sábado, 13 de agosto de 2016

A MENTIRA AO SERVIÇO DA CONQUISTA DE VOTOS


Li em uma postagem no fb que o Deputado centrista João Almeida tinha dito, no "Prós e Contras" da RTP1, em 2013, que "(...) Os eleitores obrigam-nos a mentir" (...) e que "sem mentir não se ganham eleições". Desconhecia esta declaração. Não me interessa quando foi dita. Trata-se, do ponto de vista político, de uma declaração intemporal. Dessa postagem resultaram vários comentários, um deles, o de Fernando Valente, que assumiu: "Fica a dúvida se merece um prémio pela honestidade em admitir que é mentiroso, ou pela confissão de que é muito estúpido...." O exercício da política assenta em figuras que, de quando em vez, juntam à partidarite aguda, declarações que chocam e que fazem os eleitores se afastarem ou olharem de forma enviesada para os políticos. Com que então... os eleitores é que levam os políticos a mentir! Espantoso. João Almeida, porque admitiu mentir para ganhar uns votos, deveria ter retirado as suas consequências políticas. Mas, não, continua a pavonear-se.


De facto, falta-nos referências políticas em quem possamos acreditar. Figuras que corrijam os imberbes e imbecis de que a política esta infestada. Faltam-nos pessoas sensatas que saibam interpretar a beleza e a importância do exercício da política. De forma séria e honesta. Há muito que mentir se tornou uma arma de conquista de votos. Sempre foi assim, é verdade, hoje, porém, às escâncaras, o que se torna manifestamente ofensivo. Dizer hoje uma coisa e amanhã outra é um jogo, onde apenas muda a forma e o tom da comunicação. Eu diria que a mentira é mais refinada ao assumir contornos de especialidade meticulosamente estudada. A mentira passou a fazer parte da agenda política mediática. Mente-se dizendo "eu nunca disse", "interpretaram-me  mal", "foi retirado do contexto". João Almeida é capaz de dizer o mesmo.
Escreveu, em 2015, nas páginas do Público, o falecido Sociólogo Paquete de Oliveira: "(...) Ora, na óbvia correlação existente entre a agenda política e a agenda mediática, este clima de desconfiança transbordou para fora das paredes da AR. Não é que este sentimento não seja já uma das “pragas” que corroem a credibilidade da vida política. Todavia, na execução do papel institucional que a si própria a comunicação social atribui de permanente vigilante da actividade pública na defesa da democracia, a sua conduta não deve ser apenas a de emprestar os seus «megafones» para dar eco às lutas partidárias. Registando-as, tem o dever de as desconstruir. O jornalismo tem de ser uma prática sobre a veracidade dos factos e das afirmações (...)". Infelizmente, em muitos casos, não é. Também aí, subsiste o jogo dos interesses.
Ilustração: Google Imagens.

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