quinta-feira, 22 de setembro de 2016

E SE ANA GOMES, EURODEPUTADA, ESTIVESSE CALADA!



Segundo me apercebi, o ex-primeiro-ministro Engº José Sócrates foi convidado a participar em uma iniciativa do Partido Socialista. É militante, não foi expulso e, portanto, está no seu pleno direito de aceitar ou não os convites que lhe endereçarem. No plano da Justiça, onde é alvo de uma quase eterna investigação, José Sócrates não foi acusado, não foi julgado e condenado. Existem, é o que leio, indícios disto e daquilo. Indícios valem zero. Portanto, também por aí, está no pleno gozo dos seus direitos cívicos. Pessoalmente, não pondo as mãos no fogo por ninguém, não me atrevo a fazer leituras abusivas sobre qualquer processo, o de Sócrates ou de qualquer outro, por várias razões: primeiro, porque não conheço a investigação nem vou no que um determinado órgão de comunicação social publica; segundo, porque não aceito julgamentos na praça pública, do tipo "eu acho que". Finalmente, porque até ser consistentemente provado, qualquer cidadão, sentindo-se inocente, goza do direito de se defender com as mesmas armas utilizadas por outros. Não sei nem quero saber do que Sócrates vai falar, amanhã, na conferência organizada pelo Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Lisboa da FAUL (Federação da Área Urbana de Lisboa do PS), apenas defendo que é livre de o fazer.


Neste pressuposto, a Eurodeputada do PS, Ana Gomes, não merece, no plano partidário, o lugar que ocupa. É de uma ausência de sentido de responsabilidade, é de um repelente oportunismo político e de uma total falta de solidariedade interna quando se permite julgar antes da figura em causa ser julgada no espaço próprio. Disse a Eurodeputada do PS: José Sócrates "construiu e deixou construir uma fábula" sobre a sua fortuna familiar, "que não existia", para esconder que era financiado por um amigo, o que, declarou, ser particularmente grave, sobretudo tratando-se de um ex-secretário-geral do PS e antigo primeiro-ministro. (DN-Madeira). Nem o Correio da Manhã faria melhor. Enquanto leitor ficou-me a ideia de Ana Gomes saber ou estar apostada na acusação e, daí, fora com este malandro que atrapalha a imagem do Partido. Pergunto: e se não houver acusação? E depois de todo este tempo de investigação nada ficar provado? E onde pára a presunção de inocência? E sendo declarado inocente o que é que a eurodeputada fará? 
Admito que não sejam amigos, que tenham algum desentendimento por resolver, não sei mas parece, mas mesmo nessas circunstâncias, razoável seria o silêncio ou contenção nas declarações. Embora tardiamente, com atrasos difíceis de compreender, a Justiça que resolva e que, para já, Ana Gomes se cale. Entretanto, revisite a "Declaração de Princípios do PS", mormente o ponto 2.: "O PS empenha-se em que a sociedade portuguesa seja organizada na base dos valores da liberdade, da igualdade e da solidariedade (...)". Eu, pelo menos, repito, não pondo as mãos no fogo, não condeno porque não conheço as provas. É caso para questionar: "E se fosse consigo?" (...) "E se fosse contigo?" Lamento que a Diplomata Ana Gomes, com o extenso e rico currículo político, de quando em vez, resvale através de declarações insensatas e rigorosamente nada diplomáticas!
Ilustração: Google Imagens.

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