terça-feira, 14 de junho de 2016

VÂNIAS HÁ MUITAS... DE JESUS, POUCAS!



Disse a deputada do PSD-M que "o país está pior e que começa a ser preocupante ver o governo a ceder diariamente aos partidos de esquerda" (transcrição do texto do DN-M). Ora, o que isto quer dizer é que a Senhora Deputada é contra a devolução dos salários roubados, é contra o aumento do salário mínimo, é contra a melhoria dos abonos, de família e complementos, que abrangerão cerca de 35.000 na Região, é contra as alterações em sede de IRS, é contra a baixa do IVA na restauração, é contra as penhoras da habitação, é contra uma posição firme relativamente às imposições de Bruxelas, por extensão, é favor da pobreza, do desemprego e da dupla e continuada austeridade. Está, portanto, pior, em quê? A posição da Deputada equivale assumir, por exemplo, que agora, na Madeira, estamos piores que no tempo de Alberto João Jardim. Atrever-se-á a dizer isso? 


Ser deputado não é ser ventríloquo de pensamentos e palavras de outros. Porque dá jeito, mesmo que isso viole a consciência. Exige-se seriedade nas análises e compromissos. Quando não se concorda, assume-se, com frontalidade. Quando a pressão é alta, então, o melhor é sair, deixar o lugar por respeito a si próprio. Dizer por dizer, porque dá jeito, do meu ponto de vista, não credibiliza nem o exercício da política nem os seus actores. É por isso que seja caso para dizer que "Vânias há muitas... de Jesus, poucas". Porque Jesus, aquele que pregou o bem, a solidariedade, a humildade, a justiça e o amor, não se coaduna com o significado do nome Vânia ("abençoada por Deus" ou "a que traz boas notícias"). Existe aqui uma discrepância significativa, pelo que, repito, parafraseando Vasco Santana, Vânias há muitas"!
Imagine-se, Senhora Deputada, ter como rendimento o salário mínimo nacional, ou, então, o dobro desse salário. Como viveria ou sobreviveria? Mas é assim que a esmagadora maioria das pessoas, os que trabalham, claro, têm de contrapor as dificuldades da habitação, da saúde, da educação, ah... as dificuldades da alimentação, do vestir, do calçar, dos transportes, das comunicações e de tudo o resto. Estamos piores? Claramente, não estamos, mas verdade se diga, muito longe, ainda, dos patamares mínimos que a dignidade humana exige. Não esqueço que, teimosamente, o grupo parlamentar a que pertence, chumba todos os apoios complementares, por exemplo, aos pensionistas e idosos da Região. Ao contrário do que acontece nos Açores, cujo Orçamento Regional destina uma parcela a quem, de facto, está pior. Afinal, de que lado está, do lado da dignidade do ser humano, ou do lado do espezinhamento dos pobres?
Ilustração: Google Imagens.

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