quarta-feira, 6 de abril de 2016

O BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME NÃO DEPENDE NEM DA IGREJA NEM DO GOVERNO, MAS HÁ QUEM DESEJE CONTROLAR A INSTITUIÇÃO


A 10 de Março de 2011, depois de largos meses de propostas sempre chumbadas (algumas com muitos anos protagonizadas inúmeras vezes pelo PCP, mas também pelo PS), eu, enquanto líder parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da Madeira, e o Dr. Bernardo Martins, da Comissão de Assuntos Sociais e Saúde, tivemos uma reunião, na sede do Banco Alimentar, com a Drª Isabel Jonet, Presidente da Federação dos Bancos Alimentares. Um encontro esclarecedor onde ficou muito claro: primeiro, a inexistência de um Banco Alimentar na Madeira (dedução nossa) ficava a dever-se a constrangimentos regionais de natureza política; segundo, que qualquer Banco Alimentar Contra a Fome assenta em um quadro de rigorosa independência estatutária, que NÃO DEPENDE NEM DA IGREJA NEM DO(S) GOVERNO(S), porque é gerido de forma totalmente independente. 


Certo é que, perante o aumento da pobreza e não podendo mais o governo do PSD esconder essa realidade, optou por recuar, apadrinhar e apanhar a onda. Daí que continuem a não respeitar a instituição que, repito, não depende nem da Igreja nem do governo. Um princípio que a secretária da Inclusão e dos Assuntos Sociais não entende, ou não quer entender, isto é, a necessária separação institucional. E assim, ora aparece no Banco Alimentar em um dia de recolha de produtos alimentares, como agora chamou a Drª Fátima Aveiro, responsável pelo Banco Alimentar na Madeira para exercer funções no Laboratório Social, criado pela Secretaria Regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais (SRIAS).
Tenho a maior consideração pelo trabalho da Drª Fátima Aveiro, que não tem procurado protagonismos bacocos, não procura, diariamente, as páginas dos diários, desempenha apenas a sua função e bem no âmbito da solidariedade social. Do meu ponto de vista assim deveria continuar. Não tinha necessidade de abraçar este Laboratório Social, para mais, ainda, porque está na história do processo, o facto do PSD ter chumbado, no Parlamento, todas as iniciativas para que se procedesse a um estudo sobre a pobreza na Madeira. 
Depois, parece que, na Região, não existem outras pessoas qualificadas e com sensibilidade social para tal função. O que deduzo, volto ao princípio, é que o governo quer, subtilmente, controlar e retirar dividendos políticos de uma missão que compete à sociedade e aos voluntários desenvolver. O problema é que esta secretaria da Inclusão e dos Assuntos Sociais, parece que todos os dias tem descobrir uma qualquer coisita para aparecer. É notória essa sede. Não existe discrição no trabalho em favor dos mais vulneráveis. Existe sim uma necessidade de protagonismo político e pelas vias menos correctas. Repito, o Banco Alimentar não depende nem da Igreja nem do governo, é independente, e assim deverá continuar a sua notável Missão. Misturar funções não fica nada, rigorosamente nada, bem!

2 comentários:

Anónimo disse...

Concordo totalmente com o teor do seu texto. Sem dúvida que há uma sede enorme de tudo controlar. Parceria? Cooperação? Pelas ruas da amargura... Oxalá esteja a ver mal e a entender pior, mas estamos a retroceder. Vale tudo para aparecer, é a corrida, a feira, os grupo de trabalhos de tanta coisa , a conferência, o workshop, o cabaz, os ranchos das casas do povo, a formação para voluntários, etc. É só acompanhar diariamente a comunicação social.Um frenesim estonteante.Não deixando de valorizar muitas destas iniciativas a pergunta é, o essencial está a ser cuidado? A pobreza continua a aumentar, os maus tratos também, há cada vez mais idosos sós e dependentes,o desemprego é grande, o trabalho precário veio para ficar,etc.
Voltando ao Banco Alimentar na Madeira tenho uma dúvida : Qual a relação da associação Mão Amiga ( julgo chamar-se assim ) com o BA?
A Dra Fátima Aveiro estava muito bem no BA. Porque se mexe no que deu tanta dor de cabeça para ser conseguido? Antes de 2011 ( 2007, 2008?) a Dra Isabel Jonet esteve na Madeira,em Santa Clara, onde foi promovido um encontro na tentativa de lançar, à data, o projecto...

Anónimo disse...

Correcção: Não é Mão Amiga. É Banco Alimentar - Mão Solidária- Associação de apoio à distribuição alimentar na RAM.
Apresento as minhas desculpas pelo lapso.