da Madeira que dá indicações de não conseguir resolver assuntos da máxima importância, prometidos mas, sucessivamente, adiados. Não é entendível o arrastar da situação das ligações marítimas ao Continente, a trapalhada que foi e tem sido o subsídio à mobilidade, a penosa história do avião cargueiro e até a construção do novo hospital. Junta-se a isto as parcerias público-privadas, a gravosa situação das sociedades de desenvolvimento, os sectores da saúde e da educação, os monstros construídos sem utilização proporcional aos investimentos realizados, pelo que se pergunta, então, se foi para isto que os madeirenses deram uma nova maioria ao PSD sob a máscara da "renovação"?

Deputado Carlos Pereira (PS)

Tem razão o Deputado Carlos Pereira (PS) quando, perante este quadro que denuncia incompetência governativa à mistura com muito show-off diário, assume: "(...) Estamos perante um Governo Regional com as más práticas dos charlatões, que finge atributos e qualidades que não tem, visto nunca passar das intenções, que vive apenas de propaganda das eternas promessas constantemente anunciadas e reanunciadas, mas nunca concretizadas" (...) "Esta "calimerização" do presidente do Governo Regional, com o seu pedido de SOS à República, reforça o que o PS-Madeira tem dito: este fraquíssimo Governo Regional não tem soluções para resolver os problemas que tanto afectam os madeirenses e porto-santenses nem dignifica a Autonomia, mais parecendo um "pajem" de Lisboa". 
Alguns, é certo, poderão não gostar desta incisiva e aberta análise, mas é a realidade. Entre o que se vê e o jardinismo venha o diabo e escolha. O Dr. Miguel Albuquerque, quando se candidatou, conhecia a complexa situação da Região com mais de seis mil milhões de dívidas, mas sabia mais, que há um Estatuto Político-Administrativo, que os sectores estão regionalizados, que os impostos gerados na Madeira aqui ficam, e sabia que a Madeira é, no plano institucional, quase um Estado dentro do Estado e sabia, por tudo isto e muito mais, que não podia falhar sob pena da descredibilização política do seu governo. E o que está a acontecer conduz a essa leitura, pela ausência de decisões políticas e pelo arrastar de outras que mereciam opções claras. Pergunto: o que restou destes nove meses de governação? Continuar a "chutar" para Lisboa a bola dos problemas é não ter consciência que a Região é autónoma, dispõe de uma Assembleia Legislativa, de um governo próprio e de um orçamento próprio. E quem conhece ou deveria conhecer a situação da Madeira não deveria, obviamente, prometer o que sabia não poder concretizar. As pessoas estão fartas e cheias de promessas não cumpridas, da mesma forma que já tomaram consciência de que nada vale edificar de forma desproporcional à realidade regional, quer pelo número de habitantes quer, ainda, pela debilidade e dependência financeiras. Há prioridades a respeitar. O problema é que nem as prioridades são assumidas. Com o desemprego a crescer em linha com a emigração, com as responsabilidades financeiras a caírem nas mesas de trabalho, presumo que se aproximam tempos muito mais complexos. E não vejo quem neste governo tenha unhas para tocar esta guitarra de muitas cordas!
Ilustração: Google Imagens.

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