terça-feira, 30 de agosto de 2016

FARINHA DO MESMO SACO MAS COM GORGULHO


Em 1994, em pleno Verão, era presidente da Câmara Municipal do Funchal o professor Virgílio Pereira (PSD), quando o Dr. Alberto João Jardim, perante a penúria financeira da autarquia, se atirou ao seu compadre com esta tirada: "(...) O bom governante é aquele que governa sem dinheiro!" Virgílio Pereira demitiu-se e o Dr. Miguel Albuquerque assumiu a presidência. Hoje, Albuquerque é presidente do governo, mas aprendeu com o estilo político de Jardim, definida por ele próprio nos últimos anos de mandato: "raffinée". Não diz o disparate, mas condiciona o funcionamento da autarquia. O quadro hoje apresentado pelo DIÁRIO testemunha como estrangular sem uma palavra.


Segundo o que foi publicado "o Governo Regional já informou a Câmara Municipal do Funchal de que deverá recorrer a outras fontes de financiamento para colocar em prática uma série de obras, orçadas em cerca de 4 milhões de euros, que a autarquia pedia que fossem apoiadas pelo executivo regional". Ora, Miguel Albuquerque, enquanto presidente da Câmara pediu, exigiu e teve o dinheiro para apresentar "obra"; Miguel Albuquerque, mudou de cadeira, sentou-se na do governo regional e aí faz o que sempre Jardim fez com as autarquias que não eram da sua cor política. Machico, por exemplo, tem um  historial de clara perseguição. O povo que ganhe juízo e que vote "direitinho", continua a ser o pensamento dominante. Assume e com toda a razão o Engº Miguel Silva Gouveia, vereador com a tutela das Finanças da Câmara do Funchal, quando fala de “asfixia financeira”, face a outros concelhos sob orientação maioritária social-democrata onde o mesmo não acontece. 
O que se passa na relação Governo da Madeira/Câmara do Funchal não é paleio, não é treta política, pois o quadro assim demonstra. Isto configura a continuidade do jardinismo, trata-se de política eleiçoeira, um intencional bloqueio para, mais tarde, em campanha eleitoral, vir falar da obra não realizada. Miguel Albuquerque não só deixou uma dívida de cem milhões de Euros como agora coarcta o financiamento da Câmara que presidiu. Isto para além dos cinco milhões do IRS que não há maneira de transferi-los. Como definir este comportamento? Não sei! Mas o quadro, tal como o teste do algodão, não engana. E se assim não é, tem  o dever de explicar.
Ilustração: Google Imagem

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