domingo, 14 de fevereiro de 2016

DURÃO DE CABEÇA


"Não coloco no catálogo do impossível uma guerra generalizada" (...) por força da globalização, "os Estados já não controlam os acontecimentos", havendo um "problema de legitimidade e de efectividade." (...) mas deve-se evitar "o regresso à guerra fria (...)", disse Durão Barroso. Entretanto, não sei se como resposta, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, afirmou, ontem, sobre as relações entre a Rússia e o Ocidente "podemos dizer as coisas claramente: deslizámos para um período de uma nova Guerra Fria". Ora bem, o discurso de Durão Barroso, personalidade detentora de informação privilegiada, nunca deveria ser aquele. Antes de apaziguamento das tensões, de chamada de atenção para os perigos e de conjugação de esforços. Coisa que nunca o fez, desde o tempo de Primeiro-Ministro de Portugal, quando abriu as portas dos Açores para a reunião que viria a despoletar a guerra no Iraque. A guerra que, porventura, está na origem de muita instabilidade. Mas não entro por aí porque não estudei nem sou especialista nestas matérias.


Mas tenho direito a questionar: como é que pode agora falar de "guerra generalizada", um eufemismo de "guerra mundial", quando ele próprio (indirectamente, claro) tem as mãos manchadas de sangue? Como pode dizer que "os Estados já não controlam os acontecimentos", quando esteve dez anos à frente da União Europeia e o comum dos cidadãos europeus não deu conta de posições serenas, equilibradas e de estadista, no sentido de travar o "regresso da guerra fria"? Foi durão de cabeça! Mas percebo a engrenagem. O que se passa por detrás da cortina escapa ao comum dos cidadãos. Durão Barroso pertence ao Clube Bilderberg, um governo oculto do mundo, como é (re)conhecido. Por detrás das palavras, de Durão e de outros, existe um mundo escondido, secreto e misterioso que conduz e impõe as regras deste jogo viciado. Leio e reflicto:
"Mais de um terço dos comissários que fizeram parte do segundo executivo de Durão Barroso na Comissão Europeia aceitaram empregos em empresas e organizações que os colocam numa posição em que podem fazer lóbi à Comissão Europeia. Durão Barroso é quem acumula mais postos neste período pós-Comissão, pelo menos notificados, com 22 cargos em diferentes organizações:
Membro do Institute of Public Policy de Belgrado; Chairman da UEFA Foundation for Children; Professor visitante da Universidade de Princeton; Membro do conselho consultivo da McDonough Shool of Business, da Universidade de Georgetown; Membro do conselho internacional da Ópera de Madrid; Membro da administração do The Europaeum; Membro do Steering Group das Conferências de Bilderberg; Atividades no Fórum Económico Mundial; Professor honorário do Instituto Politécnico de Macau; Membro do conselho consultivo do Women in Parliament; Membro honorário da administração da Fundação Jean Monnet para a Europa; Seminários e palestras na Universidade Católica de Leuven; Professor Visitante da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa)
Eventos com o Speakers Bureau in Londres e Washington; Professor visitante da Universidade de Genebra; Seminários e palestras na Universidade de Genebra; Professor visitante do Graduate Institute of International and Development Studies de Genebra; Professor visitante na Universidade da Califórnia; Co-Presidente honorário do Centro Europeu para a Cultura; Presidente honorário do comité honorário da European Business Summit; Presidente emérito do Teneo Leadership Institute da Universidade de Cornell; Presidente da Fundação do Palácio das Belas Artes de Bruxelas". 
É esta engrenagem, muitas, dizem, "pro bono", a par de muitas outras, que arquitectam o pensamento político que desejam ou o comportamento que esperam por parte das populações. Como sair desta sofisticada engrenagem é a questão central.
Ilustração: Google Imagens.

Sem comentários: