terça-feira, 1 de março de 2016

O GOVERNO REGIONAL E O DINHEIRO QUE VOA


Regresso ao mesmo. Quem tem responsabilidades governativas gasta (significado muito diferente de investir) e nada lhe acontece. O empresário ou o cidadão mais anónimo, por razões até do próprio mercado, entre outras, vê a sua vida andar para trás quando as receitas não chegam para liquidar as diversas obrigações mensais. Quantos estão na insolvência e quantos vivem, hoje, com problemas judiciais e, naturalmente, familiares! Porém, o governante, pode dar-se ao luxo de esbanjar, e desde que o dinheiro tenha "enquadramento legal", como vulgarmente se diz, "o seu mal é batatas". E vem isto a propósito da peça publicada hoje no DN que teve apenas o condão de situar os números, uma vez que a situação há muito que é conhecida. A Representação Permanente do Governo Regional (REPER) em Lisboa, sublinha o DN, tem uma "renda de 7000 euros mês" (...) "ou seja, em oito anos, 672 mil euros" voaram, só em rendas. "A isto acrescem as obras de remodelação realizadas por uma empresa do grupo Tâmega e o valor do projecto de arquitectura do Atelier Caires, no Funchal, bem como as despesas de manutenção, que nem sempre foram pagas". É caricato, mas, em 2011, "a casa ficou sem água, luz e telefone por falta de pagamento".


E ninguém foi, é ou será responsabilizado. Durante anos assistiu-se a um silêncio quase absoluto sobre esta matéria. O actual governo, sublinha o Diário, "acabou com uma espécie de embaixada da Região, inaugurada em clima de festa, em 2007, por Alberto João Jardim, no Restelo, para servir de escritório ao Governo Regional e albergar a casa da Madeira na capital, que estava despojada de instalações". Assumo eu, já o devia ter feito, há muito, e o próprio secretário regional das Finanças, que teve responsabilidades no anterior governo, também há muito deveria ter tido a frontalidade política de dizer não àquela pouca-vergonha paga com o dinheiro dos nossos impostos. Nem o actual presidente do governo, ao longo de muitos anos, se posicionou, no plano político, nem outros governantes o fizeram. Chegado ao limite não teve outro remédio. E ainda passa como figura que teve a coragem de colocar um ponto final na triste história. Espantoso. E ninguém foi, é ou será responsabilizado!
O que custa aceitar é o facto da Região andar com o credo na boca, com "paletes" de facturas por liquidar, e sabermos destas megalomanias que nem os ricos se dão ao luxo. O povo paga. Paga nos impostos. Paga retirando-lhe apoios sociais. Paga retirando o subsídio de insularidade. Paga sendo sócio, mesmo sem querer, do JM, dos clubes profissionais de futebol e de outras sociedades anónimas desportivas. Paga as despesas de uma Administração Pública claramente desproporcional às necessidades. Paga as obras desajustadas e muitas ao abandono. O povo paga. Que remédio? É claro, dirão alguns, que isto se resolve nos actos eleitorais. É verdade. Mas, o conhecimento de todas estas embrulhadas de milhões chegará à maioria do povo eleitor? Obviamente que não chega. Amanhã, no turbilhão das notícias, este assunto já não constitui tema de reflexão.
Ilustração: Google Imagens.

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