sábado, 30 de julho de 2016

JUSTIÇA IMUNE AOS ASSASSINATOS DE CARÁCTER


O processo Engº José Sócrates "rende como milho de Cabo Verde". Foi detido e preso para ser investigado, porém, até agora, passado tanto tempo, não há acusação e como se isto não bastasse, ouvi, há dias, a possibilidade da data-limite de 15 de Setembro, fixada pela Procuradoria-Geral da República, para ser emitido um despacho de acusação, ou não, ao ex-primeiro-ministro, no âmbito da Operação Marquês, poder não ser cumprida, segundo a declaração de Amadeu Guerra, director do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Quem investiga refugia-se na complexidade e nas perícias sempre demoradas. Não conheço o processo e mesmo que o conhecesse, porque não sou jurista, evitaria sempre qualquer comentário. Enquanto cidadão, seja lá por quem for, gostaria,  apenas, que a Justiça fosse célere dentro dos prazos de razoável compreensão. O que não acontece, quer nos tais casos de especial complexidade, quer nos mais mediáticos, quer em todos os outros que ficam ali a marinar!



Entretanto, os julgamentos vão-se fazendo na praça pública. Mesmo sem conhecimento da história processual, de todos os seus contornos, pelas fugas de informação e através do sensacionalismo de grandes parangonas, que um ou outro órgão de comunicação social se especializou, a destruição da imagem vai fazendo o seu caminho. No caso em apreço, para além dos tais "investigadores", pergunto, quem está em condições de poder ter uma opinião de pendor acusatório? Enquanto cidadão, lá vem a frase feita, a tal que dita que enquanto não existir uma condenação os arguidos são sempre considerados inocentes. Mas fica-me o pressentimento que se esta linha de investigação nada prova, é bem possível que naqueloutra o apanhemos. Será assim? Não sei. Mas o pressentimento trago-o bem presente. A Justiça que sustento e que, certamente, todos defendem, não deve entrar pelo caminho dos indícios que, dizem, suscitam dúvidas, não devem assentar na eternização processual e nos assassinatos de carácter. Se há crime que se puna.
No outro plano, na questão política, aí sim, posso e devo ter opinião. Por muito o ex-primeiro-ministro foi visado e criticado. Acusaram-no de ter conduzido o país quase à bancarrota. Hoje, esse quadro está cada vez mais diluído. Há uma tomada de consciência que a crise começou externamente, que essa crise varreu muitos países europeus, sobretudo os mais vulneráveis e que o famigerado PEC IV, teria constituído a solução, no caso português, após negociação, em Berlim, com o Banco Central Europeu e com Angela Merkel. Sabe-se, hoje, que não fosse o chumbo ao PEC IV, o FMI não teria entrado em Portugal. E que se alguém lutou para que Portugal não ficasse sob o domínio da troika, esse político chamou-se José Sócrates. Não foi nem Passos Coelho nem Paulo Portas! Desses, reza a História, pela fome de poder, chumbaram essa negociação, aliás, idêntica àquela que Espanha seguiu. Para além disto, vieram agora os analistas do FMI assumir que os que propuseram a "receita" a Portugal partiram de pressupostos errados. Um relatório que vem dar razão a vários economistas, inclusive, Prémios Nobel da Economia. Isto não significa que os seis anos de governação do Engº José Sócrates estejam imunes a qualquer reparo. Não, todos os governos, por melhor que seja o seu empenho, deixam sempre margens para a crítica. É natural, no plano democrático, que assim seja. Eu também fiz críticas e muito severas sobretudo em matéria de política educativa. 
Ora bem, abordo o desempenho político em contraponto com o que se passa na Justiça. Há aqui semelhanças, desgastes e "acusações" em catadupa na praça pública, que eu, sinceramente, não aceito. Se na política tudo se julga no direito e dever de votar, e tudo aí termina, já no outro espaço, no campo dos Órgãos de Soberania (e os Tribunais são) também gostaria que tudo fosse mais célere respeitando o princípio que ninguém está acima da Lei.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

FMI "ERROU" NO DIAGNÓSTICO E APLICOU A RECEITA. RESTA SABER SE INTENCIONALMENTE!


Leio no "Observador": "FMI errou na "narrativa". A Portugal faltava poupança, não competitividade. O Relatório independente, encomendado pelo FMI, diz que o fundo desenhou o Programa da troika partindo de um diagnóstico errado. E que chegou ao fim ainda em risco de entrar num caminho "explosivo". O Fundo Monetário Internacional (FMI) aterrou em Portugal em 2011, para desenhar o programa de resgate, trazendo no bolso vários anos de diagnósticos errados dos principais problemas da economia nacional. Foi esta quinta-feira divulgado um vasto relatório, encomendado pelo FMI, em que vários especialistas fazem uma análise independente da forma como o FMI interveio na Grécia, Irlanda e Portugal" (...) O FMI colocou demasiada ênfase na falta de competitividade no sector exportador de Portugal como causa primordial dos défices comerciais e da conta corrente. Não encontrámos suporte a esta análise nos dados". A pergunta é legítima: isto significa(ou) incompetência por parte dos técnicos do FMI ou as análises feitas tiveram um cunho intencional? Porventura, um dia, se saberá.


Eles são técnicos, obviamente, mas respeitam, julgo eu, quem os chefia. Daí que esteja em causa Christine Lagarde. Aliás, Senhora que ao longo de todo o tempo demonstrou avanços e recuos discursivos muito pouco equilibrados para as funções que desempenha. Mas, reportando-me aos técnicos, nunca gostei do ar arrogante, a forma como entravam no nosso Parlamento Nacional, o semblante carregado como se apresentavam, ao jeito de "donos disto tudo", e que terminou (?) com o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Subir Lall, a faltar à reunião da Concertação Social que ele próprio tinha convocado (28 de Junho). Uma deselegância de significado político relevante. A leitura que qualquer pessoa faz de todo este processo, é que a sofisticada engrenagem está muito para além do que os nossos olhos alcançam. 
Lamento, entre outras, três coisas: primeiro a subserviência dos Órgãos de Soberania Nacional, durante quatro anos, ao ponto do então Presidente da República, Professor Cavaco Silva, ter sublinhado: "(...) Foi tomada uma decisão muito importante para o nosso futuro: colocámos atrás das costas a sétima avaliação" (...) "Penso que foi uma inspiração da nossa Senhora de Fátima"; depois, lamento a falta de referências políticas no plano das instituições internacionais. Deixámos de acreditar na honestidade e seriedade dos processos e das concomitantes decisões políticas; finalmente, pelo erro de diagnóstico, pagámos e continuamos a pagar. Quem nos ressarcirá pelos danos?
Em três palavras: somos constantemente enganados. O presente relatório do FMI isso mesmo demonstra.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A HIPOCRISIA SERVIDA COM APARENTE DOÇURA


Sanções "zero" por défice excessivo. Para já, Portugal 1 Comissão Europeia 0. Mas o jogo só agora começou. Vem aí um "prolongamento" de exigências que a mim, cidadão espectador, na bancada, põe-me com os nervos em franja. Pessoalmente, entendo que Portugal tem de continuar em frente, impedindo a devassa do nosso País. Uma coisa é sermos um povo honrado, que paga o que deve, outra é quererem que nos transformemos em uma passadeira vermelha por onde passam os colonos, bem enfeitados, trajando a rigor mas com o cheiro nauseabundo dos interesses que não têm pátria. Os sem rosto pressionaram, tentaram engolir os "comissários" que não são mais do que rodas dentadas da poderosa máquina, porém as suas próprias fragilidades e a débil inteligência política, pelo menos desta vez, soçobrou. Mas, atenção, não desistirão tão facilmente. Foram semanas a fio de toca-e-foge, de provocações, de ameaças, enfim, como se nada mais tivessem a fazer no plano político: o brexit, os refugiados, as desigualdades, assimetrias sociais e a pobreza persistente, a empregabilidade e a precariedade laboral, o terrorismo e os cenários de morte e destruição que se espalham. Zero vírgula dois por cento no défice, aparentemente, tornou-se muito mais importante.


E ontem ouvi-os, tão serenos a "perdoar" quanto de dentes afiados, a impor recomendações de raiz chantageadora. Querem-nos submissos, obedientes, como se este não fosse um País com dignidade quase milenar. Tratam-nos como se paizinhos fossem, a nós e aos outros que tentam sair da canga e do perfil neoliberal que julgam ser o caminho certo! Portanto, é tempo de continuar com firmeza, com seriedade, honestidade e enorme sentido de responsabilidade, repito. Se nos quiserem na casa comum europeia, o respeito pela diversidade dos povos e pela independência terá de constituir a pedra angular. Ainda ontem, embora o contexto tivesse sido outro, por aproximação e sem abuso da minha parte, registei as palavras do Papa Francisco que pode ser aplicada ao que se passa no espaço europeu: "é uma guerra de interesses e pelo dinheiro". Existe, de facto, uma guerra silenciosa. Sem um único tiro essa teia está a matar os desígnios dos povos europeus. Com responsabilidade, Portugal deve continuar a trilhar o seu caminho. Outros nos sigam. A nossa Pátria não está à venda.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

ÓDIOS PARTIDÁRIOS QUE MATAM A SERIEDADE DO EXERCÍCIO DA POLÍTICA


Os deputados do PSD-Madeira na Assembleia da República parecem ter ficado felizes pela Madeira, alegadamente, poder vir a não receber um determinado quantitativo dos fundos da União Europeia. Ao contrário de fazerem coro político com o deputado do PS-M, ampliando a voz na justa reivindicação, resolveram entrar pelo buraco da politiquice barata. Ora, aos olhos do povo, cansados de ver questiúnculas partidárias sem qualquer interesse, parece-me evidente que ninguém se engrandece ao se posicionar nesse entretenimento politiqueiro que nada resolve. É o próprio jornalista do DN que sintetiza: "(...) Em causa está o facto de a Região apresentar um PIB que é claramente inferior ao que serviu de base ao cálculo do valor de apoios que está a receber. O deputado socialista (Carlos Pereira) referiu-se à existência de uma janela de oportunidade para a renegociação do valor. Essa janela é o processo de revisão, encetado pela Comissão Europeia neste ano", devido à alteração das regras de cálculo (Eurostat). Essa renegociação, repito, renegociação, poderia(á) conduzir a Região a ganhar uma parte de 800 milhões disponíveis. Despoletada a situação, dependeria, como é óbvio, do governo liderado por Miguel Albuquerque multiplicar-se em contactos nesse sentido. E se bem me recordo houve declarações políticas do governo regional a assumir que estava atento a esse processo. Eu, que apenas leio e acompanho, fiz essa leitura. 

Deputados
Sara Madruga, Rubina Berardo e Paulo Neves (PSD)

Os deputados do PSD, infelizmente, não conseguem libertar-se da canga que o histórico sistema partidário os colocou. Ou, então, manifestando desnorte, terão ficado perturbados pelo facto dos deputados Carlos Pereira (PS) e Paulino Ascensão (BE) terem sido, de longe, entre deputados madeirenses, os mais activos na Assembleia da República durante a sessão legislativa que agora termina. (aqui). Não se trata, portanto, de "contas mal feitas", mas de uma oportunidade que o governo regional não soube aproveitar ou não está a aproveitar. Aliás, há uma longa história de perda de fundos que não dignifica a acção governativa do PSD e que atinge, segundo julgo saber, mais de mil milhões de euros. Mais, ainda, o mesmo deputado (Carlos Pereira) que falou da possibilidade da Região reivindicar uma parte daquele montante, ao longo dos anos tem acertado com tudo o que às finanças regionais diz respeito. 
Deputado Carlos Pereira (PS)
Lembro-me, por exemplo, quando o governo regional falava e jurava a pés juntos que a dívida da Madeira, em um primeiro momento, não ultrapassava os mil milhões, depois, pressionado, cerca de dois mil milhões, já o Dr. Carlos Pereira dizia, "contas feitas", que a dívida se situava em 6,3 mil milhões. Foi preciso, mais tarde, lembram-se senhoras e senhor deputados, o ministro Vítor Gaspar vir confirmar que, no final do primeiro semestre de 2011, o valor total da dívida era de 6.328 milhões de euros, o que significava 123% do PIB da região utilizando o PIB de 2009. Recordo esta frase: "A situação da Madeira é de crise e insustentável”. Facto que levou o secretário das Finanças de então, Ventura Garcês, assumir que as contas do ministro estavam "tecnicamente erradas". Lembram-se? Porém, sabe-se que a realidade foi a denunciada pelo deputado Carlos Pereira e que, na sequência disso, ficámos a pagar uma dupla e penosa austeridade. Ou será que os deputados do PSD-M desconhecem que ainda por aí anda um processo judicial designado por "Cuba Livre" por não ter sido reportada a verdade? E os outros é que fazem mal as contas e “de forma reiterada, tentam chamar a si proveitos de algo que não pode ser conseguido”? Estou esclarecido.
Regressando ao início e ao que interessa, o exercício da política não se concretiza com ódios partidários, muito menos pessoais, mas buscando, nas diferenças, o melhor para o país, neste caso, para a Região. Tudo o resto são tiques aprendidos face aos quais devem libertar-se. 
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 26 de julho de 2016

"APOIO AO ALTO RENDIMENTO NA ESCOLA"... SERÁ QUE PERCEBI BEM OU TRATA-SE DE MAIS UMA BOLA À TRAVE?


Li o Despacho e, chegado ao final, exclamei: será que percebi bem? Voltei a lê-lo, com calma e sintetizei: perdoai-lhes Senhor! Este é um assunto para um longo debate e que não é pacífico, eu sei! Sobre ele já muitos escreveram e, no plano pessoal, até publiquei em livro o que fui aprendendo com vários Mestres do conhecimento e da História. Retomo, em síntese, a minha posição. A Escola visa a formação de "campeões" (entre aspas, porque é necessário contextualizar a palavra campeão), em tudo, desde as habilidades motoras a todos os outros domínios. A questão é a de saber onde começa e termina a função da escola (formativa) e, no caso do desporto, como se organiza e conjuga a interface com o movimento associativo (federado) que conduza aos resultados "de elevado mérito", expressão esta utilizada no referido Despacho. Há uma parte deste documento que é risível: "(...) Nas variadas vertentes da valorização das áreas curriculares, a articulação da política desportiva com a Escola e o reforço da educação física e da atividade desportiva, na compatibilização desta com o percurso escolar e académico, é essencial a valorização do apoio aos alunos e simultaneamente atletas de alto rendimento e/ou integrados em seleções nacionais. Por sua vez, o desporto de alto rendimento é hoje reconhecido como importante fator de desenvolvimento desportivo (...)". Sinceramente, para além de menos bem escrito, para os três Secretários de Estado que subscrevem o documento, não sei o que aquilo significa. Trata-se de uma baralhada de conceitos, em um jogo de palavras que ao tentarem dizer muito, acabam por não exprimir nada.

Mais uma bola na trave!

Há dois caminhos que há muito se cruzam. Um que defende a manutenção da Educação Física curricular que submete os alunos a testes, níveis e notas de avaliação, como se aquela disciplina fosse comparável com as outras disciplinas curriculares. É meu entendimento que é diferente e que é na diferença que terá de buscar o seu caminho; outro, que assume uma ruptura com o passado no sentido da mudança da Educação Física para Educação Desportiva. Eu estou com a mudança. Para quem conhece a longa História das correntes filosóficas e a influência que tiveram no pensamento pedagógico, dominando, sobretudo, as razões mais substantivas desde os primórdios do Século XX até ao seu último quartel (evolução para sociedade da tecnologia e da informação), concluirá que a Educação Física deixou de fazer sentido há muitos anos! Hoje, confronta-se com uma "crise de identidade e de reconhecimento social" (relatório conduzido por K. Hardeman, da Universidade de Manchester, patrocinado pelo Conselho Internacional de Ciências do Desporto e Educação Física e suportado pelo Comité Internacional Olímpico, que teve por objectivo investigar a situação mundial da Educação Física. As respostas ao questionário, aplicado em 126 países, alertou para o facto da Educação Física se encontrar numa profunda crise de identidade e de credibilidade social). Há vários estudos sobre esta matéria. O Filósofo Manuel Sérgio disse-me um dia uma frase que, genericamente e qual metáfora, atinge o centro do alvo: "tirem a bola à Educação Física e digam-me lá o que resta". Em um artigo que publicou assumiu: “(...) nem científica nem pedagogicamente existe qualquer educação de físicos (...) que a expressão Educação Física se acha incrustada numa ambiência social onde o estudo desta matéria não é conhecido (...) e que a Educação Física deve morrer o mais rapidamente possível para surgir em seu lugar uma nova área científica que mereça dos homens de ciência credibilidade, respeito e admiração” - O DESPORTO Madeira, 27.06.03. Nem mais. Há treze anos! É, por isso, que um outro investigador e pensador e que muito tem escrito sobre este dilema, o Doutor Gustavo Pires, a 12.09.2008, em um artigo publicado também no "Desporto Madeira" salientou: "(...) Enquanto o governo, este ou outro qualquer, não tiver a coragem de desmantelar a super estrutura de concepção dos actuais programas de Educação Física do Ensino Básico e Secundário, nunca o País há-de ter um sistema desportivo minimamente aceitável e taxas de prática desportiva que não o envergonhem (...). Em um outro artigo: "(...) Defender a Educação Física é sermos capazes de encontrar soluções de acordo com as realidades do nosso tempo. Numa dinâmica de futuro. E o futuro é o ensino do desporto (...)". Em Maio de 2008 escrevi neste blogue: "(...) Trata-se, de facto, de uma luta contra um poderoso lóbi corporativista, obsoleto e medíocre, entrincheirado nas universidades e em posições estratégicas de decisão política, que não consegue entender que as respostas encontradas nos anos 30 e melhoradas a partir da década de 70 já não se adequam, por um lado, ao actual conhecimento científico, por outro, às expectativas que o desenvolvimento determinou. Daí que não me espante nem me cause qualquer embaraço que aqueles que consideram que a mudança de paradigma terá de ser operada, sejam muitas vezes visados com graves dislates os quais, penso eu, não são mais do que o estertor de quem perdeu todos os argumentos e, naturalmente, sente que os alunos, paulatinamente, os das universidades e outros de idades mais jovens, estão a lhes voltar as costas, por sentirem que há um mundo novo de possibilidades de prática que não se restringe ao espaço de uma Educação Física bafienta, repetitiva, desmotivadora e sem futuro (...)" Por tudo isto sou pela mudança de paradigma.
Ora, o problema reside exactamente aí: ou se assiste a uma mudança, ou este Despacho não passa de paleio que nada acrescentará. Se a Escola tiver por missão, entre outras, claro, a Educação Desportiva, podemos estar a falar, a prazo, de uma excelente interface com o sistema desportivo. Falar-se de "apoio ao alto rendimento na escola" sem que os pressupostos sejam alterados é como tentar resolver uma ferida grave com um penso rápido! O mister da escola, ao contrário do que é salientado no Despacho, não deve visar "o alto rendimento relacionado com um elevado cariz de seleção, rigor e exigência (...)", mas sim a EDUCAÇÃO para todos, através de uma prática que espolete, na generalidade, um compaginado interesse para a vida, de base cultural e, para alguns, a superação conducente às grandes performances. Começar a casa pelo telhado não me parece fazer sentido.

"PARTE C - EDUCAÇÃO 
Gabinetes da Secretária de Estado Adjunta e da Educação e dos Secretários de Estado da Educação e da Juventude e do Desporto, Despacho n.º 9386-A/2016. 
A implementação de um programa nacional para a inovação na aprendizagem, adaptando o sistema educativo para padrões que melhor respondam aos desafios da aprendizagem no século XXI, viabilizando iniciativas mobilizadoras dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas é um compromisso assumido no âmbito do programa do XXI Governo Constitucional. Nas variadas vertentes da valorização das áreas curriculares, a articulação da política desportiva com a Escola e o reforço da educação física e da atividade desportiva, na compatibilização desta com o percurso escolar e académico, é essencial a valorização do apoio aos alunos e simultaneamente atletas de alto rendimento e/ou integrados em seleções nacionais. Por sua vez, o desporto de alto rendimento é hoje reconhecido como importante fator de desenvolvimento desportivo. Para além de gozar de um invulgar impacto no plano social, gera um interesse e entusiasmo pelo desporto que acaba por contribuir para a generalização da prática desportiva. O conceito de desporto de alto rendimento está relacionado com um elevado cariz de seleção, rigor e exigência e por isso apenas alguns dos melhores praticantes portugueses se encontram abrangidos por este nível de prática desportiva. Efetivamente, a lei define alto rendimento como “a prática desportiva em que os praticantes obtêm classificações e resultados desportivos de elevado mérito, aferidos em função dos padrões desportivos internacionais”. 
O Decreto-Lei n.º 272/2009, de 1 de outubro, estabelece um conjunto de medidas de apoio ao desenvolvimento do desporto de alto rendimento/seleções nacionais. Neste diploma são definidas algumas regras aplicáveis aos alunos em regime de alto rendimento/seleções nacionais. Porém, pela experiência colhida ao longo dos anos, aquelas medidas têm-se revelado insuficientes para colmatar todos os requisitos necessários à prossecução dos objetivos daqueles alunos, havendo assim necessidade de tomar outras medidas que visem melhorar e facilitar o ambiente e percurso escolar dos mesmos. Neste âmbito, importa relevar a experiência adquirida e o manifesto sucesso conseguido pelo projeto pedagógico do agrupamento de escolas de Montemor-o-Velho “Gabinete de Apoio ao Alto Rendimento”, que constitui um exemplo que deve ser replicado noutras zonas do País, passando a ser um projeto de âmbito e referência nacional. Determina-se: 
1 — É criado o projeto piloto denominado de “Apoio ao Alto Rendimento na Escola”, coordenado pela Direção-Geral da Educação em colaboração com o Instituto Português da Juventude e do Desporto, Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e com os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas posteriormente convidados. 
2 — O projeto é inserido no âmbito do desporto escolar, competindo à Direção-Geral da Educação a coordenação, acompanhamento e a respetiva orientação, em termos científico-pedagógicos e didáticos, nos termos do artigo 2.º do Decreto -Lei n.º 14/2012, de 20 de janeiro. 
3 — Compete à Direção -Geral dos Estabelecimentos Escolares assegurar a implementação a nível regional do projeto, em conformidade com a alínea e) do artigo 3.º da Portaria n.º 29/2013, de 29 de janeiro. 
4 — Compete ao Instituto Português do Desporto e Juventude, I. P., prestar apoio técnico e financeiro ao projeto, nos termos da alínea a), do n.º 3 do artigo 4.º e dos pontos n.º 1 e n.º 2 do artigo 20.º do Decreto -Lei n.º 98/2011, de 21 de setembro, alterado pelo Decreto -Lei n.º 132/2014, de 13 de setembro. 
5 — Ao Grupo de Trabalho Desporto-Educação, já designado, cabe acompanhar o projeto e apresentar as linhas orientadoras iniciais, bem como a indicação dos agrupamentos de escolas envolvidos, meios de avaliação do projeto, procedimentos a realizar e demais formalidades. 16 de julho de 2016. — A Secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Ludomila Ribeiro Fernandes Leitão. — 18 de julho de 2016. — O Secretário de Estado da Educação, João Miguel Marques da Costa. — 19 de julho de 2016. — O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo de Loureiro Rebelo."

segunda-feira, 25 de julho de 2016

AEROPORTO INTERNACIONAL DA MADEIRA CRISTIANO RONALDO


Não tenho um posicionamento muito rigoroso e fundamentado sobre essa história do aeroporto internacional da Madeira passar a designar-se por Cristiano Ronaldo. Escrevo ao correr do pensamento, desprendido, sem qualquer reserva ou preconceito. Sei que ele é o madeirense, provavelmente, de todos os tempos, mais conhecido e reconhecido no Mundo. O preconceito de que falo e que, liminarmente, excluo, refere-se ao facto de ser um multimilionário do futebol. Isso, para mim, não tem relevância, não acrescenta nem limita o meu pensamento, embora tenha, assumo, muitas reservas relativamente aos abusos ou excessos da indústria do futebol. De forma recorrente, quanto não valerá, por exemplo, o trabalho dos investigadores no combate a doenças que nos afligem? E quanto auferem? Bom, mas essa é uma outra longa história. 


Tenho como adquirido que ninguém visita um país, uma região ou uma cidade pelo nome do aeroporto. É muito discutível, portanto, que tal proposta se inscreva no quadro do marketing. Visita-se porque existem particularidades e património histórico-cultural, entre outras, que nos motivam. Nunca pelo nome do aeroporto. O museu dos feitos de Cristiano Ronaldo, quando integrado nos roteiros internacionais, é, considero, de muito maior relevância que a atribuição do seu nome ao aeroporto da Madeira. Da mesma forma que a recente parceria entre um hoteleiro e o CR7 é inteligente e relevante.
Independentemente desse aspecto, quanto a mim central, a questão que coloco é se tal proposta do governo foi devidamente pensada, amadurecida e que relatório final justificou a decisão política. Porque este tipo de decisão não deve assentar em um qualquer impulso de momento, mas em rigorosos, ponderados e justificados critérios. É essa a sensação de rigor que não transporto.
O mesmo digo em relação aos aeroportos de Lisboa e do Porto. Há muito que defendo que esses dois principais aeroportos, a atribuir um nome, deveriam ostentar o dos nossos dois únicos Prémios Nobel: António Egas Moniz (1949) e José Saramago (1998). Quantos, no exercício da política, inclusive, opositores ao regime de então, foram tão ou mais importantes que Francisco Sá Carneiro e Humberto Delgado? Quantos?
Aliás, a propósito, a um outro nível, lembro-me de um debate que tive à mesa da vereação da Câmara Municipal do Funchal, já tem uns anos, na altura que o Dr. Miguel Albuquerque presidia à autarquia. Este assunto está em acta. Em  causa estava a toponímia da cidade, relativamente às novas acessibilidades ou àquelas que não dispunham de uma identificação. A questão surgiu pelo meu posicionamento contra a atribuição dos nomes de algumas "personalidades", enquanto outras, de muito maior mérito e representatividade, em vários domínios, ficavam no rol dos eternos esquecidos. Defendi que uma comissão, no âmbito do departamento de cultura, após definição de critérios, elencasse, por sectores, áreas e domínios, o nome de figuras madeirenses prioritárias na designação da toponímia funchalense. Que eu saiba nada disso foi realizado de forma consistente. E o que me parece é que, no governo, o mesmo está a acontecer. Repito, não está em causa o madeirense e famoso Cristiano Ronaldo, mas as decisões políticas que não podem ficar ao sabor dos impulsos do momento.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 24 de julho de 2016

DURÃO GELATINA


A notícia de que Durão Barroso ia trabalhar para o Goldman Sachs apanhou-me de surpresa. Sempre pensei que Durão já trabalhava para o Goldman há muitos anos. Não fiquei chocado. Tenho mais receio dos que vêm do Goldman para cá do que os que vão de cá para lá. Para mim, o Goldman Sachs não é currículo, é cadastro. Durão Barroso no Goldman Sachs é o expoente máximo do “só se estraga uma casa”. Durão no Goldman é como se o José Rodrigues dos Santos casasse com a Margarida Rebelo Pinto, o Schäuble fugisse com a Maria Luís e o Carrilho fosse viver com o Paco Bandeira.


Durão ajudou a encenar a cimeira das Lajes e as armas químicas invisíveis que justificaram a guerra do Iraque. O Goldman maquilhou as contas da Grécia para justificar a entrada no Euro. São também o homem e a instituição que muito fizeram para conduzir a Zona Euro para uma crise sem precedentes. Têm tudo para dar certo. Foram feitos um para o outro. Imagino que a lista de casamento esteja num “offshore”.
Barroso é daquelas pessoas que pode ir para todo o lado porque tem muitos convites e ainda mais pouca-vergonha. Estava indeciso entre o convite do Goldman e o cargo de “chairman” do Daesh, mas os outros radicais pagavam menos. Se Barroso fosse o Mister Scrooge – e tivesse um momento de catarse – e recebesse a visita dos fantasmas do Natal passado, presente e futuro, só ficava chateado e chocado por estar mais gordo. Não mudava nada. Porque há mais coração num avarento do que num ávido por glória e poder que tem a moral de quem nada lhe custou a ganhar.
Durão Barroso diz que aceitou o cargo no Goldman Sachs porque “tem direito a ter vida profissional”. É muito parecida com a desculpa que deu quando deixou de ser PM a meio do mandato. Foi graças a dez anos de vida profissional de Durão na CE que muita gente deixou de ter vida profissional por essa Europa fora. Diz o senhor José Barroso que “se é preso por ter cão e por não ter”, quando o que está em causa é quem é o dono dele.
Não vou negar que acalento uma secreta esperança que Durão vá fazer ao Goldman Sachs o que fez à UE. Durão é uma espécie de gato preto que passa à frente da esperança de que as coisas vão melhorar. Uma sexta-feira 13 do “isto tem tudo para correr bem”. Em quatro anos no Goldman, pode ser que aquilo se transforme numa pequena caixa de aforro. A inabilidade de Durão, no interior do lado mau, pode dar origem a um mundo melhor. Se Barroso fosse para os Médicos sem Fronteiras, ou para a Amnistia Internacional ou, pior ainda, para o Sporting, aí sim, reconheço que ficava assustado.
NOTA
Artigo de João Quadros - Jornal de Negócios/Estátua de Sal.

sábado, 23 de julho de 2016

A HIERARQUIA, ABRAÇADA AO PODER, NÃO QUIS... MAS TODOS ELES TÊM UM LUGAR NA HISTÓRIA DO PENSAMENTO AUTÓNOMO


Alguns são capazes de desejar um apagão na memória dos acontecimentos. Talvez não consigam, porque há sempre alguém que, de quando em vez, traz para a ribalta toda a trama da História que arquitectaram. Vale a pena a leitura deste TEXTO.




"(...) Deixo aqui o testemunho verídico de há quarenta e cinquenta anos. Para que os homens não esqueçam. Possivelmente voltarei ao caso, às suas incidências e consequências, adiantando, desde já, o ostracismo a que quatro valorosos sacerdotes foram votados pela hierarquia católica regional, ao ponto de abandonar o sacerdócio e refazer, do nada, a sua vida civil. Suprema ingratidão dos farisaicos “Homens da Misericórdia”, só comparável à destruição cultural e social que tais factos produziram nesta ilha. (...)"

sexta-feira, 22 de julho de 2016

PARECE QUE VALE TUDO PARA O GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA



O povo da Região da Madeira saiu de uma e acabou em outra igual. Apenas substituíram nomes, porque quanto às políticas, essas, têm o mesmo badalar. Propostas e projectos, onde? Com algum espavento, como se o povinho, todo ele, não dominasse a situação, o presidente do governo regional da Madeira veio dizer: "(...) nós vamos tentar resguardar as nossas empresas e os nossos cidadãos de qualquer aumento de impostos a nível nacional (...)" em função do défice (3,2%) e das famigeradas penalizações europeias. Isto é, o que o presidente do governo deveria anunciar era uma progressiva aproximação às tabelas de impostos cobrados na Região Autónoma dos Açores que são, substancialmente, menos penalizadoras do que na Madeira. Bastaria que tivesse em atenção o IVA e o IRS. Mas mais do que isso, tivesse presente todos os apoios sociais complementares definidos em sede de orçamento regional, portanto, independentemente dos apoios conferidos pelo Orçamento de Estado.



Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Miguel Albuquerque, no caso em apreço as forças políticas sediadas na Região, não "vivem na estratosfera" e não pensam que o dinheiro que se investe nas áreas sociais surge no "caldeirão mágico da retórica". Politicamente, assumir isso não é sério, simplesmente porque quem esbanjou o dinheiro público, durante quatro décadas, tem partido e rosto. Não vale a pena desviar as atenções, mascarar os factos e empurrar para outros responsabilidades que são locais e partidárias. É óbvio que "(...) só se pode distribuir aquilo que o Estado arrecada de forma equitativa e justa". Mas também é certo que a ausência de respeito pelo princípio da prioridade estrutural determinou a falência da Região, cuja dívida se tornou impagável. É por isso que as declarações do presidente não fazem sentido, porque elas transportam uma tentativa de apagão na memória colectiva. 
Aquelas declarações foram produzidas durante a inauguração de um armazém da Fábrica de Tabacos Micaelense (FTM), no Parque Industrial da Cancela. Do meu ponto de vista, independentemente dos milhões que estão em causa com a venda de tabaco, o Presidente deveria ter presente que o tabagismo foi responsável pela morte de 29 pessoas por dia em 2012 e que, em 2013 morreram, em Portugal, mais de 12.000 pessoas vítimas do consumo de tabaco (dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo). Estar presente em uma inauguração de uma empresa que, indirectamente, mata, penso que não é de bom senso. Trata-se de um convite ao consumo, quando existem tantos alertas no sentido de evitá-lo. O dinheiro desses impostos, por significativo que seja para os cofres da Região, em circunstância alguma pagará as vítimas e as comorbidades no quadro das despesas de saúde. Enfim, parece que vale tudo!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

PEDRO PASSOS COELHO NÃO TEM EMENDA



"O que está a passar com a Caixa Geral de Depósitos é intolerável e aquilo que se está a passar no Novo Banco é quase criminoso", disse Pedro Passos Coelho. Pergunto: onde está a honestidade intelectual deste político? Não foi no seu tempo de primeiro-ministro que o BES descambou, o BANIF estoirou e a Caixa Geral de Depósitos começou a dar sinais preocupantes? Não foi durante esse tempo que até o ex-presidente da República, Professor Cavaco Silva, assegurou: os "portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo", declaração que deveria reflectir uma informação consistente do Banco de Portugal e do próprio governo de então? 


Politicamente intolerável e "criminoso" é o facto de ter ocultado dos portugueses a informação privilegiada que dispunha. E se não a tinha, qualquer português perguntará, o que faz ainda o Dr. Carlos Costa continuar como líder do Banco de Portugal? Não entendo. Há qualquer coisa aqui cuja "bota não bate com a perdigota". Que situações, afinal, se escondem para além da permanente atitude de jogar para outros responsabilidades próprias?
Por outro lado, eu não diria "criminoso", mas, no mínimo, intolerável, é o facto da palavra-chave do crescimento designar-se por "confiança". É este estado que permite a generalidade da população, de empresários a consumidores, gerar riqueza e crescente bem-estar. Quando falha a confiança, quando somos bombardeados, diariamente, com situações que nos levam a questioná-la, obviamente que qualquer pessoa se retrai, não investe, não adquire e procura alternativas às suas eventuais poupanças. O que Passos Coelho faz é exactamente isso, talvez seja isso que politicamente lhe interessa, contínuas declarações que colocam em causa a necessária confiança, declarações geradoras de uma generalizada apreensão nos portugueses. Aquilo que todos os dias anda a propagandear não se designa por oposição séria (necessária), antes enquadra-se em fome de poder ou em uma perda de poder mal digerida, por não dispor de uma maioria na Assembleia da República. Li: "O presidente do PSD condenou o facto de o Governo estar a desbaratar a credibilidade e consolidação das contas públicas alcançada anteriormente perante uns "patetas alegres que acham que nada disto existe", ou seja, a degradação económica e social do país". Credibilidade? Consolidação das contas públicas? Os portugueses sabem, e de que maneira, o que umas figuras lhes fizeram, sempre na lógica de uma patética obediência aos directórios europeus. A austeridade, provou-se, aumentou o défice, gerou pobreza, desemprego, emigração forçada e um recuo de vários indicadores superior a uma década. Está, por isso, na altura de revisitar o que ele, Passos Coelho, afirmou em 2010/11, para compreender o que depois fez e o que agora volta a fazer... O exercício honesto da política não se compagina com as suas atitudes!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A IV REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ESTÁ À PORTA


Além da perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos, em todo o mundo, a quarta revolução industrial provocará "grandes perturbações não só no modelo dos negócios, mas também no mercado de trabalho"


"Em 1998, a Kodak tinha 170.000 funcionários e vendeu 85% de todo o papel fotográfico vendido no mundo. No curso de poucos anos, o modelo de negócios dela desapareceu e eles abriram falência. O que aconteceu com a Kodak vai acontecer com um monte de indústrias nos próximos 10 anos – e a maioria das pessoas não enxerga isso chegando. Você poderia imaginar em 1998 que 3 anos mais tarde você nunca mais iria registrar fotos em filme de papel?
No entanto, as câmeras digitais foram inventadas em 1975. As primeiras só tinham 10.000 pixels, mas seguiram a Lei de Moore. Assim como acontece com todas as tecnologias exponenciais, elas foram decepcionantes durante um longo tempo, até se tornarem imensamente superiores e dominantes em uns poucos anos. O mesmo acontecerá agora com a inteligência artificial, saúde, veículos autônomos e elétricos, com a educação, impressão em 3D, agricultura e empregos.
Bem-vindo à quarta Revolução Industrial!
O software irá destroçar a maioria das atividades tradicionais nos próximos 5-10 anos.
O UBER é apenas uma ferramenta de software, eles não são proprietários de carros e são agora a maior companhia de táxis do mundo. A AIRBNB é a maior companhia hoteleira do mundo, embora eles não sejam proprietários.
Inteligência Artificial: Computadores estão se tornando exponencialmente melhores no entendimento do mundo. Neste ano, um computador derrotou o melhor jogador de GO do mundo, 10 anos antes do previsto. Nos Estados Unidos, advogados jovens já não conseguem empregos. 
Com o WATSON, da IBM, V. pode conseguir aconselhamento legal (por enquanto em assuntos mais ou menos básicos) dentro de segundos, com 90% de exatidão se comparado com os 70% de exatidão quando feito por humanos. Por isso, se V. está estudando Direito, PARE imediatamente. Haverá 90% menos advogados no futuro, apenas especialistas permanecerão.
O WATSON já está ajudando enfermeiras a diagnosticar câncer, quatro vezes mais exatamente do que enfermeiras humanas. 
O FACEBOOK incorpora agora um software de reconhecimento de padrões que pode reconhecer faces melhor que os humanos. Em 2030, os computadores se tornarão mais inteligentes que os humanos.
Veículos autônomos: em 2018 os primeiros veículos dirigidos automaticamente aparecerão ao público. Ao redor de 2020, a indústria automobilística completa começará a ser demolida. Você não desejará mais possuir um automóvel. Nossos filhos jamais necessitarão de uma carteira de habilitação ou serão donos de um carro. 
Isso mudará as cidades, pois necessitaremos 90-95 % menos carros para isso. Poderemos transformar áreas de estacionamento em parques. Cerca de 1.200.000 pessoas morrem a cada ano em acidentes automobilísticos em todo o mundo. Temos agora um acidente a cada 100.000 km, mas com veículos auto-dirigidos isto cairá para um acidente a cada 10.000.000 de km. Isso salvará mais de 1.000.000 de vidas a cada ano.
A maioria das empresas de carros poderão falir. Companhias tradicionais de carros adotam a tática evolucionária e constroem carros melhores, enquanto as companhias tecnológicas (Tesla, Apple, Google) adotarão a tática revolucionária e construirão um computador sobre rodas. Eu falei com um monte de engenheiros da Volkswagen e da Audi: eles estão completamente aterrorizados com a TESLA.
Companhias seguradores terão problemas enormes porque, sem acidentes, o seguro se tornará 100 vezes mais barato. O modelo dos negócios de seguros de automóveis deles desaparecerá.
Os negócios imobiliários mudarão. Pelo fato de poderem trabalhar enquanto se deslocam, as pessoas vão se mudar para mais longe para viver em uma vizinhança mais bonita.
Carros elétricos se tornarão dominantes até 2020. As cidades serão menos ruidosas porque todos os carros rodarão eletricamente. A eletricidade se tornará incrivelmente barata e limpa: a energia solar tem estado em uma curva exponencial por 30 anos, mas somente agora V. pode sentir o impacto. No ano passado, foram montadas mais instalações solares que fósseis. O preço da energia solar vai cair de tal forma que todas as mineradoras de carvão cessarão atividades ao redor de 2025.
Com eletricidade barata teremos água abundante e barata. A dessalinização agora consome apenas 2 quilowatts/hora por metro cúbico. Não temos escassez de água na maioria dos locais, temos apenas escassez de água potável. Imagine o que será possível se cada um tiver tanta água limpa quanto desejar, quase sem custo.
Saúde: O preço do Tricorder X será anunciado este ano. Teremos companhias que irão construir um aparelho médico (chamado Tricorder na série Star Trek) que trabalha com o seu telefone, fazendo o escaneamento da sua retina, testa a sua amostra de sangue e analisa a sua respiração (bafômetro). Ele então analisa 54 bio-marcadores que identificarão praticamente qualquer doença. Vai ser barato, de tal forma que em poucos anos cada pessoa deste planeta terá acesso a medicina de padrão mundial praticamente de graça.
Impressão 3D: o preço da impressora 3D mais barata caiu de US$ 18.000 para US$ 400 em 10 anos. Neste mesmo intervalo, tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as maiores fábricas de sapatos começaram a imprimir sapatos 3D. Peças de reposição para aviões já são impressas em 3D em aeroportos remotos. 
A Estação Espacial tem agora uma impressora 3D que elimina a necessidade de se ter um monte de peças de reposição como era necessário anteriormente. No final deste ano, os novos smartphones terão capacidade de escanear em 3D. Você poderá então escanear o seu pé e imprimir sapatos perfeitos em sua casa. Na China, já imprimiram em 3D todo um edifício completo de escritórios de 6 andares. Lá por 2027, 10% de tudo que for produzido será impresso em 3D.
Oportunidades de negócios: Se V. pensa em um nicho no qual gostaria de entrar, pergunte a si mesmo: “SERÁ QUE TEREMOS ISSO NO FUTURO?” e, se a resposta for SIM, como V. poderá fazer isso acontecer mais cedo? Se não funcionar com o seu telefone, ESQUEÇA a idéia. E qualquer idéia projetada para o sucesso no século 20 estará fadada a falhar no século 21.
Trabalho: 70-80% dos empregos desaparecerão nos próximos 20 anos. Haverá uma porção de novos empregos, mas não está claro se haverá suficientes empregos novos em tempo tão exíguo.
Agricultura: haverá um robô agricultor de US$ 100,00 no futuro. Agricultores do 3º mundo poderão tornar-se gerentes das suas terras ao invés de trabalhar nelas todos os dias. A AEROPONIA necessitará de bem menos água. A primeira vitela produzida “in vitro” já está disponível e vai se tornar mais barata que a vitela natural da vaca ao redor de 2018. 
Atualmente, cerca de 30% de todos as superfícies agriculturáveis são ocupados por vacas. Imagine se tais espaços deixarem se ser usados desta forma. Há muitas iniciativas atuais de trazer proteína de insetos em breve para o mercado. Eles fornecem mais proteína que a carne. Deverá ser rotulada de FONTE ALTERNATIVA DE PROTEÍNA. (porque muitas pessoas ainda rejeitam ideias de comer insetos).
Existe um aplicativo chamado “moodies” (estados de humor) que já é capaz de dizer em que estado de humor V. está. Até 2020 haverá aplicativos que podem saber se V. está mentindo pelas suas expressões faciais. Imagine um debate político onde estiverem mostrando quando as pessoas estão dizendo a verdade e quando não estão.
O BITCOIN (dinheiro virtual) pode se tornar dominante este ano e poderá até mesmo tornar-se em moeda-reserva padrão.
Longevidade: atualmente, a expectativa de vida aumenta uns 3 meses por ano. Há quatro anos, a expectativa de vida costumava ser de 79 anos e agora é de 80 anos. O aumento em si também está aumentando e ao redor de 2036, haverá um aumento de mais de um ano por ano. Assim possamos todos viver vidas longas, longas, possivelmente bem mais que 100 anos.
Educação: os smartphones mais baratos já estão custando US$ 10,00 na África e na Ásia. Até 2020, 70% de todos os humanos terão um smartphone. Isso significa que cada um tem o mesmo acesso a educação de classe mundial. Cada criança poderá usar a academia KHAN para tudo o que uma criança aprende na escola nos países de Primeiro Mundo".
NOTA
Texto que me chegou através do meu Amigo José Sacadura. Transcrição integral e de acordo com o original.
IV REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Udo Gollub em Messe Berlin 
(Conferência da Universidade da Singularidade)

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA MADEIRA É COMPARÁVEL AO POKÉMON. PUMBA, JÁ FOSTE!


É a história do vira o disco e toca o mesmo. Chamam a isto "renovação" na continuidade. Eu designo, face aos tempos que correm, por política estúpida ou estupidez no exercício da política. Não é possível que em uma mancheia de propostas da oposição, hoje debatidas, todas tivessem levado chumbo por parte do PSD-Madeira. Ali a "época de caça" é todo ano. Desde que a Assembleia esteja aberta, é certo e sabido que a maioria utiliza-a ao jeito do Pokémon. Pumba, já foste!


É muito pouco inteligente. Podiam até engonhar, baixando as propostas às comissões para melhor análise, podiam conjugar o verbo negociar, mas nem isso, é logo ali, um "tiro" (leia-se votação) e fica despachado! 
Mas sempre foi assim. Desde que a Assembleia foi instalada há quarenta anos. Pode a oposição ter razão, pode um projecto ser consistente, fundamentado e oportuno, mas chumbam porque a lógica de funcionamento é essa. Lamentavelmente. 
Têm, obviamente, legitimidade para isso, uma vez que dispõem de maioria, presa por um fio, é certo, mas não deixa de ser maioria. Porém, quando em causa está o bem comum, pergunta-se se faz algum sentido a continuidade da arrogância e esse permanente quero, posso e mando. Até um dia que a actual maioria fique na situação de minoria parlamentar. O povo, parecendo não, está atento, às vezes enche e, silenciosamente, diz basta. Nas autárquicas de 2013, das onze, foram sete autarquias à vida!
Ilustração:  Google Imagens.

terça-feira, 19 de julho de 2016

SANÇÕES, SENHORES DA EUROPA? TENHAM VERGONHA.


Já mete repulsa este constante matracar na cabeça dos governantes e dos portugueses em geral. Todos os dias regressa a história das sanções. Alguns, até, pela forma como se posicionam, parece que se regozijam com o regresso da austeridade, com um tal plano b, com medidas adicionais, seguindo a cantoria externa e os poderes internos, neste caso, quer os do patronato da comunicação social, quer os de costela partidária. É apertar porque "o povo aguenta... aguenta". Um mínimo de bem-estar, através da reposição dos salários e reformas roubadas, a anulação das sobretaxas disto e daquilo, o aumento do salário mínimo, a restituição de vários abonos para quem é pobre, as 35 horas de trabalho que até deveriam ser para todos, enfim, para os senhores da Europa tudo aquilo são extravagâncias e não pode merecer aprovação. Mas por que raio devemos estar dependentes da sofisticada engrenagem que esmaga e, todos os dias, nos intimida?


Há dias, na página de facebook, o Dr. António Macedo deixou um comentário. Trago-o para este meu texto, enquanto reflexão, pelas preocupações enunciadas.
"Ao que consta, a decisão do Ecofine não foi unânime, tendo merecido a oposição da França e da Grécia (que provavelmente se esqueceu da antiga postura de Passos Coelho, em Bruxelas). É altura de Portugal e Espanha se juntarem a estes países, tentando arrastar também a Itália para poderem, mais facilmente, enfrentar o directório político que (des)governa a UE. Reafirmo o que há algum tempo venho escrevendo. Em conjunto, os países do Sul são auto-suficientes em agro-pecuária, têm capacidade industrial e tecnológica da melhor, possuem uma plataforma marítima imensa, para ser explorada e defendida da pirataria actual, estão numa posição geo estratégica privilegiada, mantêm fáceis relações com a África, América do Sul e Ásia. Tudo isto dá-nos força para impor mais respeito por parte dos nossos parceiros da UE. Somos europeus, todos ganharíamos com uma Europa forte e unida, mas não podemos aceitar sermos tratados como europeus de segunda. É urgente encontrar alguém com capacidade e determinação para liderar este processo e devolver a dignidade que, aos poucos, vamos perdendo. A não conseguirmos isto, temos que assumir que há mundo para além da Europa. Mundo que bem conhecemos e que nos (re)conhece. As manifestações de alegria pela vitória de Portugal no campeonato da Europa, ocorridas um pouco por todos os continentes, são disso a prova".
Sanções, senhores da Europa? Tenham vergonha.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

"NÃO, NÃO FORAM OS EXAMES...


Para promover o sucesso escolar e combater o abandono precoce não é de mecanismos de limpeza e de exames que precisamos. 


1. Os cursos vocacionais no ensino básico afastaram compulsivamente do ensino regular milhares de alunos, nos últimos anos. Alunos com historial de repetência e mais de 12 anos foram relegados para estes cursos, verdadeiros becos sem saída, que funcionaram, na prática, como mecanismos de “limpeza” das escolas no que respeita aos casos de insucesso escolar. 
Segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no ano letivo 2013/14 matricularam-se naqueles cursos cerca de 10.000 alunos, do 2.º e do 3.º ciclo; no ano de 2014/15 foram já cerca de 24.000 os alunos matriculados; e no ano letivo que agora termina, foram cerca de 28.000. Com o tempo, o processo de eugenia do ensino regular ganharia mais eficácia, ficando nas escolas e no ensino regular apenas os considerados melhores. E assim se melhoraram os indicadores sobre os resultados escolares dos alunos do ensino regular. Não, não foram os exames, nem foi a maior exigência! 
2. Melhorar os resultados escolares através de mecanismos de seleção e de relegação dos alunos com dificuldades significa desistir de ensinar todos, significa condenar precocemente milhares de jovens a um futuro desqualificado e desqualificante, significa não cumprir o que está estabelecido na Lei de Bases, significa comprometer o futuro dos jovens e do país. 
Em boa hora, pois, o atual governo extinguiu o ensino vocacional, propondo às escolas, em alternativa, meios e condições para a promoção do sucesso escolar de todos os alunos, procurando transformar a diversidade existente nas escolas numa vantagem. Com esta decisão, no próximo ano letivo, o mecanismo de limpeza não funcionará plenamente. Os alunos com um histórico de insucesso escolar manter-se-ão no ensino regular e nas escolas, pelo que pode acontecer que as taxas de repetência venham a ser afetadas negativamente. Esperemos que não, mas se tal acontecer, será, por uma vez, por boas razões. 
3. Promover o sucesso escolar é o desafio mais importante e mais difícil enfrentado pelos professores e pelas escolas. Um desafio que exige atenção particular ao primeiro ciclo, onde tudo começa, e que requer a mobilização de recursos para o reforço das equipas e dos meios pedagógicos. Exige, sobretudo, mais tempo de trabalho e de estudo por parte dos alunos com os seus professores. 
Tão urgente como a promoção do sucesso escolar é o combate ao abandono escolar, evitando a saída antecipada de jovens que atingem os 15 anos de idade sem concluir o ensino básico. Tal requer ofertas alternativas de formação, do tipo dos Cursos de Educação Formação (CEF). Mas, ao contrário do que se passava com os cursos vocacionais, estes cursos devem servir para retirar alunos do abandono escolar, não para afastar alunos do ensino regular. 
Para promover o sucesso escolar e combater o abandono precoce não é de mecanismos de limpeza e de exames que precisamos. Os exames são apenas instrumentos de avaliação da qualidade das aprendizagens. São como os termómetros, permitem medir a febre, não curar da doença. Em nenhum país do mundo, em nenhum tempo histórico, em nenhum ciclo de ensino, os exames provocaram a melhoria dos resultados escolares. E o nosso país não é uma exceção. Não, não foram os exames! 
Por 
MARIA DE LURDES RODRIGUES 
Ex-ministra da Educação 
15/07/2016 
NOTA
Muitas vezes estive contra as posições da ex-ministra da Educação. Desta vez, assino por baixo.

domingo, 17 de julho de 2016

EUROPEU DE FUTEBOL... O POVO SAIU À RUA


Agora, julgo eu, que a euforia amainou, talvez seja tempo de uma outra reflexão. As praças encheram-se de pessoas, crianças, jovens, adultos, até com os de idade muito avançada, quase todos trajados com  as cores nacionais, elevaram cascóis, sofreram e explodiram de alegria, beberam e, fraternalmente, abraçaram-se e os foguetes estalejaram. No dia 11, no regresso, quase foi feriado nacional. Parafraseando a canção, o povo voltou a sair à rua, cantando se o rei (futebol) faz anos, que venha à praça, para nos conhecer! Foram 48 horas de êxtase, antes e depois daqueles 120 minutos na martirizada França e, depois, tudo regressou à normalidade. O fumo desapareceu no céu e as bandeiras e cascóis regressaram ao armário! Ficaram os novos "Comendadores". Mas isso é história para um outro comentário.

É tão fácil quanto difícil explicar que, sendo dois aspectos diferentes, eu sei, paradoxalmente, somos um dos povos com pior taxa de participação desportiva na Europa. Só nos superam pela negativa a Bulgária e Malta. Em Portugal não chega aos 30% os que assumem manter esse hábito com alguma regularidade. Não tem muitos anos, em estudos comparados e sujeitos ao mesmo protocolo, a taxa de participação dos portugueses não ia além dos 23%. Salienta a investigadora Salomé Marivoet: "(...) Sabia que apenas 57 por cento dos portugueses (dos 15 aos 74 anos) têm ou tiveram uma experiência desportiva, sendo que os restantes 43 por cento nunca praticaram desporto ao longo da sua vida? Esta é apenas uma das conclusões de um estudo elaborado pelo Centro de Estudos e Formação Desportiva, que reuniu todos os resultados num livro intitulado "Hábitos Desportivos da População Portuguesa". Mas fixemo-nos nos 30%, com muito boa vontade, e tenhamos presente que o intervalo 15/74 anos abrange milhares que estão na escola. Independentemente de outras e mais profundas considerações, podemos concluir da disparidade entre o comportamento exteriorizado pelo povo durante o europeu e uma prática desportiva assumida como bem cultural. As razões são múltiplas, aliás, há muito que aqui tenho deixado a minha opinião. Deixo, apenas, estes dados para reflexão. Pessoalmente, gostaria que a manifestação de amor à Pátria e o orgulho naqueles que nos representaram fossem mais coincidentes com uma prática regular da actividade física ou desportiva.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 16 de julho de 2016

"OS POLÍTICOS TÊM DE SE TORNAR DECENTES"


Na apresentação do livro do Doutor Eduardo Paz Ferreira, o ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim assumiu que é "preciso fazer coisas novas" e que os políticos "têm que se tornar decentes". Seja qual for o contexto, obviamente, que se exige dos eleitos, dignidade, escrupuloso cumprimento das regras morais, éticas e de honestidade. O ex-presidente não disse mais do que qualquer cidadão espera do exercício da política. Por aí estamos conversados. Assino por baixo a declaração. O problema, porém, é outro. É que quem proferiu aquela declaração, no plano estrictamente político, apresenta um portfólio antítese do que sublinhou e que não o abona. Aliás, quase em simultâneo, o mesma figura viria a assumir que o antigo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, é livre de escolher o seu futuro profissional. Significa isto, aceitar o lugar de presidente do Goldman Sachs. Nesta contradição, pergunto, onde param as regras éticas, morais e de honestidade? Onde para a decência? 


Ilustração: Inimigo Público. Aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

DESABAFOS... A SOFREGUIDÃO PELO DINHEIRO


Tem já alguns anos, andava eu em visita a um país, não me recordo qual, metendo o corpo e todos os meus interesses e sentidos em tudo o que de mais importante havia para ver, saltando da zona histórica para os museus, catedrais, cantos e recantos citadinos, daqui para o pulsar do povo nas zonas mais concorridas e, no regresso, já em uma autoestrada, o amigo que me acompanhava disparou: "para ser feliz não é preciso ter muito dinheiro". Fomos até casa, ao longo de largos quilómetros, os dois casais conversando sobre o dinheiro e a felicidade. De facto, não é condição fundamental. Depois do que tínhamos visto, intensamente vivido e interiorizado, durante aquela jornada, sempre diferente todos os dias, de mochila às costas com um farnel de duas sandes, uns líquidos e fruta, máquina fotográfica e de vídeo, almoçando em um banco de jardim, aquele desabafo do meu Amigo fez todo o sentido. São tantas as vezes que a ele regresso. 


Isto a propósito de quê? Ah, do dinheiro e da louca correria para ser rico, muito rico, muitos sem tempo de vida para o gastar. Na véspera tínhamos falado dessa obsessão, pela banca, bolsas, offshore, investidores, lavagem de dinheiro, droga, armas, multinacionais, fuga aos impostos, negócios destinados a esmagar todos os outros, "desvios" e engenharias financeiras, Justiça, enfim, de toda essa engrenagem que, parecendo que não, estrangula a vida que deveria ser construída com um formato de sensatez. Nem por um momento sentimos inveja por quem o tem aos molhos, tampouco falámos de pessoas em concreto. Tudo de forma abstracta, na essência do que é ou deveria ser a vida, que é tão curta, face aos direitos, os fundamentais, os da saúde, educação, trabalho e protecção social.
O dinheiro, obviamente que é necessário, rigorosamente nada se faz sem ele, mas, convenhamos, há limites. A sofreguidão de uns compagina-se com a infelicidade da maioria. A desmedida ambição que sustenta o crescimento rápido acaba, genericamente, com danos colaterais. Dirão, uns: "é a vida"; digo eu: é a selva. Ainda ontem vivi, em discurso directo, uma situação que considero de emprego escravo, mal remunerado e que impede o acesso da maioria a essa felicidade sem muito dinheiro. Sublinho a palavra muito. O dinheiro está, cada vez mais, concentrado em alguns. Não é preciso dar exemplos de países de mão-de-obra baratíssima, de total exploração do ser humano, quando ao nosso lado os temos. É a história daquela jovem que encontrei em uma determinada empresa, muito conhecida. Talvez porque sou habitual cliente, essa proximidade conduziu-a a desabar, já não sei a que propósito: "tenho quase um ano de trabalho, mas sei que vou embora. Aqui ninguém pára ao final de x contratos. Já comecei a procurar emprego. Até para ir à casa de banho é preciso pedir ao encarregado. Temos hora de entrada, mas de saída nem por isso. Um salário mínimo e para ter mais algum é preciso vender, é preciso superar os objectivos. Mas como superar se as pessoas não têm dinheiro para comprar?" Pois, respondi-lhe, a exploração de milhares permite o desafogo desmedido de outros. Questiono, agora, para quê esta sofreguidão, precariedade e à custa de baixos salários?
As empresas, obviamente, não são instituições de solidariedade social. Existem para gerar emprego e possibilitar lucros. O problema não é esse. É sobretudo de equilíbrio, de rigor no trabalho, mas também de respeito por todos os que colaboram no êxito. O problema é como se cresce e se cria riqueza, se pela luta honesta diária, se pela desonestidade geradora de infelicidade. Regressando ao início, quando não é preciso MUITO dinheiro para ser feliz, repito, nesta curtíssima passagem pela vida.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - TAL COMO NAS CEREJAS, ESTE ANO, DEU O BICHO!


A Jornalista Paula Henriques, do DN-Madeira, sobre os exames de 9.º ano, atribuiu o título: "Médias em queda, reprovações a subir" (...) "O barco não está a chegar a bom porto. Os alunos da Madeira tiveram piores resultados do que os nacionais nas provas finais do Ensino Básico referentes ao 3.º Ciclo realizadas na Região pelos mais de 2.500 estudantes de 9.º ano, revelam os dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação e pela Secretaria Regional de Educação. 56,3% chumbaram na prova de Matemática e 27,4% reprovaram a Português, o que quer dizer que mais de 1.400 não teve sucesso na prova de Matemática e que mais de 680 não conseguiram chegar à meta em Português.(...)". Do meu ponto de vista, constituem resultados absolutamente normais. Em uns anos é sensível o entusiasmo dos governantes ao jeito de "estamos a melhorar" (...) "foi melhor que no ano anterior"; em outros anos apresentam-se de cabisbaixo. Não percebem ou não querem perceber que existem múltiplas variáveis que determinam que assim seja, aliás, já bastas vezes equacionados. De uma coisa estou absolutamente convicto, é que se não mudarem o paradigma do sistema educativo, não só os resultados não serão proporcionais ao investimento, como se manterá esta oscilação entre a esperança e o desânimo.


Pergunto, e agora senhores governantes? Tal como tem sido apanágio vão aumentar o número de horas semanais de Matemática e de Português, convencidos que, se não entra a bem entrará a mal? Ou irão aproveitar para reflectir, profundamente, sobre o sistema na sua globalidade? Li, no DN, que "a Secretaria Regional de Educação vai divulgar em breve a análise detalhada dos resultados das Provas do 3.º Ciclo, nomeadamente a distribuição por escolas e concelhos". Mas para quê essa maçada? Para, eventualmente, expor e agredir as escolas e os professores pelos "maus resultados", atirando para os outros responsabilidades que são próprias? Para, subtilmente, "avaliar" os professores? Quando deveriam saber que não existem dois estabelecimentos iguais e dois públicos iguais? Que o problema assenta, fundamentalmente, em preocupações de natureza organizacional, curricular, programática, pedagógica e, a montante, de natureza social? Para quê perder tempo, quando deveriam estar a estudar, para implementar, as bases de uma nova escola e, consequentemente, as bases de uma nova aprendizagem? 
Sou, como tantas vezes aqui tenho escrito, contrário à realização de exames em todo o Ensino Básico. Não é pela via dos exames que se acrescenta seja lá o que for. Há estudos e pensamento sobre esta matéria. Consultem. Sou pela avaliação de natureza contínua (muito mais complexa que um exame), de base formativa inteligente e rigorosa, inclusiva, não punitiva e de exclusão, mais, ainda, por uma aprendizagem baseada na complexidade dos fenómenos. A vida real não se divide em disciplinas. Não se deve, por isso mesmo, "aprender" a esquecer, mas a ganhar o gosto em aprender a desaprender para voltar a aprender. A complexidade da vida e a necessidade de adaptações sistemáticas à multiplicidade de situações, inclusive a profissional, necessitam de uma aprendizagem que não se confine aos manuais e aos rígidos programas, ao jeito de um pronto-a-vestir. A uns o fatinho serve, a outros não! O Professor Sérgio Niza deixou claro nas páginas do Diário, tem já algum tempo: a Escola actual "não serve... é do tempo dos nossos avós".
Por outro lado, disse e bem o Primeiro-ministro, Dr. António Costa, quando determinou o fim dos exames no 1º ciclo: "tal como um raio x não cura um doente também um exame não faz a aprendizagem dos alunos". Certo. Por paradoxal que possa parecer, Hélder de Sousa, director do organismo responsável pelos exames nacionais (IAVE), penso que ainda é o mesmo, em entrevista ao Público, em Junho de 2015, assumiu que os exames não estão a gerar melhorias das aprendizagens. Então, pergunta-se, por que insistem?
Dizia-me um colega que, este ano, tal como nas cerejas, deu o bicho. Talvez para o ano não dê. Certo é que a "produção" será, como sempre foi, escassa. Pensem nisso. Pensem, tal como escreveu a jornalista: "Médias em queda, reprovações a subir" (...) "O barco não está a chegar a bom porto (...). Por este caminho jamais chegará. Há muito que está encalhado. Só desmantelando-o!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

UMA SANSÃO DE 0% É RIDÍCULA, MAS, POLITICAMENTE, É UMA IGNOMÍNIA DESTA EUROPA



Cada vez estou mais farto desta União Europeia. Não propriamente da União, mas de uma certa jagunçada unida para levar a água ao seu moinho triturador dos povos. Sinto-me cada vez mais afastado e revoltado face a esta pouca-vergonha, qual remoinho onde mergulhámos. Diziam e influenciaram-nos, lembram-se, pateticamente, que estávamos no "pelotão da frente" da moeda única, deixando de lado as diferenças de produtividade e tudo quanto este aspecto influenciaria. A situação hoje é de debilidade, porque à crise fabricada externa e intencionalmente (muitos ganharam com ela), junta-se uma espécie de abutres, de garras e bico afiados, sem qualquer pejo em alimentar-se de quem já pouco tem para dar.    



A decisão do Ecofin de "apoiar a recomendação da Comissão Europeia de accionar o processo de sanção a Portugal, que pode ir até 0,2% do PIB", pelo facto de ter ultrapassado o défice de 3% (3,2%) em 2015, confirma, entre outras, duas coisas: primeira, que a possibilidade de uma sanção de 0%, sendo ridícula, é, politicamente, uma ignomínia desta Europa a um Estado membro; segunda, mesmo que a "sanção", repito, ridiculamente, seja de 0%, não deixa de constituir um grave e público puxão de orelhas ao governo português na perspectiva de, oiçam bem, aqui mandamos nós! Não interessa que outros, ao longo de todo o tempo, inclusive a Alemanha (5) e a França (10), tenham ultrapassado os limites do défice. Consta-me que 23 dos 28 já o ultrapassaram sem que nada lhes tivesse acontecido. Estranho? Talvez não. Mesmo que não queira, acabo por me aproximar da tese que há olhares enviesados relativamente à solução governativa em Portugal e que, em Espanha, a instabilidade política também conduza a olhares desconfiados e preocupados aos senhores desta Europa de políticos menores.  
E se for de 0% (?) o paradoxal "castigo", parece-me óbvio, não deixará dúvidas, será acompanhada, certamente, de uma recomendação: têm de apresentar novas medidas de austeridade ou seja lá o que for. No decorrer de 2016, a vacina terá de ser aplicada. Têm de cortar, cortar e cortar, têm de roubar aos pobres para favorecer os ricos. De que vale, questiono, o povo argumentar que andou, desde 2009, permitam-me a expressão, a "levar na corneta", que foram extorquidos por todos os lados entre 2011 e 2015, encostado à parede, sobretudo as populações vulneráveis, jovens e idosos, aposentados e pensionistas, que o mundo laboral foi desregulado e é hoje, genericamente, um mundo cão de precariedade e que, consequência dessas políticas, aumentou o desemprego e a emigração e a melhoria não se verificou? De que vale dizer que somos pobres mas honrados e que vários milhões sobrevivem? De que vale, quando estes senhores(as) da Europa dos Comissários são peças dentadas de outras invisíveis, não correias de transmissão da vontade dos cidadãos, mas dos movimentos financeiros, construtores de uma Europa onde uns são mais iguais que outros? Em uma Europa que esmaga, tritura e impõe as regras que quer e entende, de que vale a lamúria da injustiça quando têm, no actual quadro político, a faca e o queijo na mão?
Uma coisa é certa, estou disso convencido, esta União Europeia insensível, de cócoras para os mercados, submissa e rastejante, distante dos povos e bem instalada, caminha, infelizmente, para o colapso, porque não são os milhões que, diariamente, aqui chegam, como dádiva, vergarão a dignidade da esmagadora maioria que sofre. Um dia o elástico rebenta!
Ilustração: Google Imagens.