terça-feira, 29 de março de 2016

SUBSÍDIO DE MOBILIDADE E A INCAPACIDADE DE OUVIR OS UTENTES


O secretário regional da Economia, Turismo e Cultura continua a defender as vantagens do subsídio de mobilidade. Na sua opinião é tão fantástico que, agora, qual paradoxo, culpa o governo da República pelo atraso na revisão do modelo. Cheguei a pensar que o erro de avaliação seria meu, tanta foi a propaganda feita. Calei-me, até porque não tenho viajado com regularidade. Mas tenho seguido os comentários, as "cartas do leitor", as peças jornalísticas, os textos nas redes sociais e tantos desabafos com quem me cruzo, desde agentes de viagens a pessoas do meu círculo de amizade. Porém, o discurso já não é substancialmente o mesmo, o secretário que, em nome do governo, só via maravilhas, assumiu, hoje, que o regime é "francamente positivo". Parece que já não é indiscutível e, daí, toca a atirar a batata quente para Lisboa. Pergunto, então, por que não ouviu, atempada e serenamente, aqueles que duvidaram e colocaram em causa as fragilidades do regime em vigor? 


Governar implica ter uma enorme humildade e capacidade de auscultação. Não é que tudo o que por aí possam dizer seja correcto, até porque as pessoas não dominam todas as variáveis, mas existe uma vivência e conclusão derivada da utilização de tal regime. E essa é a melhor percepção que se pode ter. Parece-me muito pouco sensato insistir na defesa de uma posição quando, de forma generalizada, as queixas são muitas. As tarifas foram inflacionadas e a pouca-vergonha dos preços praticados em épocas festivas demonstram que, afinal, este regime deveria ter sido melhor pensado, quer na vertente dos custos para o utilizador, quer para o Estado. Ainda hoje um leitor deixou escrito no online do DN em resposta ao secretário: "(...) Positivo para quem? Para mim e para a maioria dos viajantes madeirenses de certeza que não foi. (...)" - Daimex
Mas este governo parece-me que segue peugadas do anterior. Diz-se dialogante, mas a prática é outra. Talvez seja por inexperiência política e governativa, porque por soberba talvez não seja. Concedo o benefício da dúvida.
Ilustração: Arquivo próprio.  

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